Emma Bunton: O frustrante novo álbum ‘My Happy Place’

Emma Bunton My Happy Place

Após longos treze anos de espera, Emma Bunton lança o seu quarto álbum solo, nesta sexta-feira (12). My Happy Place demorou mas chegou, trazendo regravações de hits que embalaram a vida da Baby Spice, além de duas composições inéditas. Mas a alegria dura pouco…

Emma Bunton e seu ‘My Happy Place’ 

Se você conhece um pouquinho da história da música nos anos 90, certamente faz alguma ideia do que foi a explosão das Spice Girls. O grupo formado por cinco garotas – a girlband mais bem sucedida da história – dominou o globo, vendeu milhões, conquistou o topo dos charts de forma quase ininterrupta e colocou nas meninas uma pressão descomunal para que suas carreiras solos também tivessem algum êxito. Poucas tiveram enquanto outras foram ficando pelo caminho.

Quando Emma Bunton divulgou a informação de que estava gravando o seu quarto álbum solo, ainda em 2018, o alvoroço se armou. O buzz do retorno das Spice Girls fez do momento ainda mais apropriado. Nada melhor do que capitalizar em todas as frentes possíveis.

O banho de água fria veio quando a tracklist foi revelada. Das dez faixas de My Happy Place, apenas duas são inéditas enquanto as demais são covers de canções lançadas por outros artistas. Nada de errado em lançar um álbum cheio de canções conhecidas na voz de outros nomes, mas seria essa uma boa estratégia de retorno ao mundo da música quando seu disco mais recente foi lançado há incríveis 13 anos?

Emma Bunton é e sempre foi a queridinha da imprensa entre as meninas e uma das que mais tem admiradores entre os fãs das Spice Girls. Seus trabalhos solo sempre conquistaram boas críticas. O seu segundo álbum Free Me é uma obra prima do pop britânico. Com mistura de sons sessentistas e influências de bossa nova, a carreira solo de Emma Bunton foi pavimentada com boa aceitação também pelos seus fãs, mesmo que comercialmente seus trabalhos solo nunca tenham tido algum impacto considerável.

Não é segredo que eu sou fã das Spice Girls e também das suas respectivas carreiras solo, mas não sou do tipo que beija os pés e diz “Amém” para tudo que elas lançam. E ainda não consegui entender como uma pessoa lança um disco de covers a essa altura da vida, diante de um burburinho imenso em torno da reunião do grupo.

Amo os artistas que dizem não ligar para os charts, mas quando alcançam posições altas, se rendem à postagens diversas para enfatizar o feito. My Happy Place deve conquistar uma posição boa nos charts ingleses que será revelado na próxima sexta, mas graças ao empenho dos seus fãs que nunca a abandonaram do que pelo álbum em si. Curioso pra ver o desempenho nas semanas seguintes. Torcendo, mas sendo realista ao mesmo tempo.

E fãs: por favor, ouçam novamente os discos anteriores e termine com My Happy Place. Não tem como defender.

MESMO ERRO DO PASSADO? 

O lançamento de My Happy Place me remete ao frustrante Stages, da Melanie C. O disco da Sporty Spice é sofisticado, com covers de grandes hits dos musicais, mas foi deixado de lado pelos seus seguidores, tornando-o o trabalho menos lembrado pelos seus fãs. Às vezes até esqueço que ele existe. Duvido que tenha algum fã que o ouça com alguma frequência relevante.

Emma, sua linda, você não aprendeu com os erros da sua amiga de banda? Pelo menos a Melanie tinha um filtro criativo que era regravar sucessos de musicais, mas as canções de My Happy Place são muito aleatórias, passando por músicas de Bee Gees, Norah Jones e Beatles. Aliás recomendo pular a faixa Emotion (Bee Gees). Sério.

My Happy Place parece um disco demo, uma trilha de um cruzeiro de velhinhos ou de um casamento cafona. Algumas faixas parecem que suas produções sequer foram concluídas. É apenas um álbum razoável, feito às pressas, que não corre risco algum ou que não dá sequência na linda carreira solo que teve na década passada. Deveria ter parado mesmo em Life On Mono. Mas já que lançou agora é fingir que My Happy Place nunca aconteceu. Próximo.

mY HAPPY PLACE: UM DISCO OPORTUNISTA

My Happy Place teria sido apenas fruto de oportunismo ou Emma Bunton realmente queria lançar o álbum? Havia 13 anos que a cantora estava longe da música com lançamentos próprios, mas teve uma aparição no single I Know Him So Well, da sua parceira Melanie C, lançado em 2012.

No seu novo e quarto álbum a voz de Emma continua linda e os meus questionamentos estão relacionados com o fato de saber que ela poderia ter se doado muito mais ao trabalho. As duas faixas inéditas Baby Please Don’t Stop e Too Many Teardrops são exatamente o que os fãs esperavam, mas as faixas não conversam em nada com o restante do material. Too Many Teardrops tinha até potencial para lado b da trilha de um James Bond da vida.

My Happy Place ainda traz as participações do ótimo Will Young, do marido de Emma Jade Jones, do cantor Josh Kumra e da lenda britânica Robbie Williams que participa da regravação de 2 Become 1, das Spice Girls. Aliás, essa regravação jamais deveria existir. Qual a finalidade? Foi lindo ver os dois cantando juntos numa apresentação de Robbie para a Heart FM, anos atrás, mas já deu. O hit das Spice Girls não merecia isso. Quer gravar, grava sua versão solo, mas não enfia ninguém lá.

Mas um ponto emocionante é a participação de Beau na abertura da linda Here Comes The Sun, composição de George Harrison e lançada pelos Beatles, em 1969.

Talvez o retorno pra música tenha acontecido de maneira desordenada e ela só se deu conta disso tarde demais. Os compromissos em torno do retorno das Spice Girls pode ter feito com que Emma encurtasse a agenda e sua dedicação a um material 100% inédito e gravar covers foi a forma segura, prática e rápida para colocar algum material no mercado. Tomara que ela não demore outros 13 anos para “consertar” esse equívoco chamado My Happy Place.

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