O poder da música no tratamento de doenças mentais como demência e Alzheimer

PARA TUDO! Congela. Convido você a ler esse meu texto abaixo, mas antes permita-me explicar algumas coisas. Enquanto escrevia o texto me deparei com o documentário Alive Inside. Já havia me deparado com ele antes, mas infelizmente não tinha dado sua devida e merecida atenção. Escrevi o texto abaixo e deixei ele aqui na caixa de rascunhos na noite deste sábado para domingo, mas decidi antes de publicar o texto assistir ao documentário para me certificar sobre algumas coisas as quais escrevi abaixo e também para experimentar a vivência desta produção. Vamos lá:

Parte 1: A música! Ahhh a música! Ela é capaz de tudo. Como uma combinação de sons, ritmos, melodias e letras podem significar tanto para gente e nos emocionar, nos inspirar, nos fazer pirar?! Que maravilha que ela existe! Felicidade é saber que ela, a música, é capaz de transformar, de ajudar e tornar a vida das pessoas melhores.

Músicas são como chiclete: quando gruda, gruda mesmo. A gente cantarola, emite alguns grunhidos ou abre o bocão e berra mesmo! A gente é desses! Todo mundo tem aquela música favorita, aquela que faz lembrar alguns momentos maravilhosos e outros não tão bons assim, mas ela está sempre lá fazendo a trilha sonora da nossa vida. E é justamente essas lembranças e o papel da música nesse resgate emocional que está revolucionando o tratamento de pacientes com o Mal de Alzheimer e também nos casos de demência. Dei de cara com essa notícia em alguns portais de notícias nesta semana e eu tinha que trazer isso aqui para o Música Inspira também, afinal quanto mais pessoas tiverem acesso a esse tipo de informação, melhor. Só quem convive ou já conviveu com algum parente ou alguém próximo vítima do Alzheimer sabe o quão doloroso é todo o processo degenerativo da doença.

Pesquisadores do Instituto Max Plank de Neurociência e da Cognição Humana, na Alemanha, descobriram que a música está localizada no nosso cérebro justamente no nosso ‘depósito’ que armazena grande parte das nossas recordações. E isso quer dizer muita coisa!  Se elas estão juntas no mesmo pedacinho do nosso cérebro, como elas podem se interligar e tornar a conexão entre a memória racional e a memória musical mais real ainda?

O documentário Alive Inside (disponível no Netflix Brasil), lançado em 2014, mostra justamente o impacto da música no tratamento daqueles que sofrem com a doença de Alzheimer, como a diminuição do ritmo de avanço da doença ou até mesmo melhoras exponenciais no quadro. A musicoterapia ajuda justamente no resgate de lembranças que podem ter se perdido ao longo da vida e da doença e ainda na socialização destes pacientes. O médico Custódio Michailowsky, neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, de São Paulo, afirma que “se a pessoa se isola, isso vira uma bola de neve. A música traz emoção, traz motivação para a pessoa. Além de fazer dançar, se mexer”.

Entendeu agora o por quê que a gente sempre vai defender a música para tudo? A música está aí para o bem, sempre! Se você conhece alguém que passa por essa situação delicada na família, indique esse texto e o documentário. É um serviço social. O processo pode fazer com que muitas famílias se aproximem e recordem juntas de bons momentos que devem estar lá esquecidinhos e deixados lá no fundo da gaveta do nosso cérebro. Ajude a resgatar essas memórias e fazer aqueles que precisam de carinho a se sentirem mais amados e protegidos. O Alzheimer é uma realidade mas a gente pode transformar a vida de quem já tem esse peso para seguir em frente!

PARTE 2: Não consegui me conter durante boa parte do filme. O documentário esfrega na nossa cara inúmeras questões sociais e como a gente lida com a questão do envelhecimento, de como tratamos os nossos idosos e como a gente pode resgatá-los de um mundo escuro com o poder da música. Inspirado, maravilhado e também desidratado. Foi assim que a produção me deixou. A única coisa que eu digo depois te tudo isso é: veja o documentário e vocês não irão se arrepender. A mensagem do que a música pode fazer nas nossas vidas precisa ser passada a diante. Conte com a gente para tornar isso realidade!

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  • katia cristina de frança

    Mike! Estou cuidando de uma paciente (91 anos) com Alzheimer, e com ela pude constatar tudo isso e mais um pouco. Fico maravilhada com as reações dela, quando ouve as músicas que marcaram sua vida. Parabéns pelo texto!

    • Mike Sousa

      É incrível o poder que a música tem sobre a gente! Sobre nossas lembranças, sobre nosso estado emocional! Musicoterapia está aí pra provar os inúmeros benefícios! Lindo saber que você incorporou a música no tratamento da sua paciente! E como foi o processo? A família quem compartilhou os gostos e as historias dela? bjs