A tão almejada carreira internacional…

A gente vive em um país rico – podre de rico – em cultura e isso não deve ser novidade para ninguém – ou pelo menos não deveria, até porque são incontáveis as vezes que abordamos esse ponto aqui em nossos textos, em nossas postagens.

São muitos os artistas que literalmente explodem em nossas paradas de sucesso, alçando vôos cada vez mais altos e inimagináveis, a essa altura é mais do que normal pensar em expandir as fronteiras de seu sucesso, tentando alguma chance fora do país.

Para muitos então, é imprescindível explorar outro idioma, outros ritmos e tentar alguma chance com novos produtores, e claro: ter um empresário dos bons que consiga bons trabalhos, os investimentos na carreira vêm, as chances surgem e uma possível nova carreira internacional está prestes a acontecer.

Digamos que sempre há grandes artistas brasileiros que vão lá fora tentar sua carreira internacional, porém até hoje pouquíssimos conseguiram, cantando em inglês.

Pois é, por incrível que pareça, ao tempo que nossos artistas da nossa música pop, investem em um inglês (muitas vezes de qualidade duvidosa), são artistas brasileiros que carregam a nossa cultura em suas “vísceras artísticas” que mais fazem sucesso lá fora.

Prova disso é vermos artistas como Cláudia Leitte, que há meses anunciou uma parceria com a Roc Nation (A gravadora do Jay Z), mas após algumas tentativas em singles de outros idiomas, ainda não aconteceu, e no caminho inverso, a Céu que vendeu mais de 100 000 cópias de seu disco (autoral) Vagarosa de 2009, somente nos Estados Unidos.

Sandy & Junior tiveram também sua experiência nessa empreitada: em 2002 lançavam o disco Internacional, aguardado com grande expectativa, fracassou vertiginosamente em vendas e em receptividade do público alvo. O sucesso só foi garantido, adivinhem, aqui no Brasil!

A carioca Anitta é a mais nova a explorar esse meio, essa semana ela esteve em uma conferência onde foi apresentada oficialmente à imprensa internacional e ainda teve duas música em inglês vazadas na internet. Sem querer discutir a qualidade pra lá de questionável das canções, mas já discutindo, é notável que ainda falta algo a cantora.

Bandas como a Cansei de Ser Sexy Sepultura são casos raros: ao que foram criadas no Brasil, mostraram um som diferenciado em um mercado para o público estrangeiro em nichos exclusivos, atingindo assim um sucesso considerável – ou imenso sucesso exclusivamente no caso do Sepultura.

Por mais que os artistas tentem se encaixar em um molde internacional, sua identidade é perdida fazendo deles só mais um naquela imensidão de artistas que todos os dias tentam acessar o mercado internacional (lê-se americano).

Acredito que os americanos por mais repetitivos que sejam, só “abrem suas portas” pra alguém de fora que mostre algo diferente. É irônico e evidente quando reparamos nos exemplos acima, quando vemos que justamente uma cantora cantando em português consegue o feito que tantas outras tentaram cantando em inglês e tentando se encaixar naquele molde já existente (algumas vezes ruim, digamos).