Ney Matogrosso inspirando e transpirando talento

Falar sobre os nossos ídolos é algo que realmente mexe. E causa algum frisson porque faz parte de nós, da forma mais íntima possível. Nossos ídolos fazem parte do nosso dia-dia, das nossas lembranças, das nossas vivências. Ney Matogrosso é um dos nossos ídolos que dispensa apresentações e que a gente só tem que celebrar, homenagear, respeitar. Um dos grandes nomes da nossa cultura brasileira e não dá para negar. E, se negar, seria a maior imbecilidade.

Na última terça-feira (01), o cara completou 76 anos num momento em que viu o seu nome envolvido numa polêmica – a qual não vamos levantar a bola por aqui – mas a qual sua obra chegou a ser colocada em dúvida por uma leva de gente pequena que jamais vai entender o que afrontar a sociedade, ousar e lutar por direitos realmente significa.

Ney Matogrosso é um ser bem, bem, bem a frente do meu, do seu, do nosso tempo. É aquele cantor que sempre tem muito o que dizer, mesmo quando não precisa falar nada. E falar sobre ele? Não há muito o que dizer já que as palavras não são capazes de traduzir o que é o Ney e o que ele representa.

Transgressor, romântico, performático, humano, sensível, ousado. São mais de 44 anos de carreira entre o seu estrondoso sucesso com o Secos e Molhados e sua espetacular carreira solo. Por falar em Secos e Molhados tenho ouvido bastante o álbum de estreia deles, lançado em 1973. Tenho o vinil original aqui, lançado na época, e me dá um negócio só de colocar para tocar!  A gente se pergunta, como um cara pode ser tão incrível e inspirar dessa forma há tanto tempo?

Falando sério: pega esse disco dos Secos e Molhados – o de estreia – e ouve. Ouve atentamente, com o coração. E pensa o que era esse nosso país na década de 1970, no auge de um regime militar que matou, aprisionou, exilou e sumiu com tanta gente. Devemos muito a nomes como o de Ney pela coragem de afrontar, de falar e gritar aos sete ventos várias verdades e enfrentar quando muitos se acovardaram e se calaram. Muitos tão pulando e saracoteando por aí, graças ao que nomes como o de Ney fizeram e lutaram no passado.

A homenagem concedida ao Ney Matogrosso no Prêmio da Música Brasileira deste ano de 2017 sela a credibilidade, a importância e a relevância de toda sua obra ao cenário musical do país. Sua contribuição artística jamais pode ser contestada. Pode haver, claro, aqueles que não gostam, mas respeito é bom e todo mundo gosta, não é mesmo? Anos atrás ele também recebeu o prêmio por toda sua influência na nossa cultura, do Prêmio Shell. Merecido? Nomes como o Filipe Catto e Johnny Hooker – fãs influenciados assumidamente – estão aí para confirmar que sim. Ninguém acumula tantos e tantos anos de carreira se realmente não tivesse algo bom para acrescentar.

Atrasado, mas com todo nosso amor Ney: Parabéns pelos seus 76 anos e por toda sua contribuição ao nosso país. Importância cultural inquestionável.

Ouça aqui o Secos e Molhados: