Retrospectiva: O que rolou na música em 2018

O que rolou na música em 2018 - Retrospectiva

A gente deixa para trás o ano velho, mas faz uma retrospectiva com o que rolou na música em 2018 Os melhores discos do ano, quem se deu bem, quem não, quem vai deixar saudades, as mulheres de 2018, enfim… uma geral no que tivemos de mais interessante e que vale a pena lembrar, incluindo aquilo que muita gente já nem lembrava mais.

Nós sempre falamos sobre como o tempo tem voado. Outros reclamam que parece mais que tivemos vários anos dentro de um ano só. 2018 foi um ano e tanto.

Por aqui, tiramos um ano quase que sabático para tentar colocar a casa em ordem. Pra verdadeiramente entendermos o real significado do Música Inspira. O número de acessos que tivemos ao longo desse período foi surpreendente. Obrigado a todos que mandaram energias para que, de alguma forma, voltássemos a produzir nosso conteúdo. Sempre com carinho.

Disco Elza Soares Deus É Mulher
Elza Soares lançou o álbum Deus é Mulher e ainda biografia escrita por Zeca Camargo.

Se para o Música Inspira o ano de 2018 foi, digamos, calmo, fora tivemos um ano marcado pela polarização política, por discussões acaloradas e intermináveis, por uma eleição presidencial que deixou todo mundo de cabelo em pé – seja de qualquer lado que você estivesse na disputa. O reflexo disso pôde ser sentido também na música, basta recordar os lançamentos dos discos Brasileiro, do Silva e Deus é Mulher, de Elza Soares. Enquanto o primeiro resgatou as suas raízes na nossa cultura fazendo com que seu disco fosse uma espécie de oásis de calmaria diante o turbilhão que viria a seguir, Elza aproveitou para escancarar ainda mais algumas verdades na nossa cara, sempre lúcida e cada vez mais consciente da importância da sua voz que não pode se calar. Aproveitando, o que falar da biografia da Elza escrita pelo jornalista Zeca Camargo e lançada no final de 2018? Leia agora mesmo, sério!

O que rolou na música em 2018: Roger Waters
Imagem: Reprodução / Telão de um dos shows de Roger Waters no Brasil indicando o nome de Bolsonaro como neofascista.

Outro ponto de enorme repercussão foi a polêmica envolvendo o posicionamento político do músico Roger Waters, ex-integrante do Pink Floyd, que – em seus shows no Brasil – exibiu o nome do presidente eleito Jair Bolsonaro taxando-o como fascista. Entre gritos de apoio e vaias, Roger Waters seguiu a turnê e colocou ainda no telão a palavra “censurado”, o que gerou uma nova onda de discussão ainda mais acalorada, chegando a manifestação do artista ser alegada como propaganda política, já que aconteceu durante o processo eleitoral do país. Salvaram-se todos?

2018 também foi um ano que as barreiras globais caíram ainda mais. Já faz anos e anos que o K-POP está aí construindo sua base de fãs que beiram a loucura, mas foi apenas em 2018 que as bandas coreanas realmente conquistaram o globo. BTS, Exo, Black Pink, SHINee….Nunca se falou tanto de música asiática no ocidente. Ou você já tinha ouvido canções coreanas nas rádios brasileiras? Ou ainda uma banda coreana ir discursar na Assembléia das Nações Unidas, em NY, como fez o BTS? Vale relembrar que alguns anos atrás tivemos o sucesso viral de Gangnam Style, do Psy, que certamente tem o seu papel na contribuição para o estrondoso sucesso do K-POP no mundo.

O que rolou na música em 2018: BTS Vogue Magazine
Boyband sul-coreana BTS em ensaio para a Vogue. Fotógrafo: Rony Alwin

Vimos também que o flop vem para todos. Não adianta se esconder, a sua hora vai chegar. Se 2017 tinha sido um ano difícil para Katy Perry, o ano de 2018 escolheu Justin Timberlake para ser sua vítima. Acostumados a ver o “Presidente do Pop” emplacando hit atrás de hit, seu quinto álbum solo Man of the Woods pode até ter alcançado o primeiro lugar nos charts quando foi lançado, mas o tempo passou e ninguém se lembrava que o disco tinha mesmo sido lançado em 2018. Precisamos falar do Liberation, da Christina Aguilera? Ou de Caution, da Mariah Carey?

O que rolou na música em 2018: Drake God's Plan Video
Drake e sua God’s Plan terminam o ano como a música mais vendida e ouvida nos Estados Unidos em 2018!

Deixando de lado a brincadeira com a questão do flop, mas existe aqui um movimento importante a ser observado e que já tem ganhado destaque pela imprensa musical em todo o mundo. Nomes que estávamos acostumados a ver figurando no topo dos rankings da música pop, tentam emplacar novos hits e tem encontrado certa dificuldade. A culpa – se é que alguém tem culpa nisso – é da própria sociedade. As transformações sociais e culturais tem feito com que outras manifestações culturais ganhem força. O pop já não é mais tão pop assim. Dados do Instituto Nielsen indicam que o rap e suas vertentes (hip-hop e R&B) se tornaram o gênero musical mais consumido nos Estados Unidos e o fato gera um movimento cascata em todo o mundo já que os norte-americanos ditam tendências no entretenimento. Dos 20 discos mais vendidos em 2018 por lá, de acordo com dados da Billboard, 15 são de rap/hip-hop/R&B. Drake e Post Malone encabeçam essa lista.

Alguns retornos também fizeram a alegria no ano que passou e, certamente, vão trazer ainda mais felicidade em 2019. As Spice Girls anunciaram o tão aguardado comeback e saem em turnê em maio. A Dido também retorna aos palcos depois de quinze anos sem fazer shows! Já a boyband irlandesa Westlife sai em turnê que comemora os 20 anos do grupo depois de quase uma década separada. Por aqui, no Brasil, tivemos os Los Hermanos colocando à venda ingressos para poucos shows entre abril e maio de 2019! Será que o ano que vem promete?


O ANO DOS MUSICAIS

Nada melhor que um dia após o outro. Justin pode ligar agora mesmo para Lady Gaga e tirar algumas lições sobre como recuperar a sua carreira após algumas cambaleadas. Em 2018 Lady Gaga ressurgiu como uma fênix. A cantora estrelou o seu primeiro filme e garantiu indicação ao Globo de Ouro pela sua atuação. Nasce Uma Estrela coroou a cantora que fez uma atuação espetacular. O single Shallow, tema do filme, conquistou fãs mundo a fora e garantiu lugar nas paradas por todo o planeta. Não espantaria ver tanto a canção quanto Gaga sendo indicadas ao Oscar deste ano. Veremos.

O que rolou na música em 2018: Filme Bohemian Rhapsody - Queen
À esquerda, o ator Rami Malek que interpreta Freddie Mercury, o original na foto à direita.

Falando ainda em filme musical, 2018 foi um ano realmente intenso. Estrearam nos cinemas o segundo filme da franquia Mamma Mia e também o filme biográfico Bohemian Rhapsody. O filme que conta a história de Freddie Mercury e da banda Queen superou qualquer expectativa e se tornou o filme biográfico musical mais bem sucedido da história atingindo, em apenas três meses, a marca de mais de 250 milhões de dólares em bilheteria! Sucesso comercial também foi o que rolou com o filme The Greatest Showman (O Rei do Show), estrelado por Hugh Jackman. A trilha sonora do musical terminou o ano como o quarto disco mais vendido nos Estados Unidos em 2018. Já na Inglaterra foi o disco mais vendido do ano, atingindo a marca de 24 semanas (não consecutivas) em primeiro lugar, fazendo do álbum o mais bem sucedido neste milênio por lá! Recorde atrás de recorde. A canção This is Me ainda levou pra casa o Globo de Ouro de Melhor Canção Original! Quer saber as cifras de The Greatest Showman? O filme se tornou o terceiro mais lucrativo filme musical de todos os tempos arrecadando mais de 430 milhões de dólares!


AS MULHERES DE 2018

Enquanto Gaga conseguiu reposicionar a sua carreira, tivemos outros nomes que cravaram de vez o seu nome na indústria fonográfica. Cardi B lançou um dos melhores álbum do ano, se envolveu numa sequência de escândalos e confusões, e mostrou que veio para ficar, de vez. Nicki Minaj pode não ter ficado contente com o sucesso da rival declarada, menos ainda com o desempenho do seu disco Queen que fez pouquíssimo barulho e passou despercebido por muita gente.

Depois de anos com o seu grupo Fifth Harmony, Camila Cabello lançou, enfim, o seu primeiro álbum solo. Certamente o desempenho da cantora tem surpreendido até mesmo os seus fãs mais fieis. O álbum pode não ter sido um grande sucesso comercial, mas Camila vem lotando shows em todo o mundo e arrasando em premiações.

O que rolou na música em 2018: Billboard Magazine Ariana Grande Woman of the Year
Revista Billboard coroa Ariana Grande como a Mulher do Ano!

Ariana Grande é outro nome de destaque de 2018, sendo premiada até como Mulher do Ano, pela Billboard. Alguns dos singles lançados pela cantora chegaram a aparecer em diversas listas de melhores gravações do ano, uma delas a do NME. No clipe de God is a Woman ainda tem versinho recitado pela rainha suprema Madonna.

Anitta continuou brilhando em 2018, pelo menos nas redes sociais. Lançou faixas em inglês, espanhol, foi jurada da versão mexicana do reality The Voice, cantou no Rock in Rio Lisboa, ganhou documentário da Netflix – disponibilizado para o mundo inteiro. Já nas rádios a coisa foi beeeeem diferente. De acordo com ranking divulgado pela Billboard Brasil, das faixas mais executadas nas emissoras do país no ano passado, o single da cantora com melhor posição na lista é Vai Malandra que aparece apenas na posição 77.

Sempre tem uma novata que rouba a cena. FELIZMENTE. Ella Mai conquistou fãs em todo o mundo e foi uma das cantoras mais bem-sucedidas ao longo de todo o ano de 2018. O seu álbum de estreia, lançado em outubro, que leva o seu nome, chegou a atingir o primeiro lugar da parada da R&B da Billboard! Talento não lhe falta e tem um futuro bastante promissor para gente prestar atenção. Ah, tem mais uma que vale a pena ficarmos de olho: a espanhola Rosalía, mas logo logo a gente te conta mais sobre a cantora.

O que rolou na música em 2018 também foi que outras duas inglesas mandaram bem: Jess Glynne e Rita Ora. As duas conseguiram bater seus próprios recordes. Jess é a cantora britânica com mais singles em número 1 da história, na terra da Rainha. Já Rita Ora é a única mulher inglesa a emplacar 13 singles no Top 10 por lá! Alguém tem dúvidas que elas tem muito potencial para seguir batendo recordes?


QUEM VAI DEIXAR SAUDADES

Seja seguindo o ciclo normal da vida ou por circunstâncias inesperadas, tivemos várias perdas em 2018 que vão deixar uma legião de fãs com saudades.

2018 mal tinha começado quando, em janeiro, tivemos o anúncio da morte da vocalista do The Cranberries Dolores O’Riordan. A cantora tinha apenas 46 anos e veio a óbito depois do alto consumo de álcool que a fez perder a consciência e se afogar na banheira de um hotel em Londres. Ainda em janeiro também tivemos a notícia da morte, por suicídio, do cantor e ator Mark Salling, que fez parte da série musical Glee.

A lenda Aretha Franklin também nos deixou neste último ano. Uma das maiores vozes da história da música lutava contra um câncer desde 2010, mas, aos 76 anos, a cantora não resistiu e faleceu no hospital depois de alguns dias de internação. Mantendo o nível lá em cima, tivemos também a perda da cantora Montserrat Caballé, que ganhou bastante popularidade ao gravar com Freddie Mercury nos anos 80. A causa da morte não foi divulgada. O francês Charles Aznavour, considerado a versão francesa de Frank Sinatra, foi encontrado morto na banheira da sua casa. O cantor teve uma parada cardiorrespiratória e veio a falecer aos 94 anos. Por aqui, perdemos um ícone da música brasileira, a cantora Angela Maria. Sua trajetória será contada em minissérie que está sendo produzida pela TV Globo e deve estrear neste ano.

O que rolou na música em 2018: Morte Queen of Soul Aretha Franklin
A grande rainha do Soul Aretha Franklin foi uma das despedidas de 2018.

A Grande Dama do samba também partiu em 2018. Com mais de 70 anos de carreira, Dona Ivone Lara, faleceu aos 96 anos. Suas composições foram cantadas por nomes como Caetano Veloso, Clara Nunes e Maria Bethânia. Quem nunca cantarolou um dos seus maiores sucesso, a faixa Sonho Meu? Dona Ivone Lara era e continuará sendo patrimônio cultural do Brasil.

O cantor sul-coreano Seo Min-Woo faleceu, aos 33 anos, vítima de um infarto. Outra morte prematura foi a de Timmy Matley, integrante do grupo inglês The Overtones. Apesar de estar lutando contra um câncer, o cantor que tinha apenas 36 anos, acabou caindo da sacada de um prédio após o consumo excessivo de drogas.

O que rolou na música em 2018: Morte Rapper XXXTentacion
Rapper XXXTentacion foi assassinado a0s 20 anos.

O mega DJ e produtor Avicii, de acordo com anúncio da sua família, cometeu suicídio e foi encontrado no quarto de um hotel no Oman. O rapper Mac Miller sofreu uma overdose de drogas e faleceu com apenas 26 anos. Ainda no universo do hip-hop, XXXTentacion foi assassinado aos 20 anos enquanto saia de uma concessionária de motos em Miami.

Um dos maiores nomes do funk carioca, Mr Catra, também nos deixou em 2018. Catra estava em tratamento por conta de um câncer no estômago e faleceu aos 49 anos por complicações da doença.

Não podemos deixar de mencionar ainda a partida de Arthur Maia e de Sérgio Knust, dois músicos talentosos e bastante respeitados na cena. Também em 2018, aos 56 anos de idade, o produtor musical Miranda – nome responsável por lançar bandas como Raimundos e Skank – sofreu um mal súbito em casa e não resistiu.

E já no finalzinho do ano tivemos a partida da cantora Miúcha que acumulou mais de 40 anos de carreira e canções com Tom Jobim.

Que todos eles descansem em paz e recebam o carinho de seus fãs onde quer que estejam.


AS MAIORES E AS MELHORES MÚSICAS DE 2018

Quantos anos tivemos dentro de 2018? Aconteceram tantas e tantas coisas, outras tantas músicas “hitaram” que fica difícil de acreditar que foi nesse ano que a gente cantou e dançou com elas. Parece que foi nesse ano que tivemos o tsunami da Jojo Toddynho, com seu ultra hit Que Tiro Foi Esse? Ou que Envolvimento, da MC Loma & as Gêmeas Lacração dominou o carnaval? Vai Malandra, da Anitta, também teve seu lugar garantido nas playlists no início de 2018.

O que rolou na música em 2018: Gusttavo Lima
Gusttavo Lima teve a faixa mais executada nas rádios do Brasil em 2018.

Ao mesmo tempo que algumas canções ganham repercussão quase que estratosférica, temos aqueles hits que marcam apenas a sua bolha e acabam faturando milhões dentro daquele segmento específico. Que o Brasil é o país do sertanejo, disso ninguém tem mais dúvidas. Mas que tal a constatação, feita pela Crowley – empresa que contabiliza, através de um software interligado no sistema das rádios brasileiras, a quantidade de execução das músicas na programação das emissoras – que revela que das 100 canções mais executadas no Brasil em 2018, 80% são de cantorxs e duplas sertanejas tradicionais, mas principalmente os ditos sertanejos universitários? Gusttavo Lima foi o mais tocado no Brasil, com a sua Apelido Carinhoso, mas a lista ainda traz Marília Mendonça, Luan Santana, João Neto & Federico entre tantos outros. Impressionante ainda é ver que das 100 faixas, apenas duas músicas são de artistas internacionais: Havana, da Camila Cabello e Perfect, do Ed Sheeran – ambas lançadas em 2017, mas que ainda mandaram ver em 2018. Será rola um último suspiro em 2019?

Muita gente tem ranço só de ouvir a palavra boyband. Sinônimo de criancice com sofrência? Algumas vezes sim, mas não dá para contestar a evolução que os australianos do 5 Seconds of Summer tiveram nestes últimos anos. O resultado desse amadurecimento, incluindo musical, pode ser visto no seu álbum Youngblood e na faixa que dá título ao trabalho. Youngblood deve continuar no repeat aqui por um bom tempo.

Que tal terminar o ano como a faixa mais ouvida/comprada nos Estados Unidos em 2018? E estar entre as 10 mais do ano na Inglaterra? Realmente é um feito e tanto e é com sorrisão que Drake e sua God’s Plan conquistaram os charts. No Youtube, o videoclipe soma mais de 910 milhões de visualizações.

Atire a primeira pedra quem não arriscou cantar O Sol, do Victor Kley! A música marcou presença durante todo ano nas rádios do país, conseguindo destaque entre as inúmeras canções sertanejas que mencionamos anteriormente, e também no ranking dos serviços de streaming.

ALGUMAS DE NOSSAS FAVORITAS DE 2018:

  • George Ezra – Shotgun
  • Panic At The Disco – High Hopes
  • Rosalía – Malamente
  • Cardi B – I Like Like That
  • Marshmallow feat Bastille – Happier
  • Rita Ora – Let You Love Me
  • Cheryl – Love Made Me Do It
  • Lady Gaga & Bradley Cooper – Shallow
  • Childish Gambino – This Is America
  • Calvin Harris feat Sam Smith – Promises
  • Troye Sivan – My My My
  • The Carters – Apeshit
  • Grace Carter – Why Her Not Me
  • Sam Fender – Dead Boys
  • IZA – Dona de Mim
  • Lily Allen – Trigger Bang
  • Elza Soares – O que Se Cala

Aconteceu em 2018… mas (talvez) você nem se lembre:

  • Avril Lavigne lançou o primeiro single da nova era. Head Above Water marca o retorno da cantora que está sem lançar um álbum desde 2013.
  • A cantora Cher lançou disco com regravações de músicas do ABBA! Depois de participar do segundo filme da franquia Mamma Mia, Cher se animou tanto com a atmosfera criada em torno das gravações e resolveu dar sequência no projeto e se dedicar a um álbum inteiro. 
  • Karol Conká despontou, há alguns anos, com uma das grandes promessas da música. Por esta razão, seu segundo álbum foi cercado de grande expectativa, mas não rolou. Com produção do Boss in Drama, apesar de ambos serem muito talentosos, ficou cansativo ao ser dedicada a um álbum inteiro e não uma ou duas faixas. Não mostrou Karol evoluindo, mas sim dando um passinho pra trás.
  • A banda inglesa Wolf Alice foi a grande vencedora do Mercury Prize 2018, um dos prêmios mais respeitados da indústria da música. O álbum Visions of a Life que saiu no final de 2017 bateu concorrentes de peso como Lily Allen, Florence and the Machine e o rapper The Novelist.
  • Sabe o que Jessie J, Jason Mraz, Kimbra, James Bay, Black Eyed Peas, Olly Murs, Thirty Seconds to Mars, Tinashe, Alessia Cara têm em comum? Todos eles lançaram disco em 2018, você sabia?
  • A cantora que representou Israel foi a grande vencedora da edição de 2018 do Eurovision! Netta e seu single Toy conquistou uma audiência de milhões de espectadores, principalmente do público LGBT. Foi a quarta vez que Israel ganhou a competição.

OS MELHORES DISCOS DE 2018

Ser um sucesso comercial ou ser aclamado pela crítica?

Muitas vezes até parece que há uma espécie de rejeição seletiva com aqueles álbuns e músicas que caem nas graças do público e os críticos fazem questão de ignorá-los, afinal sucesso comercial não seria um fator positivo para aquilo que é considerado como “arte”.

Uma bobagem imensa. Mas a justificativa é que todos ficam buscando motivos para tentar encontrar aquele disco que pode chamar atenção e eles possam ganhar o crédito como “os descobridores” do hype. Evidente que há uma quantidade imensa de ótimos discos que sequer passam perto das playlists da maioria das pessoas, entretanto há também que se destacar aqueles que vendem, afinal é para vender que se lança um trabalho, não é mesmo? Os boletos chegam para todo mundo, até mesmo para Taylor Swift!

Um dos melhores trabalhos de 2018, sem dúvidas, é o disco OK OK OK, do Gilberto Gil - OKOKOKGilberto Gil. O álbum pode parecer ingênuo numa primeira audição, então sugiro que ouça com calma para poder compreender o que está nas entrelinhas. Gil lança um trabalho inédito tempos depois de ter um sério problema de saúde. O disco serve como uma espécie de terapia e renascimento. E deixa claro que, às vezes, as pessoas querem tanto a nossa opinião sobre algo, mas não se dão conta de que o silêncio é a melhor resposta que poderia ser dada.Carne Doce Tônus

Não faz muito tempo que ouvi um comentário sobre os modismos do Brasil e que São Paulo tem a habilidade de emitir um raio gourmetizador no indie e dizer que é música … comentário bastante preconceituoso, por sinal… mas o hype indie do ano não vem da capital paulista. O destaque da vez é o terceiro trabalho da banda goianense Carne Doce que lançou o ótimo álbum Tônus. Com letras poderosas que discutem desde o aborto até patriarcado, a banda já revelou em entrevistas que muitas das questões políticas tratadas nas músicas aconteceram naturalmente e que a fama de ser um “álbum político” foi dada pelo público e pela imprensa.

Por falar em dar, já deu uma chance pro Jão? O cara é responsável por lançar Lobos, um dos melhores discos pop do ano. Como todo o seu sucesso prévio Jão Lobos Albumna internet, conquistado pela postagem de inúmeros videos covers, o cantor já foi preparando o terreno e conquistando uma legião de fãs dedicados e alucinados que ficaram satisfeitos com o lançamento, mas já não estão aguentando pelo próximo trabalho.

Indicado ao Grammy, aclamado pela crítica e adorado pelos fãs, o disco Dirty Computer é uma das coisas mais legais de 2018! A cantora Janelle Monáe pode ficar bem orgulhosa do trabalho pois faixas como Make Me Feel, inspiradas pela musicalidade e personalidade do Prince, são dificeis de tirar da Janelle Monae Dirty Computer Albumcabeça. Não é à toa que figura entre os melhores do ano!

O rock continua sendo muito bem representado pelo Arctic Monkeys. Eles nunca decepcionam. Incrivel como uma banda consegue se manter num nível tão elevado de qualidade de forma tão constante. O ótimo Tranquility Base Hotel & Casino chegou a ser indicado ao Mercury Prize 2018, o prêmio máximo e mais respeitado da música inglesa, como um dos melhores trabalhos do ano! E tem shows dos caras marcados aqui pro Brasil em 2019! George Eza Staying_at_Tamara's_(album)

Por falar em show, em 2018 recebemos aqui no Brasil o inglês George Ezra que trouxe as canções do seu mais recente lançamento: Staying At Tamara’s, seu segundo álbum. E podemos dizer que o cara acertou a mão. Depois de um ano morando em Barcelona – pra se inspirar e preparar o novo trabalho – o disco trouxe uma energia contagiante que pode ser sentida na sua presença de palco e nas letras das suas composições. Shotgun é uma das grandes músicas do ano e o disco deve continuar no repeat em 2019.

A música francesa também tem sua representante entre os trabalhos mais interessantes do ano. Christine And The Queens certamente sentiu a pressão Christine And The Queens Album Chrispelo seu lançamento depois do imenso sucesso do álbum Chaleur Humaine, de 2014. Mas o novo disco veio como uma cereja para o bolo. O álbum Chris continua trazendo sua mistura de francês com inglês e prova que ela tem uma musicalidade única e bastante forte.

O filtro criativo para que Silva produzisse o seu mais recente disco foi se deparar com o caos nas relações que a política brasileira tem demonstrado incansavelmente. Então por que não explorar a leveza, a sutileza e tentar resgatar o que há de bom no brasil? O brasileiro! Aliás, Silva leu o livro O Povo Brasileiro, do antropólogo Darcy Ribeiro, que o ajudou a compreender mais as peculiaridades do nosso povo. Brasileiro, o disco, pode não ter o impacto que trabalhos anteriores do cantor tiveram, mas é um álbum que precisa ser conhecido, estudado e compreendido. Tem muito mais de nós nele do que podemos imaginar. E como bem diz a faixa que divide os vocais com Anitta.. no final “fica tudo bem, fica fica fica tudo bem”.

Outros álbuns DE 2018 que merecem destaque:

  • Troye Sivan – Bloom
  • Novelist – Novelist Guy
  • Elza Soares – Deus é Mulher
  • Zayn – Icarus Falls
  • Honne – Love Me / Love Me not
  • Cardi B – Invasion of Privacy
  • Mat Kearney – Crazy Talk
  • Lily Allen – No Shame
  • Baco Exú do Blues – Bluesman
  • Kylie – Light Of Mine
  • Hayley Kiyoko – Expectations
  • Kali Uchis – Isolation
  • Jorja Smith – Lost And Found
  • Bazzi – Cosmic

Agora é continuar acompanhando o Música Inspira e ver o que 2019 vai nos trazer!