Raleigh Ritchie supera expectativa e lança disco cheio de acertos

Você já parou pra pensar na quantidade de músicas que já foram produzidas ao longo da história da humanidade?! Nunca ninguém vai saber essa resposta. Deve ser milhões, bilhões. Impossível que não haja músicas bastante parecidas. Mas sempre que alguém surge com algum toque muito particular esse alguém se destaca no meio da multidão. Muitas vezes a inspiração e a interpretação é que trazem essa sensação de novidade, um refresco no meio dessa multidão caótica de mesmice. Uma crise de identidade.

Ouvir o Raleigh Ritchie é ter a certeza que você já ouviu algo parecido, mas sua forma de colocar a sua verdade nas canções traz uma riqueza e uma vontade de ficar ouvindo no repeat. Aliás, é assim que a gente tá por aqui.

O primeiro disco do cantor e ator Jacob Anderson, que usa o nome artístico de Raleigh Ritchie, You’re a man now, boy é um disco cheio de acertos. Werld is Mine abre o disco com Raleigh já avisando que “quer viver pra sempre e quer ser nosso amigo”. E de cara já rola uma imensa afinidade. Uma batida empolgante que faz a sua cabeça se movimentar sem você perceber. Sua entrega com batidas eletrônicas e os versos cantados em rap se completam.

Em Stronger Than Ever, uma das melhores faixas do disco, Raleigh canta que cair é normal, mas quando se levantar será para ser mais forte do que nunca. A gente aprende com os erros e faz o possível para não cometer os mesmos erros. E ele coloca isso de uma forma que faz a gente refletir e nos ajuda a seguir em frente. Não importa o tamanho das desilusões, o importante é a aprender a crescer e amadurecer.  Parece muito autobiográfica.

Bloodsport 15′ é outra faixa daquelas que a gente já ama desde a primeira audição. Não tem como ser diferente. A canção é absolutamente viciante. E se você não curtir, certamente tem algo de errado com você. I Can Change continua numa vibe que não ameaça te fazer pular para próxima. Outro ponto para o Raleigh. Um disco de estreia começando muito bem. Quando chega em Keep it Simple a gente joga tudo pro alto. Que musicão MEU DEUS! Pra cima, ótima pra você se jogar numa festa. Boa pra festa BOA! Essa faixa inclusive é o single atual do cantor e traz a participação do rapper Stormzy. Infelizmente a canção não fez cócegas em parada musical alguma, mas só o fato de você ouvir já vai te fazer viciar, MESMO! 

A sexta faixa é The Greatest. E que refrão maravilhoso. Até agora nada de errado com o disco. E pra escrever aqui resolvi ouvir o disco por vários dias seguidos. Afinal ele vazou alguns dias antes do lançamento. Never Better traz uma letra muito pessoal, sobre transtornos e como um amor pode mudar a vida de alguém. Cowards traz uma produção primorosa. Cheia de camadas. Uma mistura muito interessante musicalmente. Outra faixa muito especial neste primeiro disco do Raleigh. A Moor não é uma das minhas favoritas do álbum, mas está longe de ser ruim. Principalmente pela mensagem de um final de relacionamento turbulento e que nada mais acrescentava: “Siga até a porta e vá embora! Eu quero mais!”

Young & Stupid pode ser aquela faixa que eu tava procurando pra pular. Sempre tem uma, né? Como estou escrevendo enquanto ouço o disco pela décima vez, acredito eu, então achei aquela que podia ter não entrado no álbum. Já a faixa título do disco, You’re a Man Now, Boy traz Raleigh mostrando que de fato não é mais um garoto e sim um homem. Aliás dá pra ver em todo o disco. Suas letras são bem maduras. Muito mais maduras que de muitos outros cantores mais velhos que ele. Raleigh tem apenas 25 anos. A canção é maravilhosa. The Last Romance traz um backing vocal poderoso mas correto. Sem querer ser maior que o artista. E assim a versão standard do álbum termina.

É uma delícia ouvir um disco e se identificar com ele. Raleigh caprichou na produção do seu disco de estreia. O material tá muito bem feito, muito bem acabado. Boas letras, ótimas melodias e um excelente resultado final. Daquele que tem sérias chances de entrar em alguma lista de melhores do ano, mesmo que seja apenas na nossa lista aqui do site. Mas vai que….. O inglês The Guardian deu 4/5 estrelas para o disco. O Evening Standard deu a mesma pontuação e ressaltou o quanto o disco é atrevido e inovador no cenário musical atual. A MTV avaliou o disco como uma ótima forma de iniciar a carreira musical e indica como Raleigh é emotivamente sensível e honesto.

Tem soul, tem r&b, tem rap, tem eletrônico, tem música feita com o coração. Cuidado ao ouvir: você tem sérias chances de se viciar!

Nota: 85/100

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