Seria esse o enterro definitivo do Silverchair?

Pouca gente deve saber da existência dele, e poucos lembrarão que ele foi líder e mentor artístico de uma das principais bandas de rock da década de 90. Daniel Johns passou quase uma década sendo associado ao finado Kurt Cobain [Nirvana], não só pela semelhança física, mas também por ter “surgido” num período no qual a indústria fonográfica lutava para manter a chamada “geração Seatle”, o que parecia ser impossível, por conta da evasão de grupos que pareciam ter perdido as forças após o término trágico da banda do Kurt.

Em cinco álbuns, Daniel e seus parceiros Chris e Ben conseguiram transformar o Silverchair em banda de gente grande. Quem não se lembra desse hit?

 

 

Sem contar na grandiosidade que foi o quarto álbum – Diorama [2002]. Mas, após o quinto álbum, que foi lançado após uma pausa para projetos paralelos, os meninos decidiram por fim aos trabalhos da banda alegando não ver a banda na história que tinham construído.

Daniel-Johns-TalkAno passado [2015], o Daniel Johns assumiu um outro papel na história de sua música, e lançou sozinho o álbum Talk. Para a surpresas de muitos órfãos do Silverchair, que se depararam com beats, reverbs, wobbles e delays no lugar do som estrondante de guitarras e tudo o que o grunge trazia.

 

 

 

Durante todo o Talk, Daniel passeia entre os sintetizadores e falsetos, assim como implementa a guitarra aos sons das batidas mais eletrônicas. E apesar das letras óbvias e consideravelmente fracas – o que não é surpreendente dentro do mercado desse estilo musical – eu confesso estar curtindo o álbum, e me pergunto aonde eu estava que não tinha escutado ele antes!

 

 

Aos mais curiosos, digo que isso seria uma mistura entre: The Weeknd, Frank Ocean, D’Angelo e James Blake. É um álbum perfeitamente trabalhado, mas peca por não trazer uma identidade própria que fará a gente desassociar a imagem do cantor à de um ex-Silverchair, ou será que sim? Tire suas conclusões!