Canções de Exílio para exilados atentos!

Quando escrevemos sobre o trabalho incrível do Jay Vaquer em setembro do ano passado, afirmamos que o som dele definitivamente não é para qualquer um. E após termos escutado o novo álbum dele – Canções de Exílio, podemos reafirmar isso com toda a certeza do mundo!

Canções de Exílio vinha sido “desenhado” há certo tempo, mas o Jay é primoroso e não lançaria algo pelas coxas, por isso esperou a hora certa e reuniu um time espetacular para o desenrolar do mesmo. Como Lucas SIlveira, Moogie Canaio, Jane Duboc, Megh Stock, e outros.

Na arte do álbum, temos a obra da maquiadora Sabrina Sann e do fotógrafo Renato Pagliatti, que deram cara ao alter ego encarnado: Dominus Poscriptu (Senhor Exilado em Latim). Sobre o nome do álbum, deduzimos que tenha a ver com a delonga do Jay para lançá-lo. Vamos escutar para entendê-lo!

Prontos?

A abertura é feita maravilhosamente com Quantos Tantos. Nela, Jay chega com a língua ainda afiada, e critica a nossa alta necessidade de expor uma vida bela (em todos os sentidos da palava) nas redes sociais.

“Muito mais importante exibir a vida que viver.”

Rapidamente, Tudo Que Não Era Esgoto entra e continua na pegada Jay Vaquer de ser. Não entendeu? Verdade espalhada como o fedor de um esgoto! A canção seria mais calma, não fosse o ar tenso e as palavras cortantes sussurradas por ele. E com certeza, ele fará tudo o que não é esgoto feder se a canção cair nos ouvidos certos.

A terceira faixa é a que mais se aproxima do nome do álbum em si – Canção de Exílio Domiciliar. O título é auto-explicativo, né? Soa como outras canções já compostas pelo Jay, o que é ótimo. Mas se preparem, o exílio nos torna ferinos.

“Pouco assim, e era o tanto que eu podia oferecer se eu pudesse ser quem sou.”

Boneco de Vodu é mais um clássico! Descarta qualquer interpretação escrita por mim aqui. Só tenho uma coisa a falar: quero ver isso ao vivo!

O clima mais eletrônico chega de forma bem sútil na introdução de Outrora, e logo ele entoa:

“Não sei dizer se outrora foi tão melhor, quem diz daqui já não quer quem estava lá.”

Mais uma composição que remete à outras já embaladas pela voz macia do Vaquer, mas vindo dele nunca será demais, só queremos mais.

“Derrapei ao tentar controlar a vida passando, a vida passando por mim.”

A mãezona dele (Jane Duboc) aparece nos backing vocals de Possibilidade e dá mais delicadeza ao álbum. Ainda num eletropop mas minimalista, ele aborda o corpo à sua maneira, e deixa aberto às interpretações. Faça a sua!

O clima é quebrado com a chegada de Como Quem Nada Quer, isso porque ele volta cortar com sua língua.

“Pro idiota idiotizado idiotizante idiotizando como quem não quer nada”

A verdade é que, essa será mais uma faixa que ficará bem melhor e maior ao vivo. Se ainda não viram o Vaquer ao vivo, vocês precisam correr para algum dos shows, especialmente se for de lançamento do álbum, pois com certeza ele virá com muita sede!

E aos teimosos, um tema: Hematomas da Teima

Com a letra dessa música, Jay propõe uma reflexão ao trazer calmaria em seus arranjos. Exaltando a mensagem de forma única e crucial, essa merece ser escutada com toda a atenção. Quem não teima? Quem não peca? Quem não se crucifica ao ser crucificado? Quem nunca? E as consequências, quem as encara de forma devida?

“Não espero pelas voltas que o mundo dá se posso dar a volta no mundo até encontrar…”

Antes de escutarem a penúltima faixa, corram para a canção Estrela de um Céu Nublado, lá do álbum Formidável Mundo Cão, onde o Jay fez uma narrativa musical impecável com a Megh Stock. Só assim vocês a entenderão! Mas calma, ele explicou tudo em sua página do Facebook:

“Hoje postei pelo Instagram (e no perfil 1 do FB) a partitura da introdução de “Legítima Defesa” (Faixa que é sequência de “Estrela de um ceu nublado” e que conta com a participação especial de Megh Stock). Já havia falado sobre essa faixa muitas vezes. Recentemente, escrevi sobre a questão da presidente mencionada (que quando eu for cantar, já será “do” presidente).Falei que uso a faixa num plano mais fantástico para espetar diversos aspectos de meu metiê. Que esse é o grande propósito da canção.Falei que já existem mais dois episódios dessa “saga”.Pra minha surpresa, muitas pessoas reagiram como se só agora tivessem tomado conhecimento da existência dessa faixa. Isso me deixa feliz pq quase todos ficaram bem animados.( Teve um que já não gostou nada desse negócio.Achou “previsível demais” ter uma sequência..kkk.. que é “mais do mesmo”..kkk.. e escreveu isso em meu perfil..Maluco fica sem louça pra lavar…) Feliz tb pq é sinal de que a Mundiça “potencialmente interessada” é ainda maior. E fico chateado pela comprovação da ineficácia de meus avisos..kkk…Pífia divulgação… Tiros de chumbinho na guerra nuclear…”

Por fim, Baudaluv:

“Tudo o que me importa, inspira e conforta.”

Preciso falar mais alguma coisa? Tudo a ver, né?

É, queridos, esse é o Jay Vaquer de sempre. Afiado, talentoso, exilado e sábio. Que bom ter alguém assim em meio à tantos outros com tantas outras abordagens. Que bom ter você de volta, Jay! Obrigado.

80/100

Sobre o cara:

Não é pra qualquer um!

 

Sobre o álbum:

http://jvaquer.com.br/loja/