O que estamos esperando?

Toda vez que um grande artista revela que vai gravar um álbum novo, cria-se uma expectativa em cima dessa gravação que acaba prejudicando o trabalho desse artista. Eu, por exemplo, fico super ansioso ao ponto de recorrer a toda discografia desse artista e escutá-la até que o novo material seja lançado.

O resultado nem sempre vem como estávamos esperando, e logo criamos uma sequência de desaforos e até mesmo rejeição – em casos mais graves. Mas qual seria o motivo desse espanto? O que realmente estamos esperando?

O que me fez escrever sobre isso foi a expectativa em cima do novo álbum da Britney. Percebo que há uma espera das pessoas quanto aos álbuns lançados por ela que é muito entendível, por se tratar de uma artista com o peso dela dentro da história da música e mercado mundial, mas todos sabemos de suas limitações, e até mesmo de tudo o que ela já passou em sua carreira. E continuamos esperando que ela faça algo “surreal”, mesmo sabendo que isso não vai mais rolar, se é que já rolou.

A verdade é que qualquer coisa feita hoje em dia, tem que contar muito com a sorte de a maioria das pessoas estarem “num dia bom” quando for lançada. Dificilmente algo soará realmente bom e agradável a todos os ouvidos. E, cá pra nós, hoje em dia está muito difícil alguém surpreender de verdade. Falo isso porque há anos atrás, grandes artistas contavam com sua voz e uma gravação que nem se comparava aos aparatos encontrados nos estúdios atuais, e isso era genial!

O avanço tecnológico e fácil acesso as músicas, inclusive antes do real lançamento, fez com que as músicas ficassem mais descartáveis. Se antigamente tínhamos a Billie Holliday expondo seus sofrimentos em suas músicas, tínhamos o Michael Jackson inovando em seus videoclipes, tínhamos também uma Elis Regina encantando a todos com sua afinação e um punhado de artistas que tomavam a frente de protestos sociopolíticos, hoje em dia temos uma Mariah que já não choca uma maioria com seus agudos, uma rainha que já não consegue inovar e uma Britney que consegue
fazer sucesso como cantora mesmo sem cantar. Mas se pararmos pra pensar, todos os artistas atuais, chegaram sim aos pés dos mais antigos, a diferença está no timing.

Alguns podem até fazer mais sucesso que outros, estrondosos até, como a Beyoncé e a Rihanna. Mas isso é um mérito só delas. Suas músicas são bem produzidas e suas vozes se encaixam perfeitamente nelas. Mas de novo, não temos nada. Não temos rei e nem rainha de inovação. Nem teremos.

Por isso, vamos parar de criar tanta expectativa e vamos curtir mais o que é lançado, para que esses artistas não tratem suas músicas apenas como produtos descartáveis. Eles já não vivenciam o que produzem, é como se não fossem inspirados por nada/ninguém em sua criação, e a gente acaba desvalorizando os que realmente colocam suas almas em suas produções, como talvez eu esteja fazendo agora. Que deixemos a música nos inspirar de verdade!