Álbum: Elliphant – Living Life Golden

2016 parece ser um ano propício pra cantoras suecas. Zara Larsson começa a ganhar sucesso internacional e Tove Lo está com parcerias matadoras, pra citar algumas. Ellinor Olovsdotter, mais conhecida artisticamente como Elliphant, deve seguir essa tendência, mesmo que modestamente. Mas ao contrário das companheiras citadas mais tendentes ao pop, Elliphant prefere uma abordagem mais experimental, indie pop com uso de sintetizadores intensamente explorados e flertes com rap e até com reggae.

Seu segundo álbum, Living Life Golden, é o primeiro a ser lançado internacionalmente e a moça está cheia de amigos. A faixa Everybody tem participação de Azealia Banks (já se livra de alguém dizer que ela se “apropriou culturalmente” de algo, não é mesmo?) e em One More sua parceira escandinava MØ dá as caras. Não que sejam parcerias ruins, mas, ironicamente, a faixa de abertura do disco, Step Down, na qual Elliphant canta sozinha, supera de longe as duas. É uma faixa pra botar aquela pessoa que tem um crush em você na friendzone de maneira direta, como ela faz quando diz “fuck it, you’re not my type at all. Why don’t you just step down?” (F*-da-se, você não é meu tipo mesmo. Por que você não se retira?). Gritos semi-roucos e agressivos mais da metade pro final da canção dão a impressão de que ela teve que realmente gritar com esse pretendente pra ele entender que ela não tá a fim mesmo!

elliphant e amigosA parceria com Major Lazer (leia-se o alter ego do Diplo) , Love Me Long, tem refrão com repetição das frases “if you love me long” e “you can have it all” (se você me amar demoradamente, você pode ter tudo). Algo que tem Diplo envolvido podia ser melhorzinho, né não? A música é apenas OK, mas não cativa. Desculpe, mas essa não dá pra amar no longo prazo não.

Spoon Me, com Skrillex e a voz semi-rouca-proposital da moça no refrão é totalmente inesperada e acaba sendo uma das faixas mais apreciáveis. O contraste começa com o título que te remete a algo fofo (Spoon é verdo usado pra fazer referência a “dormir de conchinha, caso você não saiba) , mas que no refrão conta com vontades safadinhas e explícitas de Elliphant “hands on my boobie yeah” “dick on my bootie now” (mão nos meus peitos yeah, pau na minha bunda agora). O outro contraste é a presença de Srillex mesmo. Em uma faixa produzida por ele, já se espera algo bem dubstep com excessos eletrônicos, mas ao invés disso nos deparamos com synths bem amigáveis e sutis (pros padrões de Skrillex, claro).

Em Not Ready e Player Run a influência de Gwen Stefani (já admitida pela srta Olovsdotter) é bem evidente, com um misto de rock e reggae (ska). Player Run tá gritando pra virar single! Espero que percebam!

“While my pockets stay empty, my heart is full” (enquanto meus bolsos estão vazios, meu coração está cheio) declara Ellinor na faixa título Living life golden, provavelmente já prevendo que seu fãs atuais e os futuros podem não ser muitos mas que serão dedicados e por isso, supostamente “encherão” seu coração. O single Love Me Badder faz um trocadilho interessante com as palavras (better – melhor e badder – forma gramaticalmente incorreta de dizer “pior”).

É inegável que algumas de suas músicas podem ser confundidas com o som da britânica Charli XCX e isso pode tanto atuar tanto a favor quanto contra a cantora sueca pra conquistar fãs no Reino Unido (um dos principais mercados fonográficos mundiais). Apostemos na primeira opção!

Uma variedade de produtores no álbum faz jus a seu caráter experimental: o momentaneamente controverso norte-americano Dr Luke produziu duas faixas (EverybodyLove Me Badder), o neo-zelandês Joel Little (famoso por seu trabalho com a também neo-zelandesa Lorde) produziu três, além das parcerias já citadas com Diplo, Skrillex, entre outros. Em Where Is Home? (Onde é o lar?), com Twin Shadow, ela fica se perguntando pra onde deve ir, onde pode chamar de casa, como sugere o título. Musicalmente ela ainda não sabe, não está definida. Mas ela faz isso de propósito, porque quer. A mulher não está nada perdida! Pelo menos por enquanto, ser uma nômade musical, experimental, funciona bem pra Elliphant.

ps: E gente, que capa maravilhosa do disco é essa, não é mesmo? :O

Faixas que você deve ouvir senão estará perdendo tempo de vida: Spoon MePlayer RunLove Me Badder

Veredicto: 60/100

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