Louis Armstrong ultrapassando gerações e inspirando!

Preso em casa por quase um dia inteiro, entediado e sem nenhum plano extraordinário. Abri o Spotify, cansado de escutar tudo o que eu normalmente escuto, e me dei de cara com uma playlist cheia de músicas do Louis Armstrong. Pensei: por que não?

Uma estranha inquietação tomou conta do ambiente, até que eu comecei a ler uma minibiografia do carinha, e li mais do que eu já sabia a respeito dele. Aliás, vocês sabem a história do Louis Armstrong? Se não, eu vou dar uma super resumida aqui. Se liguem…

O dono da voz rouca e forte que consegue arrepiar os nossos mais quietos pelos foi um negro americano, e se isso não bastasse, ele nasceu numa família muito pobre, lá em New Orleans – conhecida como as costas dos Estados Unidos. Tá pouco?

 

Então, seu pai abandonou a família quando ele ainda era criança, e a sua mãe o entregou para que a avó criasse. Mas voltou a morar com a mãe aos cinco anos. Com o passar dos anos, ele começou a trabalhar para tentar ajudar em casa, e foi entrega-jornais e sapateiro. Descobriu que a mãe era prostituta. Comprou um trompete com um dinheiro emprestado e adentrou no mundo da música de vez.

Por uma sorte do destino, ele foi praticamente criado por uma família imigrantes russo-judaica. Aos onze anos, Armstrong montou um quarteto musical e tocou pelas ruas em troca de algum dinheiro. Aos treze, chamou atenção pela forma com a qual tocava trompete. Depois trabalhou numa fábrica de carvão e tocou no Brass Band Parades, onde pôde aprender mais sobre música com  Bunk Johnson, Buddy Petit, Kid Ori e Joe “King” Oliver, além de ter trabalhado com Fate Marable. Louis considerou toda essa experiência como sua universidade.

Ele casou-se, conquistou seu próprio espaço em Chicago, onde morou por longos anos, e em Nova Iorque, ao tocar com a Fletcher Henderson Orchestra (banda Américo-africana de maior sucesso na época), ele foi considerado como um músico emocional e natural.

 

E isso era um fato! Louis Armstrong era um dos maiores artistas do jazz daquele momento. Sua carreira acompanhou os momentos cruciais no surgimento de vários outros artistas e ultrapassou passagens históricas não só da música… Nos anos 1930, ele já havia dirigido, atuado, composto, cantado, sofrido o famoso golpe dos empresários, se divorciado, morado na Europa, e muito mais.

Apesar de todo o sucesso e prestigio, Louis Armstrong sofreu sérios ataques por parte de ativistas negros norte-americanos, que exigiam que ele militasse mais ativamente nos movimentos. Mas ele já estava com sessenta anos àquela altura, e quatro anos antes de morrer dormindo em sua casa ele nos deixou a incrível What A Wonderful World, na qual ele canta:

“Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescendo. Eles vão aprender muito mais do que eu jamais vou saber. E eu penso comigo mesmo: que mundo maravilhoso! ”

 

Pois é, pessoal! E como se não bastasse, suas últimas palavras me fizeram pensar em muita coisa, e eu vou compartilhar com vocês antes de me despedir:

“Eu tive o meu trompete, uma vida linda, uma família, o Jazz. Agora estou completo”

E a gente? O que tivemos, temos e teremos em nossas vidas? E o que estamos fazendo com tudo isso? Podemos considerar maravilhosa também a nossa jornada?

 

 

Tagged with: