Harry Styles dá as costas ao pop em disco de estreia

Ter feito parte de uma boy band é um elemento e tanto carregado de preconceito por boa parte da galera. Quando um dos integrantes lança sua carreira solo então aí é que as coisas ficam bastante evidentes, já que comparações e a falta de interesse em dar uma “segunda” chance fica ainda mais intensa. Poucos conseguiram grande destaque e real sucesso em seus voos solos. Arriscaria dizer que somente Robbie Williams e Justin Timberlake alcançaram a estratosfera da popularidade e olhe lá.

Inegável que o One Direction foi a maior boyband da década e com o hiato indeterminado em que o grupo se encontra desde o início do ano passado seus quatro integrantes remanescentes se arriscariam em seus projetos paralelos. E eis que temos o aguardado lançamento de Harry Styles.

Rodeado de grande expectativa o lançamento do primeiro disco solo de Harry Styles – querendo ou não o frontman da boyband – finalmente chegou. O disco homônimo Harry Styles chegou ao mercado mundialmente neste sexta-feira, 12, ancorado no single Sign of the Times que conquistou críticas bastante positivas ao redor do mundo e que claramente já anunciava uma renúncia ao mundo pop, apontando novas direções criativas e artísticas para o Harry. Ponto positivo.

Ouvir o álbum, pra começar, não é uma tarefa fácil, principalmente se o que você esperava fizesse qualquer alusão ao que Harry fazia com o One Direction. Esquece, não passa se quer perto. Confesso que eu esperava uma baixada de bola do menino Harry. Durante os últimos anos da boyband Harry sempre adotou uma posição beirando a prepotência e suas recentes entrevistas e apresentações na TV para divulgar o novo disco não mostraram nenhuma mudança nisso. Ponto negativo.

O disco realmente merecia uma introdução um pouco mais grandiosa, Meet Me In the Halfway, não traz nada demais e não faz jus a faixa seguinte, a já aclamada Sign Of the Times. Ao ouvir o lead single (caso ainda não o tenha feito) é possível encontrar sim referências de Mick Jagger e David Bowie. Será que Harry tem essa bala pra segurar uma carreira como a dessas duas grandes lendas?! Só o tempo vai dizer. Algumas críticas ao disco indicam que a sonoridade de algumas canções faz apenas alguma homenagem e que jamais terão impacto que seus homenageados tiveram.

Sons setentistas e algumas referências dos anos 80 podem ser identificadas no disco. Harry gravou parte do disco em estúdios renomados em Los Angeles e até na Jamaica, onde nomes como Bob Dylan já tiveram suas canções gravadas.

Eu tenho a minha favorita. Sweet Creature! Sem nenhum resquício de dúvida. A faixa é o segundo single oficial do álbum e trata das dificuldades de um relacionamento, mas usando um tom quase que juvenil. Tem seu charme e seu arranjo acústico deve arrebatar muitos e muitos corações. Se é radiofônica? Claro que é!

Only Angel traz o Harry do rock. É uma faixa boa e Kiwi segue na mesma atmosfera. Kiwi fala sobre um de seus relacionamentos e como a fama pode deixar as coisas não tão fáceis e confusas. Muitos cantam sobre esse tema, né? Batido, não?

Harry Styles é um álbum caprichado. Certamente vai ficar na playlist das fãs dele dos tempos do One Direction, mas será que vai quebrar a barreira e conquistar um mercado além da sua já estabelecida fã base? Mais uma vez, só o tempo vai responder.

Ah! E pra finalizar, pode ser que nem apareça entre os melhores do ano, só um palpite. Mas valeu o esforço. Tentar se distanciar daquilo que o fez famoso e milionário realmente é estar aberto para um mundo novo de possibilidades.

Mas eu sempre digo: ouve e tire você as suas conclusões:

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