Cru e coeso: ANTI

Acendi um cigarro e resolvi escutar o ANTI da Rihanna

Meia Luz, corpo descansado, mente tranquila. Estava despido de roupas e de qualquer outro pensamento que pudesse guiar qualquer palavra digitada. A expectativa ia além da conta, milhões de pessoas estavam à espera desse álbum, e no fim, ficaram divididas. Uns, o idolatram. Outros, o repugnam. Teria a garota mais cool do mundo perdido sua essência, seus fãs, suas incríveis vendas? Não sou eu a pessoa que irá dar essa resposta pra vocês. Mas, acho que nenhuma outra palavra poderia descrever melhor esse álbum. Ele é cru, e me atrevo a dizer que é o mais próximo que podemos chegar da Robyn.

A verdade é que ela cresceu, amadureceu. E logo de cara, solta pra gente:

“Quando olho pra fora da janela, não consigo ter paz de espírito” (Consideration).

Melodias, vocais e letras maravilhosas. Encaixadas na nota mais que certa. E por mais que você não entenda sobre o que ela está cantando, você a sente.

O engraçado, é que ela passa a imagem de uma pessoa toda errada, que faz tudo o que um bom exemplo para a garotada não deve fazer, mas a perdoamos, pois ela consegue nos chocar com o cigarro da maconha entre os dedos, e ao mesmo tempo nos transforma em seus amigos íntimos, dividindo os momentos nos quais ela se diverte e emociona com amigos e família.

E o ANTI continuou rolando por aqui… Kiss it, kiss it better, baby

Ele vem nos mostrar que a RihRih é uma pessoa como a gente. Ela perde o sono se perguntando por que o cara não está lá, e manda aquela mensagem de bêbada às 3 da manhã. E se tem algo que o álbum nos mostra, é que ela se sente tão só quanto a gente. Em meio aos seus inúmeros hits farofa, sempre tivemos uma ou outra canção com essa temática mais intimista, mas nesse, ela documenta tudo pra gente com mais precisão e emoção. Oh, querido desperado, ela não quer ficar sozinha!

Não tinha cansado do álbum ainda, quando Needed Me começou a tocar e trouxe a Rihanna que conhecemos e identificamos mesmo a quilômetros de distancia:

“não te contaram que eu era uma selvagem?”, pergunta ela.

E cheguei ao pico do álbum em Yeah, I Said It, e Same Ol’ Mistakes me empurrou com tal sutileza que flutuei…

Como falar que esse álbum é ruim? Com certeza essa frase vem de pessoas que estão acostumadas à apenas escutarem músicas pornôs, que estupram os ouvidos e causam reações nos órgãos genitais, ao invés do coração, dos poros, da alma.

No final de tudo, gente. Nem deve parecer tão estranho se apaixonar de novo. Talvez seja isso o que ela esteja procurando. Se perder faz parte. Se achar também. E se ela precisa se perder tanto pra se achar, que se perca mais, e produza mais faixas como Never Ending. E que ela venha com mais super produções como Love On The Brain, que me fez querer encher a cara de whiskey e cantar em alto e bom som!

Aliás, foi o que ela fez nos dois minutos da melhor música de sua carreira inteira: Higher. Nessa, ela grita que consegue ser mais criativa, mas o amor a deixa tão perdida que as linhas poéticas desaparecem. E mesmo que tenha sido causada pelos anos de fumo, a voz dela chegou num estágio sensacional! Arrepiante, e rápida!

Pois é, o ANTI pode ser considerado também o álbum mais coeso da carreira dela, e diferente dos álbuns anteriores, aqui não há hits, mas há canções atemporais, e por mais que ela lance outros álbuns, nele, sempre poderemos encontrar com a verdadeira Rihanna.