Ícone: Ouça e Inspire-se no Emicida

Rapper Emicida

Emicida é um dos principais artistas do atual cenário nacional do rap – e na nossa cultura. Suas canções fazem dele uma das pessoas mais influentes e necessárias, dado nosso atual cenário sociopolítico. Que tal ouvi-lo mais e se deixar inspirar a ser melhor?

Inspire-se no emicida!

Emicida surgiu da forma mais natural, comum e, talvez, necessária para um rapper: nas rodas de batalhas de rimas. A cidade São Paulo, berço de grandes nomes que fizeram história no rap, viu um jovem talento que chegava de mansinho.

Emicida
Emicida – Foto: Daryan Dornelles

Leandro Roque, como foi batizado, era fera nas batalhas de rimas em São Paulo, uniu os nomes MC e homicida para compor seu nome artístico, porque nessas batalhas era tido como assassino vencendo seus adversários.

E se tem uma coisa que ele faz como pouquíssimos artistas hoje em dia, é nos fazer refletir. Principalmente sobre questões essenciais para um país socialmente desigual.

Muito além de conquistar seu próprio espaço, Emicida quase que nos obriga (obrigado, Emicida) a repensar tudo aquilo que sabemos ou achamos saber, sobre violência, a violência policial e do poder público, racismo, afetividade e importância de cuidarmos mais de nossos próximos.

Emicida como voz ativa no debate sobre racismo

Uma exemplo de como ele já se sobressaía, em um tempo em que debate sobre racismo ainda engatinhava, uma de suas passagens mais emblemáticas talvez seja, em um episódio no programa Altas Horas, da TV Globo. Lá, Emicida interrompeu um discurso pra lá de errôneo de um ator, dizendo a real sobre o racismo estrutural do país.

“O táxi não para pra você, e a viatura para (…)”

Nada de um discurso didático sobre tudo o que motiva e o que resulta o racismo. Mas sim um curto, rápido e papo reto sobre o que realmente a gente vê e finge que não. Afinal, complementar um discurso de uma pessoa branca, em um programa de grande audiência da TV aberta do país, sem ser uma vez sequer interrompido, é uma amostra de como o rapper é importante e relevante em seus discursos e ideias.

Tudo isso lembrando que, no nem tão distante 2015, esses debates sobre racismo e desigualdade social ainda estavam engatinhando – Leia mais sobre.

Emicida, Amarelo e o rapper que transcendeu seu papel

Capa de AmarElo. Foto: Claudia Andujar.

AmarElo é o terceiro álbum do rapper Emicida, lançado em outubro passado. Claramente, um dos melhores discos lançados em 2019 e não é difícil de entender o porquê.

É de uma importância essencial para um artista criado e “nascido” na cultura hip-hop, que ele mantenha essa imagem de pessoa forte, brava. E assim, formando um verdadeiro escudo diante do estigma e preconceito que o rap enfrenta desde os primórdios na cultura brasileira. Resultado de todo o preconceito e estigma que artistas do gênero enfrentam.

Inspire-se no Emicida
Emicida – Foto: Reprodução

Emicida teve essas fases em seus trabalhos iniciais incluindo suas mixtapes. Trabalhos esses essenciais para conhecer sua carreira e além disso, entender um pouco dos avanços do rap nacional. Era necessário então, ser assim pela mensagem que queria passar, ser desta forma porque é assim que deveria ser o rapper. Ao menos até então.

Em Cananeia, Iguape e Ilha Comprida, temos a síntese das mudanças desse papel na sua carreira. Em um papo pra lá de fofo com sua caçula Teresa, ele manda a real: “Sem risadinha, porque aqui é o rap, mano, onde o povo é brabo, entendeu? O povo é mau! Mau! Mau! Pra trabalhar nesse emprego de rapper você tem que ser mau!”

Outros grandes pontos do álbum acontece quando ele usa de suas influências no samba e até recruta um time imensamente importante, influente e inspirador de colaboradores. Indo do Pastor Henrique Vieira, passando pela atriz Fernanda Montenegro até a suas filhas, a caçula de um ano e meio, Teresa e Estela de 7 anos.

Em AmarElo, Emicida transcende o papel de um rapper, que além de debater assuntos importantes como racismo e desigualdade, por muitas vezes tão pesado e necessário, nos faz refletir nosso papel pessoa na sociedade como voz ativa. De nossas dores e nossos perrengues. Nossas lutas diárias tão pessoais e tão comuns, são cada vez mais difíceis.

Nos lembra de todas nossas coisas boas! Nossos alívios do dia a dia e nossas alegrias, que de tão poucas ou banais, a gente deixa passar despercebidos.

“(…) tudo que nóis tem é nóis”

Além de seu mais recente disco, Emicida coleciona grandes obras como Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Liçõs de Casa, uma de suas melhores performances. O coeso e introspectivo álbum de 2015, a época do discurso no Altas Horas, é um achado em todos os discos do gênero de nossa música nacional.

Podemos assistir e acompanhar então um nascimento e crescimento de um verdadeiro artista, assim no sentido de ser alguém real, verdadeiro e fiel a si mesmo. Um nome importantíssimo se quisermos relembrar e homenagear nomes de nossa música e cultura. Um verdadeiro ícone.

Ouça e inspire-se no Emicida! Inspire-se nas ideias, rimas, letras e melodias. Aceite seu convite pra pensar em nós como sociedade, pensar em cada um nós como componentes dessa grande máquina. Para ele, ser um artista nos dias de hoje não é o bastante, o bastante é deixar um legado e com isso nos inspirar ano após ano!

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