O sofisticado som de Buika!

E numa tarde ensolarada e tranquila, me peguei escutando um dos sons mais sofisticados e inspiradores do mundo. Com vocês: Buika

Poucos a conhecem, mas a María Concepción Balboa Buika – ou Concha Buika – é uma cantora espanhola filha de refugiados políticos da Guiné Equatorial e foi criada em um bairro cigano na ilha de Maiorca. E para quem já está desdenhando, só me resta dizer que ela é comparada a cantoras como Nina Simone, Billy Holliday, Edith Piaf e Cesária Évora, que ela já esteve entre nominados do Grammy Awards. A coisa é fina!

Seu som é uma mistura de tudo o que há de bom no meio da música. Nele encontramos pop, flamenco, jazz, soul e ritmos africanos em sua maior variedade. Ao todo, são oito álbuns para que a gente escute na companhia de boas taças de vinho.

Buika-que-faz-questão-de-exaltar-a-África-Foto-Javi-Rojo-Além de cantora, compositora e produtora musical, ela se aventura no mundo dos poemas  – foram dois livros lançados –, no cinema (ela está preparando um filme baseado em um de seus poemas – From Sollitude To Hell), em novelas, ópera, e também numa exibição de suas fotografias e trabalhos de seu filho.

Entre suas colaborações, estão artistas como: Chik Corea, Niño Josele, Bebo y Chuco Vales, Luz Casal, Nelly Furtado, Javier Limon e outros. E aparece em trilhas de filmes também, como em A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar.

A cantora teve uma infância marcada pela enorme vontade de cantar, e encontrou em Tina Turner sua maior inspiração. Foi para os Estados Unidos, mesmo sem dominar o Inglês, para participar de uma audição na qual teria a chance de interpretar a cantora americana. Foi escolhida, acredita ela, pela perseverança e pelo fato de ver em Tina um conforto e motivação para ultrapassar a barreira da intimidada que sofria pelo fato de ter crescido negra diante de todo o padrão caucasiano de beleza predominante na Espanha.

Atualmente, ela se recusa a sintetizar sua obra e diz que esta singularidade vem das origens estabelecidas na África.

5cd9f8eb3636025c51453b1741f90544 “Minha ascendência africana está no meu sangue, na minha pele, cabelo, em tudo. Sem ela eu não sei se seria possível cantar do jeito que canto e compreender a música da mesma forma.” – disse ela em entrevista a concedida à BBC África.

Sua simpatia e talento são marca de sua personalidade, sua beleza é singular, seu estilo é impecável e inquestionável. E como uma ode a liberdade, seu som me inspirou e deixou a minha tarde ainda mais bonita. Espero que vocês também consigam desfrutar de tal sentimento ao escutá-la.