Otto lança o primeiro álbum em cinco anos

Na última quinta-feira (27) participei de um papo com o cantor pernambucano Otto que acabou de lançar o seu novo trabalho, o álbum Ottomatopeia, o seu primeiro lançamento em cinco anos. No encontro, eu e mais alguns companheiros que respiram e transpiram música, pudemos ouvir o álbum – naquela ocasião – ainda não lançado, em primeira mão…

Ottomatopeia foi concebido num dos períodos mais preocupantes da nossa história política, certamente o mais relevante em quase trinta anos, então era inegável que o cantor colocaria sua reflexão neste novo material. Segundo ele, “os cinco anos foram extremamente necessários para digerir o que está acontecendo com nosso país, como a clareza da corrupção“. Mas o álbum é muito mais do que isso, “eu falo de amor… trago muito mais do que a dor”.

Ouvir Otto não é pra amadores. Nunca é raso, é intenso. Ao mesmo tempo que você se perde ouvindo, você também se encontra. Não ouça uma única vez achando que aquilo já vai te conectar com as letras. É preciso muito mais. A experiência sonora precisa ser amadurecida, entendida, ouvida atenciosamente. Dificilmente você se arrependerá, vai por mim.

A primeira canção de trabalho do novo disco é a faixa Bala, justamente a canção que abre o álbum… nem precisa de introdução! Ouve só:

 

Claramente, na primeira audição, eu já elegi as minhas favoritas. Soprei e seu verso de que “viver não é mole não“. E não é mesmo! Se refletirmos então, um pouco que seja, sobre o nosso dia-dia político nem se fala. A instabilidade pode fazer até a nossa capacidade de acreditar que dias melhores virão nunca aconteça, mas não é o caso do Otto, o cantor se mostra bastante otimista sobre o que aponta no horizonte. Talvez não seja otimista a melhor palavra para descrever, mas uma esperança beirando na utopia. “Acho que as nuvens estão negras agora, mas daqui a pouco teremos outro ciclo. (…) Nunca acredito que no mundo com a informação que a gente tem hoje, com as conquistas do mundo as coisas não vão avançar (…), não é possível que a gente não vá rebater isso, com liberdade“.

Carinhosa é outra na lista das prediletas. O que é esse arranjo com os instrumentos de cordas? Uma puta música! Atrás de você também é delícia! Teorema me faz querer dançar! E Caminho do Sol? Tá difícil pular alguma música no disco! E as participações especiais? Em Meu Dengo, um clássico de Roberta Miranda, tem a participação da própria! E ainda traz o backing vocal finíssimo da Céu! Tem ainda a contribuição classuda de Andreas Kisser, na faixa que encerra o disco, Orumilá – ele desse a mão na guitarra e a gente nem tem do que reclamar!

Ottomatopeia é realmente um álbum grandioso. Ouvi-lo me fez viajar, mesmo! Os arranjos fazendo várias referências ao movimento manguebeat, outras vezes soando quase como lambada, os batuques… uma verdadeira experiência e uma aula para muitos aí que tentam e tentam, mas morrem na praia. E o sotaque? Otto não deixa suas raízes pernambucanas por nada, para nossa alegria!

Que o próximo disco – que já tem nome definido (SIM, Otto costuma nomear o próximo disco logo após o lançamento do atual…) não leve outros cinco anos para sair! Enquanto isso, ouve aí:

 

 

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