Shakira e seu caminho para Eldorado

Chegou às lojas na última sexta-feira e aos serviços de streaming o novo disco da colombiana Shakira. O El Dorado estava tomando suas formas desde o ano passado e finalmente viu a luz do dia.

Eldorado (El Dorado em espanhol) é o nome de uma lenda indígena da época da colonização da América, que contava sobre um lugar, uma cidade, toda construída de ouro maciço, além de esconder outros tesouros pela cidade. Ao longo dos séculos a lenda permaneceu na imaginação de grandes navegadores e exploradores, que acreditavam fielmente na história e até cogitava a localização da cidade.

O fato é que a cidade fictícia, assim como Atlântida, foi contada e recontada, virou tema de documentários sensacionalistas, séries, novelas e uma enorme quantidade de filmes – sim, o tema é bem batido.

Shakira então faria uma alusão ao tema em seu novo trabalho, lembraria a cidade que nunca existiu. O que daria uma longa margem a algo temático e conceitual, o que ficou só na ideia mesmo, tá aí o primeiro pecado da cantora com o disco.

Temos que lembrar que Shakira chegou a um certo nível e status que ela pode bater o pé e gravar e lançar o que bem entender, são poucos os nomes da música atual que conseguem tal feito – e que realmente grava algo para os fãs – e talvez por isso seus lançamentos são rodeados por exaltações e decepções.

Sabe aquele sentimento de que “tá bom sim, mas poderia ser muito melhor”? Então, é a sensação e sentimentos que o disco nos traz. Vale ressaltar que ela foi audaciosa em convidar para a produção nomes novos como Maluma (já batido em canções latinas) e Julia Michaels (que vem fazendo sucesso com o hit Issues e ajudou a cantora escrevendo When A Woman) e visionária quando se atentou ao fato do mercado estar atualmente aberto para canções em espanhol, com o mega sucesso, obviamente, de Despacito .

El Dorado não foi um disco construído pra ser um mega hit, nem mesmo pra vender horrores – a própria não precisa mais disso, mesmo que o álbum tenha abocanhado o topo do iTunes em 34 países – é uma obra pela qual Shakira precisou expor o que sentia, o que viveu desde seu último lançamento e, mais que isso, um disco sem pretensões maiores, então tudo bem se você não gostou.

Destaque: para a já hit ChantajeNada, Perro Fiel (com Nicky Jam), Trap e Comme Moi (com Black M).

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