O poderoso novo álbum de Greyson Chance

Greyson Chance Album Portraits

Há quase nove anos Greyson Chance conquistou o mundo com seu cover para o hit Paparazzi, da Lady Gaga. Greyson tinha apenas 12 anos quando o vídeo da sua apresentação num festival de música da escola foi visto por milhões de pessoas ao redor do globo. A repercussão foi imensa e o jovem rapaz lançou um álbum colhendo os frutos da sua exposição no início da adolescência. Agora, aos 21, o cantor lança o seu segundo disco – Portraits, num contexto pessoal completamente diferente.

Com um futuro promissor no início da década, mas que acabou estagnado ao longo dos anos, sem nenhum sucesso comercial, mesmo com o empenho de lançar alguns EPs, Greyson Chance chegou a pensar na desistência da sua carreira na música, cursou alguns semestres do curso de História, na Universidade de Tulsa, mas acabou largando tudo para se dedicar novamente ao que a gente mais gosta: a música.

um grande RECOMEÇO PARA GREYSON CHANCE

Portraits, o segundo álbum de Greyson Chance, celebra o amadurecimento e as experiências do cantor que revelou publicamente ser gay, em 2017. E eu não vou esconder o jogo. Portraits é um dos lançamentos do pop com grandes chances de aparecer em algumas listas de melhores álbuns do ano. Pelo menos na nossa – Música Inspira – ele já está com um pé dentro!

Podemos dizer que Portraits é o primeiro álbum de verdade do cantor. O primeiro foi lançado quando ele ainda tinha 13 anos, com uma voz infantil e letras que faziam sentido naquele universo. O novo trabalho traz Greyson não só como intérprete e músico, mas também como execelente compositor. O cara compôs, junto a alguns parceiros, todas as faixas do disco.

Nas doze faixas do álbum – sendo dois interlúdios, sem exceção, Greyson Chance é consistente e mostra toda sua habilidade vocal, explorando várias graduações, se entregando por completo. Ele não tem medo de se arriscar e vai de baladas à faixas animadas com direito a versos rápidos misturando pop, indie, com flertes eletrônicos e, até mesmo, de R&B. 

Sua jovialidade, somada ao fato de ser gay pode gerar diversas comparações com outro astro da música pop, o Troye Sivan. Em comum, além da música e do que mencionei anteriormente, eles tiveram a internet como grande aliada para lançar suas carreiras. Assim como Greyson, Troye ficou famoso por suas publicações nas redes sociais e pelos vídeos postados no seu canal. Sivan ficou famoso online muito antes de se arriscar na música, capitalizando de outra forma. Mas diferente de Troye, a fama de Greyson Chance veio por acidente já que ele não tinha controle sobre o vídeo amador que foi publicado nas redes com a sua apresentação na escola ainda aos 12 anos de idade.  O boom foi gigante e o jovem foi parar no programa da apresentadora Ellen Degeneres, um dos mais assistidos da TV norte-americana, que o contratou e agenciou o rapaz no início da carreira.

A voracidade da luta pela sua sobrevivência na indústria da música é sentida logo na abertura do disco. Shut Up, o primeiro single do álbum, traz Greyson bastante consciente de que esse é o momento que ele sempre buscou, uma virada na sua vida, na sua carreira. E, de fato, é isso que é. Chegou a hora de se firmar e mostrar que tipo de artista ele quer ser. Portraits o ajuda a definir isso, muito bem.

Com grande potencial para se tornar single e, certamente, deve ser uma das queridinhas dos fãs, Black On Black já é a minha favorita do disco. Ouso a dizer que a faixa te remete ao universo Timberlake e, em alguns momentos, até mesmo ao Maroon 5. E isso não é ruim, justamente porque Greyson soube muito bem como beber dessa influência e não fazer uma cópia barata e caricata.

Outros destaques são as excelentes Seasons Nineteen e Timekeeper. Aliás, essa última, é a faixa mais pessoal de Portraits. Em entrevista, Greyson afirmou que a canção foi composta como uma espécie de terapia para que o seu ex-namorado lembre dos bons momentos que tiveram, e de como as coisas eram entre eles. Para o cantor, a faixa virou um exorcismo, uma válvula para colocar pra fora algumas questões do relacionamento.

Uma ausência sentida foi a faixa Twenty One que ele liberou, no último mês de dezembro, nas plataformas digitais. Caberia perfeitamente no trabalho, ao mesmo tempo que é compreensível que ele não tenha incluído nenhum material que havia lançado aleatoriamente. Mostra que sua evolução tem sido constante e o período produtivo também.

Este novo álbum é essencialmente pop, mas sem apelar. Um disco que precisa muito mais do que ser ouvido, mas sentido. É fácil de se identificar, viajar nas letras e na melodia. Não há dúvidas de que Greyson, enfim, se encontrou. Um excelente recomeço, de mãos cheias!

Ouça Portraits e siga Greyson Chance no IG.

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