Tinashe e a liberdade de uma mixtape

Tinashe tem enfrentado sérios problemas com sua gravadora, seu segundo disco até então intitulado Joyride, tem demorado meses para sair. É importante lembrar que uma parte da culpa por esse atraso vem de seus fracassados últimos singles.

Pra ‘burlar’ esses entraves, esses seguidos e intermináveis adiamentos, a cantora divulgou no início desse mês a mixtape Nightride, uma forma que a mesma encontrou de ainda poder divulgar seu trabalho.

E é só agora, nessa mixtape, nesse disco, que se encontra apenas em seu formato digital (e continuará assim), que conhecemos a verdadeira Tinashe. Aquela do fraco Aquarius de 2014, não teve espaço aqui. Músicas distintas, de sonoridades destoantes, criadas todas em mesmas “formas”, ficou lá no passado.

A mixtape é pra um artista a chance dele se experimentar e se explorar, e foi o que houve com a jovem americana. Aqui ela pode mostrar que tem talento, que é uma artista de verdade. Assim ela criou músicas muito interessantes como Lucid Dreming, a faixa de abertura e a seguinte C’est La Vie. Errou a mão com Sunburn e os inúteis interlúdios, que soam mais indispensáveis do que nunca.

Passando pelas bem produzidas e consistentes Sacrifices, Company, Soul Glitch, You Don’t Know Me, chegamos ao ponto alto do disco, a faixa Spacetime. Diferente de todas as outras, e do que a cantora já apresentou, a faixa é muito interessante de se ouvir e muito bem construída no estúdio, trabalho do novato Stephen SpencerRide Of Your Life Party Favors são mais das faixas bem criadas em estúdio. Touch Pass e a cliché Guetto Baby encerram o disco.

Tinashe claramente bebe um pouco da fonte de FKA Twigs, entregou um trabalho excelente e que provavelmente tem agradado os amantes da música R&B, muito por culpa de sua equipe de produtores e compositores, que incluem Metro BoominDev HynesThe-Dream.

É um disco afinal, retratando a liberdade artística de uma cantora com potencial, é uma pena que essa liberdade se prenderá aqui mesmo, dificilmente ela conseguirá emplacar essa bagagem em um próximo disco – quem sabe no vindouro Joyride?.

Nota: 75/100

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