Venham sentir a Céu

É tudo uma questão de sentimento.

Lá em 2005, a cantora Céu lançou seu primeiro álbum, e conseguiu com ele, se consagrar entre as melhores vozes da música nacional. Sobre ser da safra da MPB, ela soltou o verbo:

“O rótulo da MPB ficou limitado.”

Então tá, né?

Já em 2009, a cantora lançou o maravilhoso Vagarosa, no qual mesclou world music, música brasileira, reggae e dub. O álbum foi extremamente bem criticado, e alcançou o público internacional conseguindo um prestígio único.

Caravana Sereia Bloom chegou no início de 2012 e só fez aumentar a credibilidade da cantora dentro do mercado fonográfico. Aqui, ela não ousou, como afirmaram os críticos na época do lançamento. É a mesma Céu. O fato é que ela é tão incrível, que a cada lançamento, ela alcança mais uma parcela do público. Ahhh Céu… devo confessar que esse não saiu do meu iPod. Meu vício.

Quando a gente pensava que ela se contentaria com a turnê do Caravana, ela surgia num projeto onde interpretava o clássico álbum Catch A Fire de Bob Marley and The Wailers. E olha, a morena ateou fogo por onde passou. Ficou impecável! (espero um DVD desse show até hoje)

Só não vou reclamar demais, pois em meio à todo o furdunço causado pela interpretação do grande Marley, ela rodava o mundo com a turnê do Caravana Sereia Bloom, e pra nossa surpresa, lançou um DVD da mesma, Céu Ao Vivo. Em mais um projeto único, a moça nos presenteou com um reflexo do que é o seu trabalho, nele ela incorpora diferentes estilos musicais, que sempre marcaram presença em seus discos. E o show… ahhh o show é quente! Cores, público, ela, os músicos, as músicas, tudo, tudo ferve e faz ferver!

Estamos em 2016, no meio de um furacão, e como se não bastasse, Céu acaba de lançar o seu quarto álbum de estúdio, Tropix, lançado com exclusividade no Spotify dia 18 desse mês. E a cantora já tem datas da turnê internacional e de seu retorno aos palcos brasileiros.

Sobre ele, ela fala:

“Acho que a gente sempre pode tentar olhar para o futuro, criar um futuro na nossa cabeça, mas a gente sempre vai ter como nosso princípio o passado. Eu queria beats, mas, junto com eles, resgatamos a tamba (instrumento de percussão criado por Hélcio Milito nos anos 1960). Acho divertido brincar com isso, um futuro que traz o que a gente viveu.”

O que significa “tropix”, não sabemos muito bem, mas seguindo o conceito do álbum, podemos tirar alguma conclusão dentro dessa outra afirmação da cantora:

“Eu estava com vontade de flertar com algumas coisas mais sintéticas, mesmo sendo desse jeito: brasileira, tropical, uma maquininha atrás dos trópicos.”

E já em sua primeira faixa, Perfume do Invisível, ela nos mostra o que está por vir…

Arrastar-Te-Ei dá sequência à essa vibe gostosa e melancólica. Parece ser um resquício do Caravana Sereia Bloom até – vocês lembram quando falei mais acima, que a Céu é a mesma, né? Pois…

Em Amor Pixelado, ela imprime na canção um pouco do que eu entendi que seja a proposta desse álbum. É sentimento atual à flor da pele e tendo cada centímetro do mesmo exposto em pixels. É uma canção super delicada.

E ela segue com super canções, como Varanda Suspensa, que pelo nome já dá a ideia de que é uma das músicas cantadas pela Céu, só quem a escuta, entende.

“Descansar a vista, até onde a vista alcança.” – canta ela

Na quinta música do Tropix, uma surpresa… Tulipa Ruiz. Isso mesmo! No Pot-Pourri: Etílica/Interlúdio a Céu faz um mix do que viria a ser seu com o balanço do Dancê da Ruiz, que faz uma rápida participação na faixa. Se isso não foi o que aconteceu de fato, foi o que eu senti que aconteceu. Resultou numa música-brasileira-psicodélica-foda-pra-caralho.

O álbum contou com a produção do Pupillo (baterista do Nação Zumbi) e do músico francês Hervé Salters.

“Chamei o Pupillo desde o início para estar nessa história. Ele decifra muito bem ritmos, beats, programações, tem essa clareza. E eu tinha vontade de trabalhar com o Hervé. Eu o conheci na estrada. Sempre curti muito o jeito dele, a forma como ele vê música, eu me identifico. E chamar uma pessoa com outro olhar sobre o Brasil, para ver o que dá, mas com a nossa parte rítmica.” – afirma a Céu

E olha, eu digo que deu numa coisa gostosa da porra! A Menina e o Monstro e Minhas Bics estão aí pra provar isso.

O álbum segue com uma folga pra Céu compositora. Isso porque em Chico Buarque Song, que vem a ser de Cadão Volpato.  E apesar de citar o Buarque, e de ser brasileira, a faixa é cantada em inglês, viu?!

Sobre esse processo de composição/criação das músicas, ela disse o seguinte:

“Acho que isso tem a ver sobre crescer como compositora, amadurecer, me sentir mais segura. Muitas vezes, eu fazia uma música achando que não estava nada legal e aí fazia parcerias. Foi um processo longo.”

Ok, Céu. Por isso que Sangria vem com tudo, e eu digo que ela é uma faixa poderosa demais. Vocal impecavelmente brasileiro, no qual eu senti um sofrimento batido e esperançoso. Obrigado!

Em Camadas, temos mais uma das suas faixas que vai servir pra embalar pernas cruzadas num rede, toques sutis, olho no olho, dedos entrelaçados… deu pra entender, né? É um flerte só!

E como a faixa mesmo propõe, A Nave Vai… levantar voo. A música eletrônica conseguiu se amaciar.

E ela encerra o álbum num baile eletrônico lá no sertão. Imaginem um baile moderno nos sertões nordestinos: Rapsódia Brasilis 

Para a Céu: vamos repetir o álbum sempre que pudermos. Quem mandou você ser tão boa assim?

Para vocês: deleitem-se.

85/100