Marisa Monte: Uma coleção cheia de amor

Cada pessoa tem um jeito de terminar as coisas. Cada um tem o seu jeito de terminar uma relação seja amorosa ou profissional. Mas o que a Marisa Monte fez com o lançamento de Coleção foi um presente e de uma riqueza imensa. Pois bem, boa parte desse novo material da Marisa são canções gravadas e esquecidas no fundo do baú, já que muitos não foram lançados por aqui. São recortes da sua carreira e algumas lançadas em trilhas de documentários ou filmes. A hora chegou de juntar tudo isso em um só trabalho.

Coleção marca o final de um ciclo para a cantora. O encerramento da sua parceria com a Universal Music. Segundo Marisa esse deve ter sido o último disco dentro de uma grande gravadora. O formato de consumo de música mudou e ela corre para se adiantar nesse processo natural de investir por si só em suas próprias criações e produções.

Abrir o disco com uma composição de Caetano Veloso com parceria nos vocais de Rodrigo Amarante e Devendra Banhart é um tiro e um soco ao mesmo tempo. Eis Nu Com a Minha Música. Uma maravilha! Mas me digam pelo amor de Deus o que é a canção É Doce Morrer no Mar escrita por Dorival Caymmi e JORGE AMADO! Pra melhor ainda traz a estonteante Cesaria Evora numa parceria primorosa. É de chorar! Sério!

O disco é um desfile de grandes parcerias. Em Carinhoso tem Paulinho Viola. Em Alta Noite um dos seus maiores parceiros, Arnaldo Antunes, gravada em 1993! What!!!!!? Quando chega Ilusão é a vez da voz de Julieta Venegas. Não tá fácil superar.

Quer outra que não vai ser fácil ouvir e ficar sem esboçar nenhuma reação positiva? Esqueça, da trilha sonora do filme A Taça do Mundo é Nossa. Gravada em 2003 traz um arranjo tão singelo, simples, quase que uma canção de ninar. E tá incrivelmente elegante e sofisticada. Linda Marisa!

“dÁ-me, dÁ-me a tua boca, beija atÉ que eu fique louca…” fumando espero

Fumando Espero é outro ponto alto do disco. Uma delícia de música. Chega a ser brega do jeito que a gente gosta. Na sequência a gente vai para sua parceria com a Velha Guarda da Portela. Uma parceria de tantos e tantos carnavais. Volta, meu amor começa com um sambinha que parece ser acompanhado com um batuque numa caixinha de fósforo, até que o cavaquinho e as vozes masculinas e femininas da Escola mostram suas potências e a faixa cresce!

Não tá bom pra você? Vem Water of March para encerrar o disco. Uma parceria entre Marisa e o David Byrne gravada pelos dois em 1996 para um projeto social.  A mistura de versos cantados em inglês e em português te faz viajar na música. Tá uma coisa de louco. Obrigado Marisa por compartilhar com a gente essas obras primas!

Muiiiito amor…. mas….

Uma pena: Marisa já anunciou que não terá turnê desse disco. Se tivesse….

Nota: 90/100

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