Sobre música e seu papel representando o universo LGBT

Artistas LGBT

Mais que apenas uma artista explodindo nas paradas de sucesso, mais que só mais uma cantora, Pabllo Vittar é um ato político. Ela, assim como tantos outros nomes do universo LGBT, como Johnny HookerJalooAssucena Raquel da banda As Bahias e a Cozinha MineiraBanda UóAna CarolinaMaria Gadú e tantos outros nomes estão dando uma nova cara à música brasileira e, consequentemente, à sociedade desse país, ditando cultura, modos e influenciando debates e conversas sobre diversidade.

Porém nem tudo são flores e boas perspectivas: no mês passado vimos que o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, concedeu liminar – movida por uma psicóloga evangélica “missionária” com seu registro profissional cassado desde 2009 – que diz, entre linhas, que psicólogos de todo país possa propor tratamentos de reversão sexual. Na prática homossexuais, transsexuais e bissexuais poderiam ser tratados por profissionais a fim de reverter seu quadro, sua sexualidade.


Leia mais: Vem conhecer cantores gays que amamos – aqui! 

CURA GAY? 

O que falar dessa liminar? Um absurdo sem tamanho, que só não é mais grave quando associamos todo esse retrocesso com o avanço da representatividade LGBTQ em toda classe artística/musical em nosso país. Como dito lá no começo, o fato de termos uma Drag Queen ocupando com três músicas o top 5 de canções mais executadas no Spotify Brasil é um feito mais que especial, é necessário.

Pabllo Vittar hoje colhe os frutos de um sucesso sem precedentes, visto que há pouco tempo atrás seria quase impensável vermos uma drag ocupando um espaço que até então, era só pra dita maioria. Ao mesmo tempo tivemos, também no mês passado, a apresentação que provavelmente marcou a história do Rock in Rio, quando no palco sunset, Johnny HookerLiniker e os Caramelows e o cantor Almério, protagonizaram um verdadeiro ato em repúdio a tanto retrocesso: teve hits dos artistas, teve militância, teve beijo – o mesmo protagonista de censura no Youtube.

É como se vivêssemos paradoxo: se cada dia que passa vemos, ouvimos e assistimos cada vez mais artistas LGBTQ emergindo no mainstream, dominando rádios e redes sociais, se nessa mesma linha cada vez mais artistas se veem a vontade em se libertar de suas convenções e assumindo sua sexualidade diversa, temos também muito retrocesso.

O Brasil é o que mais mata LGBT no mundo, conforme o levantamento do Grupo Gay Da Bahia (um dos pioneiros na militância pró-LGBT), só em 2017 a cada 25 horas uma pessoa que se identifica como homossexual, transgênera ou bissexual, foi brutalmente assassinada por motivações fúteis. Um número assustador que é pior que, por exemplo, países como a Rússia onde ser LGBT ainda é um crime. Isso sem contar tantos e tantos outros casos de agressões físicas e verbais que todo, T-O-D-O, LGBT é suscetível.

E é nesse ponto que é de suma importância que mais e mais artistas como Pabllo Vittar ou Johnny Hooker, ou qualquer outro, façam mais e mais sucesso. Principalmente aos nossos adolescentes.

 

UM PASSO PARA FRENTE E OUTRO PRA TRÁS?

Hoje os jovens estão mais confiantes de revelar sua sexualidade, estão cada vez mais cedo assumindo pra si, pra família, pra sociedade, ajudando direta ou indiretamente outros a, principalmente, se entenderem. Consequentemente influenciando artistas a tomarem posições, usando muitas vezes a música como principal arma.

Vejam bem, quando vemos um gay e uma mulher trans protagonizando uma das principais apresentações em um dos principais festivais de música, quando vemos uma drag queen dominando paradas musicais tendo sua voz chegando a audiências internacionais, é que notamos o quanto essa representatividade importa para que no mínimo, nos force a debater sobre questões que são tratadas como tabus.

São artistas como os citados aqui, como tantos e tantos outros que influencia de alguma forma o entendimento de um sociedade sobre o que é ser diverso, o quanto somos iguais e absolutamente normais. Se em diversos aspectos estamos regredindo, que a música e esses artistas persistam em nos lembrar que podemos sim progredir.


Que tal seguir a gente no Instagram e no Facebook? Só vem e fique por dentro do mundo da música com bastante inspiração! E tem nosso Twitter também.