RIP: Morre o músico Marcelo Yuka

Marcelo Yuka

Marcelo Yuka, ex-integrante da banda O Rappa, faleceu, aos 53 anos, em decorrência de infecção generalizada, na noite desta sexta-feira (18), no Rio de Janeiro, onde estava internado havia alguma semanas. O músico entrou em coma induzido, no dia 04 de janeiro, por conta de complicações no seu quadro de saúde que vinha apresentando pioras nos últimos anos.

Yuka ganhou notoriedade como um dos fundadores e integrantes d’O Rappa, onde ficou até meados de 2001. Sua saída ou sua retirada da banda, como o próprio músico chegou a afirmar, aconteceu tempos depois de Yuka ter sido vítima de um assalto que o deixou paraplégico.

Chega a ser prepotente dizer que Marcelo Yuka “carregou” a banda, mas é Marcelo Yukainegável que com parte das suas composições, O Rappa atingiu prestígio, reconhecimento e arrastou muita gente para curtir o som dos caras. .

O álbum de maior sucesso da banda, Lado B Lado A, lançado em 1999, consolidou Yuka entre os grandes. A Revista Rolling Stone elegeu o álbum como um dos 100 melhores discos da música brasileira. Das 12 faixas do álbum 7 foram escritas por Yuka, entre elas Minha Alma (A Paz que eu não Quero) e Me Deixa. Parece que foi ontem que aquele videoclipe que esfregava na nossa cara a tradução visual da realidade nua e crua que acontecia (e ainda acontece) nas periferias do Brasil afora, estreava e conquistava prêmios e mais prêmios. Uma obra prima. O perfeito casamento entre imagem e som que deu vida ao que Yuka detalhou e emocionou na sua letra.

O que Sobrou do Céu, também composta por Yuka, chega a soar como uma retórica infeliz neste momento em que nos despedimos do músico. Os anos pós o Rappa não foram os melhores. Em diversas entrevistas Yuka admitiu que o desejo de se matar era recorrente e, assim, a depressão veio.

Marcelo Yuka sempre entendeu o poder que tinha nas suas mãos. Suas letras serviram de instrumento para retratar as mazelas e as incoerências da nossa sociedade tão desigual. Yuka ia além. Seu papel na sociedade não era somente compondo canções, mas também se envolvendo em causas sociais, participando ativamente da construção de um mundo mais justo. Chegou a ser candidato a vice prefeito do Rio de Janeiro, em 2012, na chapa com Freixo.

Yuka foi tema de documentário, escreveu livro sobre suas memórias, as dificuldades ao conviver com dores e recorrentes problemas de saúde pós assalto onde o músico levou nove tiros e ficou paraplégico. Mas nada foi pior do que ter sido demitido da banda que ele mesmo ajudou a criar.

Resgatando outros sucessos que foram compostos por Marcelo Yuka ainda estão as canções A Feira e, talvez, a de maior sucesso do Rappa a música Pescador de Ilusões, lançadas no álbum Rappa Mundi, de 1996.

Fora da banda, Yuka chegou a se arriscar na música em dois projetos distintos. O primeiro foi, em 2005, com a formação da banda F.U.R.T.O. Em 2017, veio o lançamento de disco primeiro disco solo. Canções para depois do ódio narrou sua experiência com a depressão, o consumo excessivo de medicamentos antidepressivos e suas mensagens politizadas, como sempre.

Estamos tão acostumados a ser reativos que Yuka, em suas letras, nos trazia o senso de humanidade. Ele era capaz de nos fazer refletir e viajar nas suas composições. Um músico que fará falta, afinal talento, ciência da sua responsabilidade social enquanto pessoa pública e sensibilidade são características para poucos.

Voa Marcelo Yuka! Ilumina a gente de onde você estiver!

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