Santigold peca pelo excesso no frustrante 99¢

Foi lançado na última sexta-feira o terceiro álbum da cantora norte-americana Santigold, o 99¢. E a gente não vai ficar enrolando não a respeito, afinal boa parte da nossa opinião sobre o álbum você já leu aí no título dessa postagem, né?

O disco chama a atenção pela capa. Uma mistura. E é assim que a gente pode comecar a tentar entender qual a proposta. É somar. Agregar elementos diversos que possam criar uma sonoridade única e peculiar. Pelo menos o disco começa bem com Can’t Get Enough of Myself. Não tem grandes vocais.. Mas faz juz ao mercado pop. É divertida e dá vontade de sair cantando junto.

Em Big Boss Big Time Business parece que a gente ta ouvindo aquelas maquinas japonesas de jogos. Muito bizarro. Me trouxe na cabeca referências da minha viagem a Tóquio. Mas ao mesmo tempo traz no ritmo da voz forte inspiração no reggae. Ou seja, uma zona só que deixa a coisa no mínimo curiosa pra se ouvir e se arriscar.

Algumas das músicas da Santigold podiam ser gravadas pela Charlie XCX ou pela Gwen Stefani que a gente não ia saber diferenciar. Banshee tá no disco pra aguçar essa dúvida. Sério. E ela vem com aquelas milhões de camadas e faz a música ter tanta informação que cansa nossa beleza.

Chasing Shadows vem pra dar uma acalmada na quantidade de sons que estavam sendo gentilmente empurrados na nossa cabeca. Mas não tô achando ruim. Pelo menos até agora. Essa é a proposta dela e ela, até aqui, tem feito um trabalho bastante promissor e inspirador.

Mas aí a coisa começa a desandar. E desanda de um jeito que você nem pode imaginar. Em Walking On a Circle já não sei mais quen canta. Tem autotunes, tem distorções e cadê a voz dela?! Em algum lugar qualquer que não seja nessa música. Pula vai. Na sequência o rapper ILOVEMAKONNEN abre a faixa Who Be Lovin Me. E é uma chatice. Não consegui esperar a parte dela. Ou melhor, esperei. E tive certeza que essa eu não ouço de novo. Ruim.

De vez em quando ela acerta e Rendevous Girl é otima. A melhor do disco. Me lembra La Roux misturada com a Bett Who. Mas aí vem Before the Fire e quebra o ritmo. Desanimei. Dormi. Nota 2/10 pra essa. Outside the War. Vamos dormir mais um pouco?! O que essas faixas ruins tem conseguido é eu achar que o disco é muito inconsistente e parece que ela foi jogando as músicas sem saber ao certo o que queria. Virou uma chatice tão grande. Pra mim uma verdadeira frustração já que o início do disco tava soando tão legal, mesmo que as letras e tudo estivesse tão carregado. Tinha uma identidade.

Run the Races. Doce, mas também da série sono ou da série vamos dar um tapa nela pra ela acordar?! Pula, pula e pula essa. E pra encerrar o disco ela resolve dar uma leve animada em Who I Thought U Were. que não faz a gente nem mexer o pé.

99¢ é um disco que não deixa saudades e não dá vontade de ouvir mais. Já apaguei das minhas listas. Fica para uma próxima oportunidade. Mas vai ser dificil ela conseguir me convencer a ouvi-la novamente. Que pena. Assim como o título do álbum, um disco completamente descartável.

Nota: 45/100