A época do Emo

Não há quem viveu na primeira metade dos anos 2000, principalmente sua adolescência e não se lembre dos Emos.

Inspirados por todo um movimento musical, o Emocore, jovens de todos lugares mudavam seus estilos de vida, roupas e costumes em prol de todo um segmento que dominava todos os âmbitos. Os cabelos lisos na chapinha, uma maquiagem pesada, roupas pretas – aliás, tudo preto – e canções que não tinham outra intenção se não sofrer.

Toda essa revolução ainda ganhava um gás com a explosão da internet no país, com mais adolescentes com o acesso mais popular a cultura emo ficava, nesse mundo até então pouco explorado começávamos a ter acesso a novos nomes, novos projetos e novas gravadoras. Os blogs, fotologs e a explosão do Orkut (a primeira rede social de fato funcional) contribuíram também para a troca de experiências pessoais e consequentemente na divulgação de músicas e artistas.

Helena: hit do My Chemical Romance era um dos símbolos da época
Helena: hit do My Chemical Romance era um dos símbolos da época

O emocore, estilo musical que inspirou toda essa geração, tinha em suas músicas, letras que falavam de solidão, corações partidos e sentimentos frustrados. Era legal carregar uma vibe triste, um sentimento tão pesado que só era expressado pela música.

E como a música era inspiradora, talvez não tenha surgido uma época, desde então, que tenha tocado e inspirado tão profundamente uma verdadeira legião de fãs, porque não se era apenas fã de uma banda ou artista, se era fã de todo um movimento, vestindo-se e agindo de acordo e principalmente vivendo a música.

Anos depois o emo foi caindo no esquecimento, tendo um “revival” com uma série de bandas coloridas e animadinhas que, nada mais que prestavam um desserviço ao movimento – e venhamos e convenhamos, nunca chegaram aos pés do verdadeiro emo!

Há de lembrar inclusive, as inúmeras bandas e nomes solos que emergiram ao mainstream de forma explosiva, dentre eles My Chemical Romance, Fresno, NX Zero e Panic At The Disco!, dentre tantos outros.

Houveram ainda as generalizações do movimento, onde se tinham a ideia de que os jovens fãs do gênero tinham alguns transtornos psicológico, como depressão, tendências a suicídio e etc. Outro ponto bem complicado era a associação do emo a homofobia, da qual os emos sempre sofreram, independente de sua sexualidade.

Por mais “estranho” ou diferente que possa parecer, emos encontraram um meio de se expor e contar suas verdades sobre o que sentiam através da música, e através da mesma encontraram algum sentido, se tivéssemos um manual dizendo para que a música serve, provavelmente encontraríamos funcionalidades como essas.

 

Fonte da imagem de destaque: deviantart.com