James Blunt e seu massacrado novo álbum The Afterlove

Eu não tenho a menor dúvida que os artistas gravam seus discos pensando exclusivamente nos seus fãs, ou pelo menos é nisso que eu prefiro acreditar. E como disse o jornal inglês The Guardian “ninguém morre por uma crítica ruim”. Mas pensando bem, será? Acho que deve ter uns loucos por aí sim que levam a coisa tão, mas tão a sério que se comportam como se estivessem em novela, arremessando vasos, quebrando coisas em casa! E o detonado da vez é o cantor James Blunt.

Depois de alguns anos sem lançar nada, James Blunt está de volta com o seu quinto álbum, o The Afterlove, lançado nesta sexta-feira (25). Confesso que havia muito tempo que eu não ouvia nada dele. Nunca fui fã apesar de ter You’re Beautiful na ponta da língua, afinal quem não decorou a letra quando ela estourou e nos fez uma lavagem cerebral?

Pois bem, ouvi o The Afterlove e não entendi muito bem. O disco é bastante inconstante, mas tem coisas interessantes. O lead single, a faixa Love Me Better é um popzinho legal. Hit? Não, mas vale ouvir e se tiver tocando no rádio não é uma faixa que eu pularia – pelo menos não até ela tocar várias e várias vezes e me irritar haha!

James Blunt sempre foi um cantor bastante odiado de forma geral. O seu single You’re Beautiful fez tanto sucesso, tocou tanto que pode-se dizer que boa parcela da população mundial se irritou com a música. É irritante, de fato, mas é um clássico da música pop e, de alguma forma, todo mundo se identificou e curtiu a canção lá nos primórdios de 2005.

Ser detestado por bastante gente e pela imprensa não é nenhuma novidade para o cantor e para seus fãs. E com o novo disco não ia ser muito diferente. Curioso e intrigante foi perceber que James Blunt foi deixado de lado por sites renomados de música, como o inglês NME que se quer chegou a publicar uma review do novo trabalho. Os que publicaram não pouparam comentários negativos ao The Afterlove. O famoso The Guardian fala num “desespero em produzir canções para a playlist da BBC Radio 1, mas isso só serviu para ressaltar o quão irritante a seu música se tornou”. Apenas para contextualizar, a Radio 1 é a emissora mais comercial de música na Inglaterra.  O também inglês Evening Standard disse que “pagaria para ter a lembrança de ter ouvido o novo disco apagada imediatamente”. Pesado, não? O irlandês Irish Times fala da “artificialidade” do disco e ainda conclui que algumas faixas “tem o charme de uma mancha de óleo”. Pra se ter ideia, o site Metacritic – o principal site que reúne resenhas de discos, filmes, músicas – se quer incluiu o novo álbum do cantor no seu acervo. Os discos anteriores possuem notas que variam entre 45 e 53, numa escala que vai até 100.

Ouvir James Blunt sempre vai ser uma experiência de cair num sentimentalismo barato. E mesmo tendo um batalhão de gente envolvida nas composições e na produção do disco, isso parece que nunca vai mudar. E será que deveria? Mesmo com uma enxurrada de críticas ele sempre teve seu público fiel e continua faturando seus bons dinheirinhos.

Uma das faixas que chama a atenção no disco, claro, é a colaboração do cantor Ed Sheeran que co-escreveu a canção Make Me Better. A criatividade bateu tão forte neles que a música tem quase o mesmo nome do lead single do disco, que foi co-escrita pelo Ryan Tedder, do One Republic. Sentiu a grandeza dos nomes envolvidos? Ainda vale destacar os produtores Stephan Moccio (The Weeknd e Miley Cyrus), Mozella (One Direction) e Johnny McDaid (Example e Biffy Clyro), ou seja, um tiro pesado para tentar aproximar o seu som cada vez mais num pop extremamente comercial, mas o tiro tem saído pela culatra.

The Afterlove é só mais um disco que foi lançado. Não tem nada especial e certamente depois dessa audição ele nunca mais deve aparecer na nossa playlist. Acontece. Não dá sempre para se fazer discos bons, músicas que virarão hits. Mas o James Blunt lida muito bem com isso. Como ele mesmo postou em seu twitter no final do ano passado: “Se vocês acharam que 2016 foi um ano ruim, vou lançar um disco em 2017”. Bom, deu pra perceber que deu pra piorar.

Ouça por sua conta e risco:

Segue a gente no Instagram: @musicanosinspira

  • Fabiano Freitas

    Um dos melhores álbums de James Blunt, disco para ouvir da primeira a última faixa, dedico a canção Make Me Better à minha esposa, excelente!!!

  • Lucas Fevi

    Desculpa discordar da opinião do site mas eu vejo que o POST foi totalmente inspirado nas opiniões desnecessárias de sites “famosos”. Mas na verdade quando eu quero música boa não recorro a Billboard ou qualquer sitezinho pop barato, afinal nunca se encontra Chico Buarque, Marisa Monte, Caetano, David Bowie, U2, James Blunt nos seus top 10 da vida. Porquê? Porque só tem música pop barata com biscate mostrando a bunda nos videoclipes milionários.
    Sabe de onde eu tiro minha opinião? Ouvindo o álbum. Desta feita, sinto lhe dizer, o álbum é incrivelmente agradável.
    James Blunt é outro nível, me ofenderia se ele aparecesse na Billboard. É pra quem tem ouvido afinado, afinal não se encontra os melhores vinhos em qualquer barzinho.

    • Mike Sousa

      Gosto é algo bastante particular. Não se preocupe, nossa opinião é baseada exclusivamente na audição do disco. Não somente a partir de uma única audição, mas de várias. Mas repito, opinião é bastante particular. Pra gente o disco continua sendo ruim do mesmo jeito. Que bom que você curtiu! Um disco a mais pra sua playlist! 🙂

    • Jamyson Junior

      Noto que o autor expressou bastante sua opinião na postagem, Lucas vc precisa ler com atenção e enxergar aquilo que vc tbm não quer ver, aqueles que gostaram do álbum é uma minoria, fãs raízes tem uma opinião contrária, mas não é de se impressionar que alguém que escute Chico Buarque ou Marisa Monte, vá gostar de algo que soe como uma versão barata de Ed Sheeran !!!

      • Mike Sousa

        Sim… já que é um review, impossível eu não expressar minha opinião e foi puramente influenciada pelas várias audições que fiz do álbum. Independente do que se ouça, quem tem um pouquinho de conhecimento e análise critica do mundo pop sabe e entende que ele não foi feliz neste álbum, uma pena.

  • Jamyson Junior

    Concordo plenamente com vc Mike, James Blunt está se jogando de um prédio sem usar paraquedas, é lamentável a forma que ele resolveu declinar sua carreira, espero que no próximo álbum ele não cometa o mesmo erro, em relação ao The Afterlove, ouvi apenas uma vez para conhecer e não pretendo repetir, contudo coleciono CDs e infelizmente ele é indispensável na coleção 🙁 Estou decepcionado por ter esperado tanto tempo para ouvir algo novo e ter que ouvir lixo comercial !!!

    • Mike Sousa

      Jamyson! Tudo bem!? Obrigado pelo seu comentário! Realmente é triste e, infelizmente, o horizonte não está tão bom assim para ele…