Macy Gray lapidada no seu décimo disco Ruby

Macy Gray Album Ruby

O décimo disco de Macy Gray chega às plataformas digitais e às lojas nesta sexta-feira, pelo menos aqui no Brasil. Ruby traz doze faixas, e reforça o talento inquestionável da cantora que acaba de comemorar 20 anos de carreira.

Incrível ainda de acreditar que alguns lançamentos são feitos de forma pontual e regionalizada em pleno 2019. Ruby foi originalmente lançado pelo mundo a fora em setembro de 2018, mas chega ao mercado brasileiro com uma estratégia um tanto duvidosa, quando muita gente já ouviu o trabalho que é facilmente encontrado na rede. Porém, nada disso tira o brilho e a força que um álbum bem produzido tem. 

Era o ano de 1999 quando Macy Gray conquistou o mundo com seu single I Try e com o seu álbum de estreia On How Life Is. O disco vendeu mais de 7 milhões de cópias e colocou a cantora nos holofotes e também a consagrou com algumas indicações ao Grammy, onde faturou o prêmio de melhor performance pop feminina, além de outros prêmios, claro. 

Macy Gray On How Life Is
On How Life Is completa 20 anos em 2019.

A carreira de Macy Gray tem sido marcada por altos e baixos. Enquanto alguns discos chamaram atenção, outros trabalhos passaram despercebidos, mas o que a gente precisa levar em consideração é que talento não lhe falta e seus materiais são sempre de muito bom gosto.

Macy Gray carrega um tom refinado, sofisticado. Não espere singles comerciais, mas melodias que valem a pena serem ouvidas com atenção e, principalmente, apreciando sua voz e o talento de seus, sempre competentes, músicos.

MACY GRAY – UMA JOIA QUE BRILHA

Ruby, seu décimo álbum, traz Macy em plena forma. Como uma joia que é lapidada, a cantora faz de Ruby um presente aos amantes de seus trabalhos. É um presentão, sem sobra de dúvidas. Vale a pena também arriscar no seu lançamento anterior, o álbum Stripped, que traz várias gravações da cantora com novos arranjos e ainda mais sofisticados, se é que é possível. É como estar com a Macy na nossa sala, cantando só para gente. 

Tem como um disco que abre os trabalhos com uma faixa parceria entre Macy Gray e Gary Clark Jr? É assim que Ruby vem nos presentear logo de cara. Buddha é um convite a pensar sobre a vida, sobre como a gente lida com nossos sentimentos e frustrações. Será que a gente tem tempo para esconder aquilo que estamos sentindo? Se sentir preso num relacionamento, por exemplo? Não perder tempo e seguir em frente é a mensagem.Over You é mais uma faixa que vai embalar corações. Fala de amor, de como o cupido é safado e arrebata a gente. Ouve e conta para gente se não é uma delíci! É daquelas canções que faz a gente querer cantar junto!

Outro destaque de Ruby é a faixa White Man, coescrita por Ryan Tedder (One Republic). Tudo o que ele costuma por a mão, vira ouro. A introdução com as palmas, incluse, pode te remeter a alguma canção do One Republic. Mas o ponto alto é a letra extremamente relevante nos dias atuais. White Man fala da sua força, de como os tempos mudaram, felizmente. Macy canta para relembrar que ela não é sua avó e que ela não precisa baixar a cabeça para nada, seja porque ela é uma mulher, seja por ser negra. É uma canção poderosa, de reflexão e que ganhou um clipe também disposto a te fazer pensar. Vale a pena.

O disco ainda traz a parceria entre Macy Gray e a cantora e compositora Meghan Trainor. Sugar Daddy é divertida, com uma letra cheia de duplos sentidos, mas completamente dispensável ao álbum. Não se encaixa e é uma pena ter sido escolhida como single, enquanto há outras muito melhores a serem trabalhadas. Mas a gente entende… o mundo precisa de mais uma faixa pop para acumular alguns views e ter alguma repercussão adicional. Importante pontuar que a canção havia sido oferecida para Rita Ora, em 2016, mas acabou não entrando no disco da cantora.

“I’m forever in your brain
I’m the memory that you won’t forget
You say my name
When you tell about the best you ever had” – When it ends

Estranhamente, após a inocência duvidosa de Sugar Daddy, vem a ótima When It Ends. Que tal aquela canção que fala sobre as lembranças de um relacionamento que já não existe mais? “Você diz o meu nome, quando fala sobre a melhor que já teve“. Será que terminaram bem? Jealously é outra que parece ter sido tirada de um filme dos anos 80, mas com elementos modernos. Merece atenção.

UM EXCELENTE FIM

Jamais pule But He Loves Me, uma voz e um piano que fazem toda diferença. A faixa fala de como o parceiro se transforma por conta do vício em alcóol e como a relação ficou perigosa, com Macy Gray se colocando no papel de uma mulher que sofre ao não enxergar o quão abusivo é aquele relacionamento, dizendo que o parceiro a ama acima de tudo, mesmo quando ela a trata de forma agressiva. Intensa.

Se o disco abre muito bem, ele – felizmente – também termina. Witness é um  reggae poderoso, com produção impecável. Macy Gray é uma grande admiradora do estilo e por diversas vezes já incluiu canções de Bob Marley, por exemplo, em seus shows. Ela canta que adoraria ser Jesus para consertar muita coisa, mas enquanto humana ela já tem feito muita coisa boa, pra nossa felicidade.

Ruby é, de fato, um disco excelente. Tem alguns excessos mas a grandiosidade do trabalho chancela o que Macy Gray é. Décimo álbum e, mesmo que o trabalho não tenha tido grande força comercial nestes meses desde o lançamento lá fora, Macy deve estar bastante orgulhosa e quem realmente curte o seu trabalho, não ficou desapontado. Aqueles que precisam de um empurrãozinho para ouvir Ruby, a dica é: ouça agora! Se você se arrepender, certamente foi porque você não estava pronto para receber uma joia dessas.

O disco está disponível para venda, em edição especial, em vinyl vermelho. Você pode adquirir sua cópia no site da cantora.

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