Beyoncé: forte e ousada em Lemonade

Que Beyoncé é um dos maiores nomes da música mundial não é novidade pra absolutamente ninguém, não espantaria nem se disséssemos que ela já é tão grande quanto qualquer lenda da música, resultado de anos de carreira e de trabalho árduo e contínuo. Ela se empenha, se entrega, se doa, sem medir esforços pra fazer o que sempre quis e fazer de tudo, para estar em todas.

Até o seu quarto disco, o 4 de 2011, Beyoncé conseguia sempre fazer algo de diferente, sempre atendendo aos desejos próprios, quase sem se importar muito com o que o público aguardava.

Em 2013 ela quebrava a internet com o disco auto-intitulado, tendência que provavelmente viria a ser uma nova forma para seus lançamentos posteriores. Em 2013 aliás, ela falava pela primeira vez, abertamente sobre sexo e sua intimidade com mais honestidade, nunca antes empregada, utilizava de letras mais pesadas.

O que se tinha então era a ideia de que só Beyoncé podia se superar e ninguém mais e, era cada vez mais impossível pra mesma se superar, quase impossível depois do lançamento de 2013 mas, fiquemos certos de que ela foi capaz, prova disso é seu novo trabalho: o Lemonade.

 

Em fevereiro ela parava toda uma internet ao lançar de surpresa o vídeo de Formation e liberar a canção de forma gratuita e virando os EUA de cabeça pra baixo quando se apresentou no Super Bowl 50, ali tínhamos um “aperitivo” do que ela seguiria fazendo nessa nova era.

Vale frisar que, aqui ela leva todo um conceito a sério, da capa do disco à última música, passando pela forma de divulgação e o nome. O nome aliás, Lemonade, tem uma explicação pra lá de filosófica, militante e representativa: os negros escravizados, tomavam limonada acreditando que isso poderia clarear sua pele, em alguns lugares acredita-se que até nos dias de hoje essa ideia seja levada a sério, uma tentativa frustrada de fugir do racismo.

Em tempos que o preconceito racial ainda insiste em existir, tempos que a truculência policial, em especial a polícia americana, agride e por vezes mata negros, o sexto disco de Beyoncé torna-se uma forma concretizada de protesto.

 

É de se admirar aliás, a competência da cantora de ousar, de optar pelo que é diferente e por tentar sempre coisas novas. Além de toda a temática de protesto que envolve o trabalho, a cantora também se mostra honesta e verdadeira ao falar de problemas em seu relacionamento com Jay Z, com quem é casada desde 2008.

 

Ela testa sua voz em novos arranjos, como os usados excepcionalmente em Hold Up, segunda canção do disco, produzida pela mesmo em parceria com Diplo Ezra Koenig, com um fundo reggae a música é um dos primeiros e maiores destaques.

Beyoncé também faz “experimentos” em alguns estilos, como em Don’t Hurt Yourself, parceria com Jack White, uma canção com elementos de rock com bastante efeito em sua voz – o que não a desmerece – e em Daddy Lessons onde ela faz menções ao relacionamento com seu pai, em uma homenagem a sua terra natal, em um country nunca antes visto em sua longa discografia.

É também incorporado os estilos próprios de The Weeknd, com quem compôs, produziu e divide os vocais em uma das melhores canções 6 Inch e a força e militância de Kendrick Lamar na política – e também uma das melhores – Freedom.

O ponto mais fraco da tracklist vem em Love Drought, produzida e composta em parceria com Mike Dean e Ingrid Burley. Destaca-se ainda – positivamente – as canções Sandcastles, Forward (essa em parceria com James Blake) e a já conhecida – e agora oficializada como primeiro single – Formation, que por sua vez fecha o álbum.

Lemonade é tudo o que os quatro primeiros discos de Beyoncé queriam ser: forte, ousado, verdadeiro e honesto. É diferente, conceitual e agora dono de uma representatividade significativa, talvez – e muito provavelmente – será um disco a ser muito lembrado e respeitado atual e futuramente.

Cabe ainda ressaltar o envolvimento da cantora na produção e composição de cada uma das faixas, na produção executiva do disco e na produção, produção executiva, direção e escrita do filme que apresenta o álbum.

Nota: 95/100