Fifth Harmony fica entre o fofo e o atrevido em 7/27

Ah queridas Fifth Harmony. Quando todos pensaram que a banda seria aqueles artistas de um hit só com Worth It elas lançaram Work From Home (fizemos review aqui) como lead single do novo disco, que apesar de não ser aquela maravilha conseguiu ser o primeiro top 5 de uma girlband na Billboard em 10 anos (o top 5 nos States estava em jejum de girlbands desde Buttons das Pussycat Dolls em 2006)

Fifth Harmony (2016) e Pussycat Dolls (2006) - duas girlbands agora conectadas pela história dos charts
Fifth Harmony (2016) e Pussycat Dolls (2006) – duas girlbands agora conectadas pela história dos charts

Só que ao contrario do grupo de Scherzinger, Fifth Harmony dividiu bem os vocais neste segundo álbum. Ainda que Camila ganhe a maior parte dos solos, fato que chega a incomodar alguns fãs e até não tão fãs do grupo!

Outra coisa bem dividida aqui são os teores das canções. Ora você tem canções de teor atrevido e sensual, mesmo que com metáforas como em Work From Home, ora você tem as meninas mostrando seu lado mais sensível e vulnerável como na baladinha No Way e ora você tem músicas de apoio e empoderamento feminino como That’s My Girl, que abre o disco. Esta aliás, uma das mais potentes e significantes, com um saxofone excitante e um uso notável de auto-tune no refrão.

Dope, Squeeze Gonna Get Better são daquelas que você dificilmente ouvirá uma segunda vez se não for fã ferrenho do quinteto. Simplesmente não vale a pena o esforço.

Ally me representando ao tentar ouvir algumas músicas
Ally me representando ao tentar ouvir algumas músicas do 7/27

Write On Me por outro lado, outra do grupo da sensibilidade, deve ser bem notada. “Everything is blank until you draw me .Touching on my body like you know me” (Tudo era branco até você me desenhar. Tocando meu corpo como se me conhecesse) cantam as meninas no pré-refrão. Frases que ilustram bem uma crítica que as 5th Harmony devem receber com certa frequência: de que são fabricadas, manufaturadas. Crítica bem fundamentada se você ver que de todas as faixas do álbum elas só co-escreveram uma: All In My Head.

All In My Head, dance e tropical, é o segundo single oficial e tem participação de Fetty Wap (sim, aquele de Trap Queen ). Segundo single seguido com participação de rapper. Não é um pouco irônico que em um grupo com 5 vocalistas que cantam sobre empoderamento feminino elas dependam da influência (seja de estilo musical ou de público) de rappers masculinos pra alavancar seu sucesso? “Time to impress” (Hora de impressionar) deixam claro no refrão. Mas a questão é que, ao contrário da sua girlband britânica análoga, Little Mix, Fifth Harmony tem que decidir a quem impressionar. Apreciadores de uma pegada mais urban que ouvem a canção apenas por ser um hit do momento e nem sequer sabe o nome de uma integrante? Fãs de música pop pura? Adolescentes e pré-adolescentes que vêem nelas um reflexo de como querem ser?

Uma ressalva pra Not That Kinda Girl que tem participação de Missy Elliott, cuja aparição reforça a ideia de respeito e preservação da auto-estima da canção.

Se as cinco quiserem permanecer nessa cruel e tendenciosa indústria fonográfica no logo prazo como grupo é bom que comecem a definir melhor seu público e tomem as rédeas da própria carreira bem rápido. Mas, pelo menos por enquanto o que elas estão fazendo está funcionando. Aguardemos os próximos capítulos.

Faixas que você deve ouvir senão estará perdendo tempo de vida: That’s My Girl, Write On Me, Not That Kinda Girl

Veredicto: 55/100