Dawn Richard e o seu reflexivo ‘New Breed’

Dawn Richard New Breed

Como a grande maioria deve saber, Danity Kane foi uma girlband da década retrasada que chegou a fazer um moderado sucesso. Mas bem moderado mesmo, a ponto de quase todas as ex-integrantes do grupo estarem completamente apagadas do mapa. Mas Dawn Richard é um ponto fora da curva, ele se sobressaiu em meio a suas “amigas”, suas ex-companheiras de grupo e lançou em 2019, mais um álbum solo, o New Breed.

Um breve Histórico

Dawn Richard  já tinha iniciado sua carreira solo em 2005, lançando o Been a While, seu primeiro disco após o rompimento da girlband. Mas foi em meados do ano de 2009 que a cantora realmente decidiu investir em sua carreira solo.

Participou de Last Train to Paris, disco de seu – até então – chefe Diddy, lançou o disco Goldenheart. Em 2013, voltou ao Danity Kane, agora como trio ao lado de Shannon BexAubrey O’Day lançando o DK3 já sem a alcunha do magnata do rap.

Após mais brigas e disputas, a banda se separou novamente obrigando Dawn a investir em si mesma a partir de então. Foram lançados Blackheart (2015) e sua continuação Redemptionheart, de 2016, disco esse que passou pelo nosso crivo aqui no Música Inspira na época de seu lançamento – leia aqui.

Agora em 2019, Dawn lança seu quinto disco de estúdio, o relevante e eficiente New Breed que continua na mesma forma que a cantora se sente confortável desde o início de sua carreira solo.

NEW BREED

New Breed é um disco curto, conciso, eficiente e muito bom de ouvi-lo. Traz faixas fortes, carregadas de mensagens e, por vezes, mais politicas do que nunca. Em suas produções ela visa unir o clássico do R&B que nos levam a eras áureas da música negra, com o que há de mais contemporâneo ao estilo que a consagra. Uma transformação ao estilo que viveu seus últimos anos em baixa.

Sua intenção com o álbum é a de que ele funcione como uma reflexão sobre seu estado atual de espírito, passando pela sua infância e adolescência como uma menina negra. Um verdadeiro relato muito pessoal de como ela reage ao mundo atual e os reflexos de seu passado.

Falando de passado como em The Nine, a introdução onde claramente ela se refere a algum momento de sua vida nessa época, a saudade que ela ainda sente. Ou ainda sendo atual e mulher empoderada que é na melhor faixa do disco, New Breed.

Spaces usa e abusa (no melhor sentido) de sintetizadores e elementos de música pop, unindo-os a uma certa tradicionalidade do R&B. Em seguida a gente parte para Vultures | Wolves, duas faixas em uma, onde Richard reflete mais sobre o clima e pessoas que estão a sua volta, seus demônios internos e como isso a assusta e a atrapalha em seu trabalho e vida amorosa.

“Não é um elogio quando você duvida do meu sucesso de forma educada” é uma dos versos de efeitos cantados em We, Diamond, penúltima faixa. Em seu discurso, seus versos, ela traz ao debate como a mulher negra, por mais que ocupe espaços importantes cada vez mais, ainda é desrespeitada, subestimada, desacreditada. A faixa mais potente do disco.

Por fim, ela finaliza seu trabalho na canção curta, a Ketchup and Po’boys (outro) que poderia muito bem ser mais extensa.

Dawn Richard entrega em New Breed  um disco “redondinho” e compreensível, forte, empoderado, reflexivo, eficiente. Muitas qualidades que o fazem ser um grande destaque em meio a muitos lançamentos do ano, em meio a seu nicho, é um trabalho que merecia maior destaque. Talvez aqui vemos o quanto Dawn é subestimada, mesmo que ainda assim não se deixe levar e continue nos entregando grandes discos. Vale a pena ouvir!

Ouça:


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