O mediano segundo disco de Ludmilla

Ludmilla começou do absoluto nada e hoje é uma das maiores expressões de nossa música pop. Em poucos anos ela deu um salto de vida e carreira que muitos outros artistas levaram anos e tantos outros nunca conseguiram. Antes apelidada de “Mc Beyoncé”, hoje está esbanjando uma carreira invejável, isso que é um agenciamento eficiente.

Hoje então chegou às lojas de todo o país a continuação de todo esse investimento em sua vida profissional: o disco A Danada Sou Eu. O disco é mais uma empreitada de firmar o nome da cantora no cenário nacional da música pop, o que não será difícil.

Logo de cara ela passa sua mensagem, o que ela quer e pretende com seu atual trabalho, em Cheguei uma mistura de funk carioca e música eletrônica, o que não é nenhuma novidade, Ludmilla soa um pouco fora de ritmo mas a música é empolgante.

O carro-chefe do disco é a música É Bom, que na verdade não é nenhum pouco boa, sua voz é pouquíssimo trabalhada, os arranjos fracos e a mensagem da música é aquela mesma de sempre. Uma opção a má escolha como single seria Sou Eu, é radiofônica, pegajosa, bem produzida e sim, boa!

Em Desapega Ludmilla consegue a proeza de falar mais do mesmo, de repetir tudo o que diz em todas suas músicas mas ainda assim fazer algo bem pop, que cairá no gosto popular e ainda pode ser taxada de boa. Anunciada como grande destaque, a parceria com Jeremih é bem construída mas ainda assim ineficiente, em descompasso, fora de sintonia.

O título de melhor canção poderia ser muito bem dado a sexta faixa do disco, Tá Tudo Errado, a de pior provavelmente iria para Modo Avião. Em Abusa provavelmente podemos ver uma direção diferente a carreira e discografia de Ludmilla, é aqui que ela tenta algo diferente – mesmo lembrando outros hits por aí.

Outro destaque, mais ainda pela mudança de direção no que ela sempre diz, é na música Espelho, na seguinte ela é acompanhada pelo sertanejo Gusttavo Lima na terrível e esquecível Homem é Homem. Pegada é uma ótima faixa, vale a pena ser trabalhada futuramente.

Em Abstinência finalmente uma parceria que deu certo, ao lado de Filipe Ret eles entregam algo satisfatório. Nunca Me Verá Chorar é clichê, mas é algo que deu certo, uma balada que combinou bem com a mais agitada que vem em seguida, Caça e Caçador, as canções se entendem, poderia ser algo melhor explorado em todo o álbum. A ‘normal’ Tô Querendo Mais e a desgastante Duas Doses de Saudade encerram um contraditório disco.

A gente sabe: um segundo disco é dotado de provações e expectativas que servem apenas pra provar se aquele talento foi ou não só um sucesso passageiro. Esse segundo disco da Ludmilla é a afirmação de que ela definitivamente não é passageira, porém, praticamente tudo aqui poderia ser bem melhor.

É possível gravar um disco inteiro falando basicamente das mesmas coisas, o que Ludmilla fez aqui, mas é cansativo quando se fala da mesma coisa se utilizando das mesmas expressões, o que ela também fez aqui, a sensação é de ouvir as mesmas coisas.

O disco tem faixas ótimas, mas falta muito pra ser taxado como um ótimo disco. Lud, tenta na próxima.

Nota: 50/100

 

 

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