Ed Sheeran e seu arrebatador conto de fadas ‘Divide’

Eu poderia estar roubando, matando, mas estou aqui escrevendo sobre o novo disco do Ed Sheeran, o terceiro da carreira. E vamos lá: que álbum! Não vou deixar nenhum mistério para o final do texto, porque com Ed Sheeran é assim: ou você gosta, ou não gosta. E o nível tá tão alto aqui que a gente só tem elogios para fazer para ele.

Divide foi lançado na última sexta-feira diante enorme expectativa, depois de pouco mais de três anos do lançamento do multiplatinado X. Pra se ter ideia do tamanho do frisson que foi criado basta olhar os números das vendas do cantor. O novo álbum vendeu mais de 232 mil cópias apenas no primeiro dia, somente na Inglaterra. Outro número surpreendente é que o disco foi ouvido mais de 56 MILHÕES de vezes, no Spotify, nas primeiras vinte e quatro horas! Quer mais? As dezesseis faixas da versão deluxe do disco ocupam as 16 primeiras posições do Spotify na Inglaterra simultaneamente!!!!!

Lógico que nem tudo é ouro e nem todo mundo iria gostar do novo trabalho. Há aqueles amargurados que devem ficar procurando defeitos apenas pra ser diferentes do que a maioria tem se mostrado. Alguns críticos ingleses, por exemplo, como o do jornal The Guardian deu nota 4, em uma escala que vai de 0 à 10. Outras publicações como o NME e o The Telegraph deram nota 8. Para ver que as pessoas realmente levaram à sério o nome do álbum: Divide.

Mas e o que eu achei do novo trabalho do Ed Sheeran? Posso te garantir que eu gostei muito e que eu não vou fazer nenhuma comparação com trabalhos anteriores. Não gosto desse tipo de abordagem porque todo o processo, toda a atmosfera que circunda um disco é completamente diferente do outro. Impossível tratar um trabalho criativo dessa forma, acaba não sendo justa.

Se eu pudesse comparar o Ed à algo ou a alguém eu compararia ele ao Roberto Carlos. Pode soar engraçado mas os dois inegavelmente falam de amor como poucos nessa vida. E quando me refiro a falar de amor, significa falar da forma mais genuína, carregada de emoção, de sentimento e de pureza. Chega a soar inocente, quase que como um conto de fadas. Divide é isso: um conto de fadas contemporâneo.

Ouvi calmamente o disco, em horários diversos, algumas vezes para não me tomar pela emoção da primeira audição. Ah! Muitos críticos ouvem o trabalho uma única vez, e mal conseguem ouvir as faixas inteiras, vão pulando para agilizar. Eles nem se dão conta do quanto isso prejudica a experiência musical e o mundo que poderia se abrir se eles se entregassem ao álbum.

A faixa Eraser, que abre o Divide, não poderia ser melhor para dar início aos trabalhos. Ela mistura as rimas, o rap, mas entrega um refrão com cara de Ed Sheeran. Quando chega em Castle On The Hill é impossível não se emocionar. A letra faz a gente relembrar a nossa própria história, faz a gente buscar na memória as vivências que a gente deixou pra trás, os amigos que conquistamos ao longo da vida e faz a gente valorizar as nossas raízes. E Dive? Uma faixa típica do cantor e que tem imenso potencial para conquistar muitos e muitos corações e até surpreender como um possível single.

Shape of You é um caso a parte. O sucesso e a aceitação que a música teve em todo o mundo é algo imensamente incrível. A faixa está em primeiro lugar nos charts ingleses desde o seu lançamento, há dois meses. E, pelo jeito, vai continuar por lá por algum tempo. E olha que a canção nem seria o primeiro single do disco, mas ainda bem que mudaram de ideia porque a música se tornou a canção mais bem sucedida do Ed em todo o mundo.

Quando a gente vai pra quinta faixa, Perfect, a gente tem ainda mais certeza de que Ed é mestre em fazer as pessoas chorarem ao ouvir suas músicas. Não há ninguém que cante o amor como o Ed canta. É aqui que eu comparo ele claramente com o Roberto Carlos. Os coração se derretem, é genuíno, autêntico, não parece forçado, por mais comercial que se possa ser. Perfect é daquelas músicas que certamente vai fazer parte da trilha sonora da vida de muita gente. E o que falar de Galway Girl? De acordo com a reação dos fãs na internet, certamente a canção é uma das favoritas do novo disco. O Pop e os versos rápidos juntos, de mãos dadas. Pra mim, sem dúvidas, uma das melhores do disco sim! Queremos single, queremos clipe, queremos live, queremos e queremos! “She played the fiddle with in an Irish Band, but she fell in love with an English man”.

Quem nunca sofreu de amores? E quando a gente vê o nosso amor, após o término, já com outra pessoa? Happier foi feita então para você. Impossível você não se ver na música, em algum momento. É pra ajudar a colocar os dois pés na lama de vez. Aí vem New Man, uma clara continuação da faixa anterior. Você já não está mais com a pessoa e quando se reencontram ela quer ficar falando do novo amor, e quando ela está com esse novo amor ela quer falar do/a ex. Pelo menos aqui Ed já traz uma melodia mais animada, diferente de toda dor de Happier.

As quatro últimas faixas da versão standard do disco trazem novamente a emoção à tona. Hearts Don’t Break Around Here é bastante romântica do jeito que a gente gosta. What do I know? é bastante pessoal e Ed fala sobre o alguns momentos da sua vida como o fato de não ter feito uma faculdade e não ter nenhum diploma, mas ressalta sobre como a música pode mudar o mundo e que isso o fez vencer na vida. Agora em How Would You Feel OMG! Ed não faz isso com a gente. Mais uma romântica para gente cair de amores e se apaixonar ainda mais. Mas quer quebrar as pernas de vez ouça Supermarket Flowers. Composta por Ed como se fosse a mãe dele para sua avó que acabou falecendo durante o processo de preparação do disco. Tocante demais. Imagina isso ao vivo, vai ser um daqueles momentos que todo mundo vai desabar, não tenha dúvidas.

 

Aí a gente começa com as faixas bônus, presentes apenas na edição deluxe do disco. Ah! Importante ressaltar que as duas versões do disco estão disponíveis em versões físicas, em CD, no Brasil.

Barcelona abre com o que era para ser o primeiro single do disco e acabou entrando somente na versão deluxe do disco. A faixa deveria ter sido lançada em setembro passado, mas a equipe do cantor e também a gravadora não se mostraram muito animadas. De fato se fosse lead single realmente as pessoas poderiam estranhar muito. Sonoridade latina, mas que beira ao cafona. Parece música de cruzeiro! hahaha! Faz todo sentido estar na versão extra e não na versão tradicional. O mesmo caminho segue Bibia be ye ye. Quando ouvi pela primeira vez confesso não ter entendido nada. Mas aqui a gente continua num clima de cruzeiro!  Na verdade trata-se de uma faixa com inúmeras referências africanas. A canção foi composta originalmente no dialeto Twi, um dos dialetos falados em Gana, depois foi adaptada ao inglês, mas os instrumentos e diversas palavras neste outro idioma continuam presentes. Uma experiência musical e tanto.

Nancy Mulligan reforça o interessante uso de regionalismo nestas últimas canções. A faixa segue a linha tradicional da música irlandesa com tudo o que se tem direito: os instrumentos clássicos do folk, as palminhas e os trechos cantarolados em conjunto para caso você esteja com os amigos num pub, com uma boa cerveja e resolvam começar a cantar.

O disco então se encerra com Save myself e uma mensagem poderosa de cultivo ao amor próprio, daquelas que são um soco no estômago para fazer a gente refletir sobre nossas vidas, sobre as pessoas, sobre o quão descartáveis a gente pode ser para os outros, enfim sobre tudo.


 

Divide é um disco que reforça tudo aquilo que a gente já sabia sobre o cantor: talentoso, emotivo, sensível e um compositor incrível. O disco é todo intercalado, já que entra uma música mais calma, na sequência já vem uma mais animada e assim vai seguindo. Não sei se é a fórmula ideal, mas ficou claro que o cantor não quis “dividir” o disco em dois atos e fez a história ficar mais orgânica e fluída, sem repetições de imediato.

O álbum merece todo o mérito e destaque possível. Grandes chances de ser um nome forte ao Grammy e ao Brit Awards do ano que vem. Pelo menos a gente vai reconhecer que, de fato, ele merece.

Vem ouvir o disco:

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