AIM: O último disco de M.I.A.

Lá em 2007 quando lançava seu segundo disco, o KalaM.I.A. já falava sobre aquele ser seu último disco, porém aparentemente o sucesso repentino da canção Paper Planes a fez mudar de ideia.

De lá pra cá foram mais três discos lançados, incluindo o inédito e recém-lançado (lançado hoje pra ser mais preciso) AIM, desta vez ela bateu o martelo, reafirmou ser esse seu último disco. Ela agora se dedicará a outros trabalhos e a outras coisas, ainda lançará músicas novas – talvez aos moldes de suas já tradicionais mixtapes ou algo parecido com o EP Matahdatah Scroll 01 “Broader Than A Border” – mas não quer mais se dedicar a um disco.

Compreensível, visto que há a anos ela trava verdadeiras batalhas com sua gravadora que não a respeita, adiando lançamentos, cancelando outros, mudando datas de álbuns e etc.

Implicitamente ou até involuntariamente, M.I.A. chega com esse novo disco nos questionando sobre o que realmente é atingir o sucesso. Sim, pois seus lançamentos sempre causam pela internet, suas opiniões e atitudes sejam elas quais forem, sempre chamam a atenção de um grande público e ainda tem seus fãs cativos, mas ainda assim ela não atinge lugares de prestígio em charts pelo mundo e continua levemente boicotada pelas rádios.

O que é sucesso então? Ela não faz sucesso? É importante e imprescindível fazer sucesso? São questões que me vem à cabeça ao ouvir esse relativo e  inevitável fim de sua discografia.

Falando especificamente do AIM, ele soa como  um “disco que reflete um outro lado dela, um lado feliz e sem tantas reclamações”, como ela mesma diz do álbum, o nome e a arte de todo o disco ainda fazem inúmeras referências e críticas consistentes, como você pode ver na explicação dada pela página M.I.A. Brasil no Facebook.

Aqui encontramos referências a diversos estilos, misturas de sonoridades diferentes e inimagináveis que só M.I.A. consegue fazer direito. Ouvimos um dancehall ao fundo como na ótima Finally, uma empreitada com um pé na música pop em Freedun parceria inusitada com o Zayn, as críticas que ela sempre faz aparece, por exemplo, na excepcional e INCRÍVEL Borders, que dispensa qualquer apresentação.

Outros destaques: A.M.P. (All My People), Visa, Fly Pirate, Go Off e Bird Song. DiploBlaqstarrSkrillexPollow Da Don e ainda o brasileiro Leo Just são creditados entre os produtores das faixas.

M.I.A. nunca fez nada sem motivos, de qualquer jeito e sem inspiração, a prova disso está aqui, em seu mais novo álbum.

Nota: 85/100

Ouça: