A importância da representatividade: de Beyoncé à Karol Conka!

Beyoncé e Karol Conka: a importância da representatividade

Duas coisas muito importantes aconteceram nesse feriado de carnaval: Beyoncé lançou seu novo single Formation e o apresentou em sua participação no Super Bowl 50; Outro fato interessante foi que estivemos em um show de Karol Conka.

A princípio pode-se dizer que não há absolutamente nenhuma ligação entre um acontecimento e outro. E mais: você pode dar pouca razão e importância aos fatos. Mas a real é que: quem integra alguma minoria de nossa sociedade sabe o que é ser representado de alguma forma por alguém. Se ver em alguém com tamanha fama (em um português mais claro), é se ver incluso em uma sociedade que procura não lhe enxergar. E a nova música de Beyoncé e os shows de Karol Conka tem grande importância e significado para tudo isso!

A IMPORTÂncia da representatividade

Ao chegarmos ao local onde Karol Conka logo se apossaria, vimos pessoas de diferentes crenças, diferentes origens, mas algo nos chamou muito a atenção: muitas meninas sustentando seu “black power” poderoso e maravilhoso, seus corpos do jeito que são e sua pele com um orgulho estampado na face.

Negras, negros, gays, lésbicas de diferentes origens, de diferentes classes. Todos se sentiam a vontade em um lugar por se verem naquela que se apresentava. A importância de vermos alguém como a Conka dominando os palcos, aparecendo em suas redes sociais aos montes, sendo tema de inúmeras matérias em qualquer site, fazendo aparições na TV e tocando nas rádios se reflete principalmente na plateia de seus shows.

Uma de suas fãs exibia tranças enormes aos moldes das que Karol usa atualmente, sua história era basicamente essa: ela tinha dificuldades em aceitar seus fios do jeito que eram e enxergou em Karol Conka um exemplo de como assumir seus atributos e fazer deles sua marca. Um exemplo que já era seguido por muitas e cada vez ganha mais espaço.

Representatividade! A importância da representatividade. E ela é importante sim! É importante ter uma voz que seja que lhe represente, sendo ouvida pela massa, pela maioria.

O que Beyoncé fez em apenas dois dias foi basicamente o mesmo: deu voz àqueles que não eram ouvidos, elevou isso a um outro nível. Lotou um estádio e uma audiência astronômica com inúmeras bailarinas, todas negras e fazendo menção à luta racial que marca marcou a história dos EUA e, consequentemente, do mundo inteiro. Isso sem contar a mensagem que Beyoncé passa em seu single e seu videoclipe que pegou a todos de surpresa esse fim de semana.

Beyonce Formation SuperBowl Performance

Toda essa história que Beyoncé está vivendo ainda nos remete a dois nomes distintos: Nina Simone e Azealia Banks.

Nina como todos devem – ou deveriam – saber se envolveu de corpo, alma e música aos movimentos raciais que dominavam os EUA. Ela se sentiu igualmente ameaçada, torturada, agredida pelos policiais, pela Klu Klux Klan e por todos os outros racistas que impediam que negros tivessem os mesmos direitos que eles. Nina gravou músicas criticando massivamente todos que eram contra seus direitos e sofreu as consequências disso: foi boicotada pelo público, se exilou e caiu em total ostracismo.

Azealia Banks se envolve em questões polêmicas dando suas opiniões, ácidas, diretas, sinceras e necessárias, diz o que pensa e é julgada por isso. Por ser “menor”, por ter sua carreira ainda em início ver portas se fechando. É sempre “esquecida” em premiações, eventos. Querem esquecer de Azealia, assim como querem se esquecer de Beyoncé.

Quando ligamos Karol Conka à Beyoncé, podemos enxergar uma extensa linha que pode integrar outros grandes nomes. Enxergamos, por exemplo, quando tivemos que engolir uma apresentadora de quinta qualquer dizendo que o cabelo da Ludmilla “é igual a Bom Brill”, por exemplo. Ou quando vemos um ídolo, um mito, uma lenda como Michael Jackson sendo representado por um ator branco.

O papel da música pode ser exatamente esse: representar você, eu ou aquele que se esconde ou é escondido. É nos inspirar a lutar por um mundo de direitos iguais, sem padrões, sem violência gratuita por puro preconceito. Viva a importância da representatividade!


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