Alicia Keys crua e despida em ‘Here’

Foi um intervalo de quatro anos, entre o lançamento de seu último disco, Girl On Fire, e essa última sexta-feira (04) quando finalmente chegava às lojas e ao streaming o Here, novo disco de Alicia Keys. Esses quatro anos foram cruciais na construção e finalização de um trabalho e mais ainda na construção de uma mente pensante de uma grande artista que é Alicia.

Ela que estreava na indústria em 2001, logo conquistava a crítica e público e assim permaneceu durante anos. Ela ainda se tornou prova viva de que é possível sim se manter em alta, na ativa e conciliar sua popularidade e sucesso com seus pés no chão, sua noção da realidade e direção.

Em Here Alicia Keys vem nos questionar e nos fazer pensar sobre o que podemos fazer por nós mesmos e por aqueles que nos cercam. Sobre a humanidade, sobre os problemas que muitos enfrentam e não tem ninguém que os ajude.

O maior mérito do disco é trazer uma Alicia Keys totalmente desnuda de produções exageradas e mais ainda de firulas desnecessárias e experimentações com sintetizadores ou sonoridades fabricadas no computador, aqui é tudo mais cru. Ela preza por instrumentos e valoriza sua voz como pouco visto antes.

Um adendo: qualquer um pode fazer música com um piano de fundo, mas pouquíssimos se conectarão tão profundamente com o instrumento quanto Alicia Keys. Ela e o piano se tornam um só, uma conexão que sentimos profundamente quando ouvimos esse álbum em especial.

Não contando com os interlúdios, tudo começa lá por The Gospel com seus versos rápidos e fortes e a potente Pawn It All, a crua e desnuda Kill Your Mama onde somente um violão acompanha a voz de Alicia e a feminista She Don’t Really Care, que divide espaço com a também grandiosa 1 Luv, vem em seguida. Na sequência a contagiante Illusion Of Bliss onde a cantora explora a sua versatilidade vocal em poucos versos, seguida pela já conhecida Blended Family (What You Do For Love).

Work On It é uma das faixas mais interessantes, é uma das que mais conversam com o que Alicia fez lá em seu primeiro trabalho e ainda assim se encaixa perfeitamente nesse novo disco. A simples e emponderada Girl Can’t Be Yourself também chama a atenção, assim como More Than We Know que leva Alicia Keys de volta a suas origens.

Diferente de tudo o que ela já fez, brincando com arranjos vem Where Do We Begin Now e como em todos os trabalhos uma faixa pra gente refletir: Holy War. Uma das melhores faixas do disco é a seguinte, Hallelujah – que foi tema de um outro curta lançado pela cantora esse ano. E por fim, In Common.

As canções se conectam, se completam e uma nos faz entender a outra, dentre elas os interlúdios com conversas e debates sobre o que cada música diz. Ela não se repete em momento algum, faz do trabalho um disco coeso, consistente e maduro.

No mesmo dia, Alicia Keys divulgou o curta-metragem The Gospel (dirigido por A.V. Rockwell), que fala sobre questões sociais como direitos LGBT, racismo e emponderamento feminino. Uma forma curta, direta e muito interessante da gente entender perfeitamente o que Alicia quer com esse novo disco.

Alicia Keys mostra com Here, que mesmo quinze anos depois de sua estreia, ela ainda tem muito o que dizer, muito o que influenciar e mais ainda, muito o que nos inspirar.

Nota: 90/100

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