Sobre Rico Dalasan, Pabllo Vittar e Como a Mídia é Sensacionalista

A história é a seguinte: um dos maiores hits nacionais de 2017, a canção Todo Dia da Pabllo Vittar com Rico Dalasam foi inesperadamente retirada do Youtube e posteriormente, de todas as outras plataformas digitais. O fato causou surpresa e logo caiu na internet a história de que Rico estaria entrando com um processo para reaver seus direitos sobre a rentabilidade da música.

O fato é que tudo aconteceu justamente quando Pabllo conquistava seu lugarzinho na música pop e um destaque a nível mundial quando o vídeo de Sua Cara, sua parceria com Anitta Major Lazer, batia recordes no Youtube.

O brasileiro, como basicamente qualquer povo, gosta de assuntar sobre qualquer coisa, com o caso criado em cima de Todo Dia não foi diferente. Diversas teorias, ideias, pareceres e etc, começaram a pipocar nas redes sociais aos montes. A surpresa foi tanta que o assunto rendeu muito mais o que poderia render.

E é exatamente aí que mora todo o problema, ao mesmo tempo que o público não soube esperar declarações de ambas as partes, passaram a criar coisas a respeito, dizendo entre outras coisas, que Rico era um oportunista, por aproveitar a ascensão de Pabllo e que Pabllo não estava pagando o que deveria a seu parceiro na música – e não é invenção nossa, cansamos de ler coisas do tipo.

A gente pode tentar entender que as pessoas tendem a pensar dessa forma, afinal sempre formamos opiniões sobre tudo e qualquer coisa, mas por outro lado é quase impensável que, de uma hora para outra, um se torne vilão e outro um mocinho da história.

Rico Dalasam deu uma entrevista ao site da Noisey BR da revista Vice e esclareceu de uma melhor forma todo o ocorrido, a fim de acabar de uma vez por todas com notícias falsas, ideias erradas e toda essa parte da mídia que tem se tornado porca. Ele diz na entrevista que o acordo foi feito de uma forma rápida e sem algo muito claro, “a gente tava na festa e ele falou: “É uma autorização de participação no disco do Pabllo”. Mas, na verdade, era uma cessão dos meus direitos como intérprete. Daí passou e, quando eu fui receber, eu não estava inserido no fonograma de forma alguma, como se eu não tivesse existido ali. Então, eu procurei ele, que disse: “Olha Rico, aquele dia na festa você abriu mão dos direitos enquanto intérprete. O que eu posso fazer é você me dá 50% do autoral e eu te dou 20% do direito digital”. Respondi: “Isso tá errado, Rodrigo [Gorky produtor do disco de Pabllo Vittar, Vai Passar Malao lado de Maffalda]. O certo é eu seguir com 100% do autoral e a parte que me cabe como intérprete”. Ele disse que não, e a partir daí eu vi que não teria uma possibilidade de diálogo. Eles tão dando a entender por aí que eu sou um oportunista, mas até agora eu não encostei em R$ 5 dessa música”, ele diz à revista.

É importante ressaltar: a revisão no acordo NÃO envolve diretamente Pabllo Vittar e Rico Dalasam e sim Rico e o produtor do disco de Pabllo, quem supostamente teria feito um acordo a seu modo.

Mas o estrago já estava feito, boa parte dos “fãs” de ambos os artistas se envolveram em toda essa discussão, causando um burburinho e taxando Rico como um vilão da história. Ora, se algo não parece certo para você, você tem mais que reavaliar todo e qualquer acordo, isso parece absurdamente natural.

Mas não parece que é assim, toda essa história só reflete como as redes sociais e seus usuários podem ser nocivos uns aos outros, que é preciso muita paciência e principalmente sanidade para ‘conviver’ em um meio onde as notícias parecem correr rápido demais a ponto de não dar tempo de uma compreensão mais profunda e muito menos tempo para que as partes envolvidas se exponham, se esclareçam – isso quando elas precisam esclarecer algo.

É absolutamente normal tirarmos quaisquer conclusões, mas expor cada uma nunca será!


Leia a entrevista completa que Rico Dalasan cedeu ao site Noisey aqui;
Leia também nossa review do novo EP de Rico Dalasam, Balangaraba.

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