Alice Merton e seu nada refrescante álbum ‘Mint’

Alice Mertin album Cover Mint

Depois de atingir o #1 da Billboard Alternative Songs, em 2017, com o single No Roots, a cantora Alice Merton entrou para a lista dos artistas que ‘deveríamos’ prestar atenção. Mas com o lançamento do seu disco de estreia, Mint, no início de 2019, teria essa sido uma espera desnecessária?

Alice Merton – Mint 

Quando a expectativa não corresponde com a realidade, resulta num trabalho que a gente não fica nem um pouco entusiasmado, certo? É o que aconteceu com Mint, o álbum de estreia da cantora Alice Merton e eu te conto o porquê.

Foi com muito prazer e animação que, em 2017, a gente apresentou aqui no Música Inspira a cantora Alice Merton. Na época, ela estava despontando na Europa com seu single No Roots que, posteriormente, foi até trilha sonora de novela aqui no Brasil e rendeu à cantora uma das cadeiras como jurada no The Voice Alemanha! O que nos chamou atenção em Alice foi a voz fresca, a nova mistura de sons que ela trazia e a diversidade nas suas origens que fazia a sua música ser nova, genuína, verdadeira.

O buzz em torno do nome de Alice estava nas alturas e o lançamento do seu debut album era esperado por bastante gente e, por diversos críticos, que indicavam a cantora como uma das grandes promessas da música pop entre 2018 e 2019. Esse burburinho por Alice garantiu até um dos duetos mais bonitos da música pop em 2018: Tom Odell e Alice Merton na faixa Half As Good As You, parte do disco mais recente de Tom, Jubilee Road.

É interessante escrever sobre um trabalho que já foi lançado há um ano. Quando foi lançado, escutei várias vezes, fiz diversas anotações e hoje pude ter a certeza de que minha opinião sobre o material continua a mesma. Infelizmente, um disco sem graça que passou despercebido do grande público e que fará o caminho para um segundo álbum um tanto quanto difícil.

O ÁLBUM ‘MINT’

2019 chegou e logo em janeiro a cantora Alice Merton lançou o Mint, seu primeiro disco. O material original traz 11 faixas. E a versão estendida, lançada em outubro passado, traz quatro faixas complementares.

Tudo de irreverente que a cantora trazia no single No Roots, ela deixou de lado no Mint. Apesar da curta duração, Mint é um trabalho cansativo, arrastado, onde as faixas parecem umas com as outras e não traz nada de novo, nada de verdadeiramente interessante. A única coisa que você quer é que o disco termine logo.  Uma pena para todo potencial que Alice prometia entregar.

Os dois singles oficiais do trabalho, as faixas Why So Serious e Funny Business, são bobas, com composições infantis. Funny Business trata de relacionamento. A cantora, em entrevista para a Nylon, revelou ter escrito a letra para tirar a impressão de que as pessoas acham que a vida em turnê é promíscua, onde os artistas ficam e transam com diversas pessoas e, a mensagem dela, é de que nada disso acontece, que não existe glamour, que não existe sequer tempo. Oh meu Deus, mas quem quer saber disso? Mais infantil que isso, não dá! Acho que ela e a gravadora perceberam, tanto que o videoclipe não traz nada do que a cantora revelou ser a história por trás da música.

Um ponto alto do álbum – se é que existe ponto alto – é o fato de a cantora ter incluído a canção Lash Out. A faixa faz parte originalmente do EP de No Roots, lançado no início de 2017, e é um ponto positivo em Mint. Os arranjos são ótimos e ajudam a mostrar a cantora se encontrando como artista. Uma faixa ótima para ser cantada à todos os pulmões nos seus shows. Tem um ponta de rebeldia, não é tão polida e dá um tom ‘sujo’ que poderia ter sido mais explorado por Alice no seu nada inovador e refrescante Mint.

 

O principal defeito de Mint foi a demora de ser lançado. No Roots, o hit que revelou a cantora, ganhou o mundo no final de 2016 (o EP foi lançado em fevereiro de 2017) e o álbum – que traz o single – lançado apenas em janeiro de 2019. Perdeu o timing e a chance de fazer algo que seguisse a linha do single que bombou.  Esse gap no tempo fez com que ela se perdesse.

A dúvida é: seria Mint o que verdadeiramente representa Alice e No Roots foi uma excessão, um erro no percurso dela? Ou ela teria mesmo se perdido depois de No Roots e lançado o Mint? Será que teremos um segundo álbum para contar a história?


Ouça Mint e tire suas conclusões:http://hyperurl.co/AliceMerton-Mint 


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