Tudo que o Blonde, novo disco de Frank Ocean, é.

Em 2012 teve alguém que marcava o cenário musical com sua arte e diferencial em um disco que virava sensação e trazia um pouco do que já ouvíamos em outros discos. Frank Ocean estreava naquele ano com seu primeiro disco, Channel Orange e chamava a atenção de fãs, crítica e ainda mudava um pouco os rumos do R&B americano.

Aquele disco trazia tonalidades e sonoridades com poucas diferenças, é verdade, mas que de certa forma “temperou” os rumos do estilo daí pra frente. Sua vida pessoal também influenciava: na mesma época o cantor se assumia bissexual, recebendo assim um apoio a mais de uma comunidade e criando até inimizades que nem valem a pena mencionar.

Desde então o status de Frank na música, perante ao público e principalmente (por que não) perante a seus colegas de trabalho, só tem melhorado e cada vez mais fazendo do cantor um nome importante.

Esperamos então quase que angustiantemente seu novo trabalho, algo que superasse e reafirmasse seu posto na música, então a novela “Novo Disco Do Frank Ocean” se iniciava e parecia não ter mais fim, todo mês e toda semana alguém, algum site, algum veículo que seja, afirmava uma nova data.

Mas aí essa semana, ele não só surpreendeu como inovou com seu(s) novo(s) trabalho(s). Sim, esperamos tanto, cobramos tanto que o cantor foi lá e nos entregou logo dois discos, Endless Blonde. Enquanto Endless é um projeto visual, Blonde é de fato seu novo disco. Os dois se completam ao mesmo tempo que se divergem.

Todo o conceito ainda acompanha um projeto editorial, a revista Boys Don’t Cry (que até então era o título do novo disco) que em seu conteúdo, além dos créditos devidos do disco, conta com uma versão de Blonde com cinco músicas a menos, fotos e relatos pessoais.

Nos créditos ainda, uma lista de dar inveja:

frankoceanscredits

Você pode ouvir o disco de um cantor iniciante que é o Frank e ao mesmo tempo ter aquela sensação de estar ouvindo algo de um artista com décadas de estrada. A maturidade de sentimentos e experiências são entregues de forma única e grandiosa.

Nikes é a música de início e o single que promove o disco, carregado no auto-tune mas de forma a criticá-lo, Frank é crítico e direto. Ivy cria uma atmosfera única e uma identidade ao trabalho. Em Pink + White a faixa mais interessante: Beyoncé retribui as parcerias de Frank e contribui com sua voz ao fundo, de forma discreta.

Be Yourself é mais um intervalo, mas é a que carrega a mensagem mais forte, onde a mãe de Frank manda um recado e que no fim serve pra encorajar a todos nós. Vale muito a pena dar uma atenção à mesma. Outras faixas interessantes e grandes: a crua Solo, Self ControlNights (uma das melhores faixas), Godspeed e até a longa e última Futura Free.

Tudo o que o Blonde é: um disco maduro, cheio de nuances e pessoal. Não há aqui brechas para que as pessoas sentem, ouçam e tentem fazer suas análises com base em seus gostos pessoais. O disco é o que é, e isso o torna incrivelmente agradável, curioso, diferente e grande.

Nota: 85/100

Vale a pena ainda conferir esse vídeo pra ter uma ideia de como é a revista Boys Don’t Cry.

E mais: todo o conteúdo está exclusivamente disponível na Apple Music.

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