Entrevista: Msário fala sobre rap, seu último disco, inspirações…

Faz poucos meses que o Msário lançou o seu disco Sangue de Leão e que caiu nas graças de muita gente pela mistura de estilos. Mês passado a gente apresentou o cara aqui no site para aqueles que ainda não o conheciam, mas agora a gente traz um papo que a gente bateu com ele no finalzinho do ano.

Música Inspira: Queria começar já com a primeira faixa do disco. “Alívio”. Você fala que a música te alivia e quer que a sua música alivie o seu público. Aliviar do que? Qual é a mensagem que você quer transmitir com a sua música? 
Msário: Primeiro, um prazer colaborar com o Música Inspira. O alívio que eu falo na música é justamente a necessidade de fugir um pouco da correria do dia, do trabalho e das preocupações. A gente passa a maior parte do nosso dia e da nossa vida correndo atrás de coisas que deem segurança para nós e para a nossa família, que às vezes nos esquecemos de simplesmente viver. A verdade é que às vezes precisamos parar tudo e relaxar um pouco, aproveitar a vida.

MI: Você acha que os outros estilos musicais deveriam investir mais em assuntos sociais? 
Eu acho que artistas de um modo geral devem ter uma posição social e investir em assuntos sociais, sim. Acredito que a música está aí para entreter e para levar uma mensagem. No meu caso, o “Sangue de Leão” é repleto de mensagens positivas.

MI: Como você entrou no rap?
Meu contato com o rap foi no final dos anos 80, começo dos anos 90. Eu sempre passava os finais de semana na casa da minha madrinha e meu padrinho colocava Thaíde, Pepeu, entre outros para nós ouvirmos, e depois disso, com o passar dos anos, principalmente depois do lançamento do “Sobrevivendo no Inferno”, disco do Racionais MC, fui me apaixonando. No final de década de 90, por volta de 98, comecei a me envolver, ir aos lugares que tocava, e comecei a compor e fazer rima junto com o pessoal do Pentágono. Acho que hoje em dia já não existe mais esse estereótipo no rap. Aos poucos o cenário está mudando. Quem é de fora pode ver isso, mas quem está dentro já vê diferente. O rap é democrático: é de branco, é de preto, de playboy, de favelado, de todo mundo. O rap veio para fazer a revolução, e a revolução tem que ser feita em todos os lugares.

MI: Justamente falando sobre esse preconceito como você acha que as pessoas deveriam olhar pro rap? Qual a sua recomendação para aqueles que não conhecem o rap e gostariam de conhecer mais? Por onde deveriam começar?
Eu acho que as pessoas deveriam olhar para o rap como olham para um cidadão na rua: com respeito. Eu acho que quem não conhece rap deveria escutar Racionais MCs, Sabotage…acho que é um bom começo para saber o que acontece.

MI: Quais as dificuldades e vantagens que você tem enfrentado e conquistado diante do novo cenário da sua carreira? Afinal, foram 12 anos em um grupo (Pentágono) e agora é seu primeiro vôo solo.
Como solo, eu falo o que sempre quis falar nas minhas composições, e coloco na sonoridade as minhas referências. Dificuldade mesmo, não tive nenhuma, pois trabalhamos em amigos, e a facilidade é a mesma, trabalhar com amigos. Estar com pessoas que curtem o seu trabalho e que sabem o que estão fazendo torna o trabalho mais fácil; além disso, são muito profissionais naquilo que fazem.

Msário_Creditos Ariel Martini (Small)

MI: Como que você vê a cena atual do rap no Brasil? Você acha que a gente tem que prestar atenção em quais artistas? 
Eu acho que a cena atual do Rap está em crescimento, em fase de solidificação. Eu acho que tem muita coisa acontecendo, muita gente na cena nova, e muita gente boa que precisa mostrar a cara. Eu acho que a galera tem que prestar atenção no rap como um todo.

MI: O seu disco foi disponibilizado para download gratuito no seu site. Você acha que esse é o caminho para que sua música conquiste novos horizontes?
Preferi disponibilizar para download gratuito para que mais pessoas tivessem acesso à minha música, à minha mensagem. E eu sei que se não tivesse disponível no meu site, ou no meu canal do youtube estaria no canal de outra pessoa. E eu acho incrível. Mas disponibilizando pelo meu canal é uma comunicação direta com o público. Quem quiser e puder ajudar tem nas mídias Deezer, Spotify, entre outros. Quem quiser comprar, compra. Quem quiser baixar, baixa. (download gratuito do álbum) 

MI: Seu disco traz referências diversas de estilos variados. A gente vê o reggae, o groove, o funk, o rap… você flerta com diferentes estilos.. Quais as suas principais influências e como funciona o seu processo criativo de compor, produzir… ?
Meu processo criativo vem de coisas que eu vivi e vivo, minhas reflexões e o que vejo por aí. Já a produção desse álbum, foi feito de modo independente por Bruno Dupre e Jeff Boto. Comecei com a composição das letras em 2013, logo depois que finalizamos o álbum do Pentágono, e eu senti que tinha muita coisa para falar e expor como trabalho solo, de uma maneira como eu nunca tinha colocado para as pessoas. Com isso comecei a desenvolver algumas músicas e apresentei para o Bruno Duprê, já nós já havíamos feito uma parceria para a música “Só Amor”, e então começamos a trabalhar criando as músicas. Fizemos a música “Sangue de Leão” que o Bruno achou interessante convidar o Jeff Boto porque é um reggae. Foi dessa maneira que nós fomos apresentados. Depois disso nós vimos que o Jeff poderia colaborar muito com o disco como um todo, tanto em produção como em gravação. Na metade de 2014 nós partimos para o estúdio profissional, o “Vitrola Estúdio”, para gravar tudo. Até mesmo porque no começo nós fizemos tudo eletrônico, e essa não era a cara que nós queríamos dar ao disco, nós imaginávamos algo mais orgânico mesmo. Além disso, nós estendemos as produções à outras pessoas, como a música “Única Opção”, do Scott Beats. A gente começou a fazer a produção no Art Bela Studio, que é o studio do Jeff em parceria com o Marcão, e depois passamos para o Vitorio Studio, que é do Ataca, é um estúdio para gravação, e o Art Bela é mais um estúdio de desenvolvimento de músicas. Minhas principais influências são Racionais MCs, Planet Hemp, RZO, Wu Tang, A Tribe Called, Quest, The Parcyde, Jay Z, Eminem, Xis, Bob Marley, Marechal e outros.

MI: Quais as principais reações que você tem observado em torno do “Sangue de Leão”?
Eu acho que a galere tem reparado que tem bastante reggae; está havendo uma mistura do ritmo, fora os instrumentos que estão bem presentes no disco. As principais observações são essas. A aceitação tem sido boa. Tive um retorno bom, a galera cistuma curtir bastante as mensagens positivas.

MI: O que te inspira além da música? E o que te faz pirar (no mal sentido mesmo)?
O que me inspira além da Música é o amor, e o que me faz pirar é a injustiça e o racismo.

Agora você P-R-E-C-I-S-A ouvir o disco do Msário! Pra mim, um dos melhores de 2015! Sério!

spotify:album:3mbB9quInvG9x999EFu2O9

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