Subestimados part2: Ciara, Jazmine Sullivan e Kelly Rowland

Na nossa segunda parte da série, vamos questionar do porquê do mercado fonográfico ser tão estreito para essas artistas que, de talento transbordando, ainda se mantém nas sombras de outros sucessos e ainda vivem do que conquistaram no passado.

Ser mulher em qualquer cenário, em qualquer profissão, é difícil, nós reconhecemos isso. Quando além de mulher se é negra, é ainda pior. Gostaríamos de não levar essa discussão para o lado do ativismo, do assistentencialismo, porém ainda em 2016 é preciso reconhecer e lembrar todos quando há posições de privilégio para alguns e injustiças por coisas absurdas para outros.

Pensem em quantas mulheres negras hoje fazem sucesso. Curioso, não? Curioso ainda quando comparamos com o número de artistas brancos na posição inversa.

ciara

ciara

Quando em 2005 ela conseguia lançar seu primeiro single e primeiro disco, logo ela viraria uma sensação. Ao todo, foram 3 singles de grande sucesso naquela época, além de suas parcerias com Missy Elliott Bow Wow e ainda as vendas satisfatórias de seu disco de estreia. O tempo foi passando e sua carreira foi em um declínio sem fim.

Chegou a ganhar o título de Mulher do Ano pela Billboard em 2008 e alguns outros prêmios e reconhecimentos na época, mas daí em diante passou a ser boicotada pela gravadora, trocou, não deu certo e rompeu seu contrato novamente. Bancou vídeos e pequenas turnês do próprio bolso se quisesse continuar na ativa, teve ótimos singles desperdiçados e ótimas chances passadas para trás – além de ter toda uma história midiática envolvendo seu nome e tentando desconstruir sua imagem.

Presença de palco ela tem, talento para cantar e compor também e sabe ser uma entertainer como poucas hoje em dia, então o que falta para Ciara voltar ao lugar do sucesso? Talvez uma atenção maior do público e crítica ou ainda uma equipe melhor – enquanto isso ela vai assinando contratos como modelo.

jazmine sullivan

Jazmine Sullivan

Assim como Ciara, outra pupila de Missy Elliott. Despontou em 2008 com um disco que misturava o R&B clássico e contemporâneo à época, logo se tornava a queridinha de críticos e a possível revelação do ano.

Recebeu ao longo de sua carreira 11 indicações ao Grammy (incluindo Artista Revelação em 2009), também passou pelo fardo de ter que trocar de gravadora pra se tornar livre. O tamanho descaso ou subestimação com a cantora já foi caso de inúmeras comparações à Adele, por exemplo, ao que se levanta que, se as duas compõem suas próprias músicas, têm quase os mesmo alcances vocais, tem letras fortes e honestas, porque só uma faz tamanho sucesso e a outra é completamente esquecida?

kelly rowland

kellyrowland

A mais experiente aqui, também cai no esquecimento. Kelly Rowland é uma das responsáveis pela música R&B do fim da década de 1990 e boa parte dos anos 2000, sendo integrante de uma das maiores girlbands do planeta, caiu em demasiado esquecimento quando seguiu em carreira solo.

É verdade que teve bons êxitos em carreira solo, porém mesmo assim tendo que trocar de equipe, empresário, gravadora e até seu próprio estilo de fazer música. Seu talento e carisma são inquestionáveis, em seu currículo boas canções e algumas outras que poderiam ter se tornado grandes hits, mas ainda assim o que transparece é a insensata sensação de que lhe falta algo, quando na verdade não lhe falta absolutamente nada.


A maior verdade de todas é: o mundo subestima a mulher negra. Enquanto temos somente RihannaBeyoncé Nicki Minaj sendo lembradas e bem sucedidas, outras tantas mulheres negras são negligenciadas, e se sobressaem, são constantemente comparadas às três.

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E a lista poderia ser bem maior, não citamos BrandyAshanti, por exemplo, que já experimentaram bem o sucesso tempos atrás e hoje andam “sumidas”, ou ainda Janet Jackson Missy Eliott, que além de tudo sentem o peso da idade e do fato dos anos pesarem. Keyshia ColeSolangeCassieKelis Angel Haze são outras das quais não poderíamos deixar de esquecer – isso sem contar as artistas que estão começando agora.