Quando a música inspira de verdade!

Tem dias, semanas, meses que parece que a gente tá num constante inferno astral, não é mesmo? E na última terça-feira eu tava com todas as energias limadas. Era quase que um game over. Fora a enxaqueca que insiste me acompanhar diariamente nos últimos dois meses. Mesmo assim parecia que naquele dia algo estava escrito que tudo seria diferente, pelo menos por algumas horas.

Pela primeira vez, o que é uma vergonha para mim um imenso apreciador de música e de projetos que fazem a música valer a pena, fui ao Sofar Sounds Brasil. Pra quem não conhece o Sofar Sounds é uma plataforma mundial que conecta as pessoas por meio da experiência da música ao vivo. Foi criado há sete anos, em Londres, e hoje está presente em 310 cidades ao redor de todo o mundo. A ideia é promover eventos secretos em que os participantes inscritos só sabem o lugar da apresentação na véspera do evento. Ah! As bandas/artistas que irão se apresentar – normalmente três – são revelados somente na hora. O Sofar Sounds chegou por aqui em setembro de 2012 o que faz meu coração ficar ainda mais arrependido de não ter participado antes do projeto. Mas tudo na vida tem um porquê.

Na primeira apresentação do projeto neste ano, na cidade de São Paulo, e diante de todas as informações pessoais que lhes apresentei no primeiro parágrafo, estava eu lá, em uma loja em Pinheiros esperando junto com mais algumas pessoas, talvez cinquenta, para viver aquela experiência. Teve a talentosa Yasmin Olí e o carioca Gustavo Fagundes. Cada um com um talento muito particular: Yasmin com uma voz incrível e um som que tem tanto pra oferecer e ela evoluir como artista. E Gustavo com sua voz serena, flertando com um som romântico que somando à sua beleza já vai fazer sua fanbase crescer consistentemente. Mas a surpresa estava por vir. Fui ao banheiro e quando voltei a Santa Jam Vó Alberta já estava lá. Já tinha tomado o seu espaço e já tinha dado início à grande experiência de vida da noite.

A minha sensação era o tempo todo de, porra, o que tá acontecendo aqui? E esse sorriso fácil no meu rosto? E a minha enxaqueca, cadê? E essa mistura frenética de sons, de vozes? Brasilidade correndo nas veias, mesmo naquelas que não eram músicas brasileiras. Tinha algo dentro de mim querendo gritar naquela hora. Era inexplicável. Foram quatro ou cinco músicas apresentadas. Todo mundo com os olhos vidrados neles. Mas quatro músicas era muito pouco. Calma! Pra onde vocês vão? Acabou? Como assim? Como vocês tem a coragem de deixar a gente assim depois de tudo isso que a gente tinha visto diante de nossos olhos?

Eis que veio a salvação. Em cima da loja é a casa de um dos integrantes, o líder da gang: Ivan Staicov. Ele simplesmente chamou a galera para subir. Invadir a sua casa e continuar com a experiência da Santa Jam. Ele é um ser abençoado! HAHAH! Desapegado total. As únicas exigências eram: não colocar os pés na cama e não levar as canecas embora! Mas gente! Era a casa dele! A gente tava invadindo o espaço dele. Mas passaram-se alguns segundos e estávamos rendidos. A música continuou solta. Foram mais umas dez, quinze. Sei lá. Tava tudo incrível. Eu tava diante daquilo que eu mais acredito: no poder da transformação que a música é capaz de fazer. A noite era de Música Inspira.

Durante todo o tempo eu ficava: gente, os caras são bons. Mas mais do que bons. Os seis, sete, oito integrantes (sabe Deus – todos nós naquela hora já éramos parte da banda), além de músicos talentosos são daqueles que você quer ser amigo, quer sentar e jogar conversa fora, falar besteira e beber uma. Me senti parte daquilo mesmo sem nenhuma aptidão para aquela jam que rolava. Era uma piração que transbordava. E continua…. até a próxima. Não se sabe ainda quando, nem onde… mas a gente quer mais.

Ahhhhh! Se liga, porque nesse mês de fevereiro tem mais três eventos do Sofar Sounds aqui em São Paulo. Vem ver aqui!