Meghan Trainor no razoável segundo disco

Vamos fazer uma “mini-retrospectiva”: voltemos à 2014 e relembremos dos grandes hits daquele ano, não há como deixar de lembrar da pegajosa e persistente All About The Bass, da na época novata, Meghan Trainor.

A música virou um verdadeiro clássico e porque não um  hino, já que se tornou tema para muitos na aceitação de seus corpos, inspirou muita gente ao declarar sua auto valorização, seu amor próprio, independente do nível de qualidade da música, contestável por muitos.

Ela ainda tinha alguns outros singles que fizeram sucesso pelos EUA, extraídos do seu primeiro disco Title, que não foi nenhum clássico da música pop e que hoje, se torna esquecível. Prova disso é que, essa semana Meghan lança seu segundo disco, Thank You, o segundo em pouco mais de um ano, mas ainda assim não dá aquela sensação de que é muito de Meghan Trainor em pouco tempo.

Em seu novo álbum, a cantora faz algumas experimentações, testa algumas sonoridades “novas”, como alguma pegada de Urban, R&B e uma alta dosagem de música pop do fim da década de 90 e início dos anos 2000 – aquele pop que temos uma saudade, sabe? Mas que no fim dos resultados não funciona muito bem.

Ela começa muito bem com Watch Me Do, mediana, a canção é um bom começo, nada que surpreenda, nada que decepcione, na sequência o atual single, Me Too, uma declaração de amor próprio, um pop de classe, bem produzida, bem escrita, a melhor do disco – embora tenha ganhado um videoclipe bem ruim – e em seguida vamos a já hit, No, que ganhou aqui uma review.

Agora uma mais lenta, pra quebrar um bom começo: Better sua parceria com Yo Gotti, uma mistura de música pop, com um reggaeton, mesmo mediana tem tudo pra fazer um determinado sucesso. Em Hopeless Romantic, Meghan tem tudo pra funcionar bem, mas talvez se a música fosse deixada mais pro final do disco, funcionasse melhor.

A gente já tá sabendo bem que Meghan Trainor se ama e isso é bom pra qualquer pessoa, mas ela gosta de deixar bem claro, como em mais uma faixa de declaração a si mesma, I Love Me, embora seja uma boa faixa. Agora mais uma música lenta: Kindly Calm Down. Funciona bem, sozinha, nesse contexto do disco, absolutamente não.

Em sua tomada mais Urban/R&B, a moça aposta em Woman Up, uma boa faixa, animada, dançante, radiofônica. Just A Friend To You mais parece uma música aleatória que ela jogou no meio do disco, para na sequência animar com I Won’t Let You Down.

Dance Like Yo Daddy: improvável, dispensável, uma mistura de tudo que ela quer fazer de novo com o que ela já fazia. Champange Problems tem um começo chato, mas que cresce.

Agora uma especial: Mom. Sua parceria com sua mãe, Kelli Trainor, é uma faixa pessoal, íntima e grande. Grande música! Outra grande faixa é Friends, nessas duas assim como a última Thank You, Meghan parece se focar em outro sentido pro disco, se foca em si mesma mas desta vez em seus sentimentos com relação a outras pessoas.

O disco em si é bem regular, não surpreenderá quase ninguém, mas também não decepcionará, se torna muito desgastante contando com o fato de que não parece ter um foco, não parece coeso, talvez uma mexida na ordem das faixas o tornaria um pouquinho melhor.

Podia ser melhor, Meghan.

Nota: 55/100

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