POP no Brasil? A grama do vizinho é verde, mas a nossa é ainda mais!

Uma triste realidade do nosso país é que na grande maioria das vezes a gente não sabe reconhecer o que de bom a gente tem. E olha que tem bastante coisa interessante sendo feita por aí, ou melhor, por aqui. Bem diante dos nossos narizes. Quando comecei a escrever esse texto me veio a reflexão de como a nossa música POP brasileira é julgada, injustiçada e não tem o reconhecimento que merece.

Não é de hoje, mas parece que cada vez mais as pessoas têm usado a Internet – redes sociais – apenas para julgar, desqualificar e denegrir. Com a nossa música não é diferente. Claro que cada um tem o seu gosto, as suas opiniões, mas tem gente que parece que só sente algum prazer na vida quando coloca cantores uns contra os outros em comparações e julgamentos intermináveis. Basta fazer uma rápida busca usando nomes como a da cantora Anitta. Numa matéria publicada pelo R7 a cantora já foi considerada a pessoa mais odiada na internet brasileira! WHAT?! Ataques e difamações são lançadas ao vento sem qualquer tipo de reflexão e pudor. Muitos dos ataques são caracterizados como crime, mas a impunidade só ajuda a disseminar um ódio sem fundamento, sem qualquer necessidade.

Se fulano se inspira em qualquer movimento artístico já vão apedrejando dizendo que estão copiando, roubando e se apropriando. Se for de fora do país então, nem se fala. A grama do vizinho é mais verde, né? Só o de lá que é bom sem se quer refletir que muitos dos artistas de hoje foram influenciados por uma infinidade de artistas que vieram antes e que abriram caminho para tanta coisa. Afinal o que seria da música POP se não fosse por tudo o que a Madonna fez? Pelas portas que abriu, pelos preconceitos que derrubou. Madonna coitada, certamente uma das mais detestadas e atacadas da história da internet. E se a pessoa mudar o estilo musical então? Aí é um traidor/a do movimento. As pessoas nunca estão satisfeitas.

Pára e olha quantos e quantas artistas tão batalhando, ralando pra valer, fazendo produções e se dedicando de verdade. Anitta, mencionada anteriormente, tem levado a nossa música pop a um patamar que talvez nunca estivemos. E não é só ela não. Olha a Ludmilla, a Karol Conka, a Wanessa, a Iza, as inúmeras drags/transgenders maravilhosas que tem dado um show de criatividade, coragem, disposição e talento como do Pabllo Vittar – um hit neste último carnaval, as incríveis da As Bahia e a Cozinha Mineira, a doçura das AnaVitória, o charme do Silva e do Tiago Iorc, a performance do Liniker e do Johnny Hooker, a força da MC Carol, o pedido para ‘Respeitar as Minas’ da Kelly Smith. E isso não é nem metade do que de mais legal tem sido feito por aqui! Aqui mesmo! No Brasil!

Estamos vivendo um dos momentos mais intensos da nossa criatividade musical. Não podemos deixar isso passar, a gente tem que aprender a respeitar, a admirar, a cultivar os nossos talentos, incentivar as nossas manifestações artísticas, apoiar, ir a shows, ouvir suas músicas, movimentar a nossa economia criativa musical. Você pode não gostar, mas é inegável a revolução que estão fazendo aqui e o respeito é o que deve prevalecer acima de tudo.

Abra a mente. Se não quem sai perdendo é você. Não deixe o POP morrer.

Segue a gente! @musicanosinspira