Bring Me The Horizon agrada com ‘Amo’ e aponta para o futuro

A banda Bring Me the Horizon lançou, no ano passado, um dos melhores trabalhos da sua carreira. Amo é uma mistura de sons e de experimentos de uma banda que não tem medo de arriscar e se jogar no novo, mesmo com seus mais de 15 anos de estrada.

O EXPERIMENTO DO BRING ME THE HORIZON

O NME deu nota máxima para o sexto álbum da banda Bring Me the Horizon. A renomada revista Kerrang, também. Mas o que faz de Amo ser um álbum tão bem avaliado?

Diversas bandas já tentaram se manter atuais, caem em armadilhas perigosas, soam datadas e passam vergonha, mas definitivamente não é o que aconteceu com os ingleses do Bring Me The Horizon. Importante ressaltar que, na verdade, a banda soube nadar numa correnteza que corria a seu favor. Os fãs do início, certamente não entenderam nada como a banda se transformou ao longo dos anos, mas para sua própria sobrevivência os caras precisaram se adaptar e entregar um som que convencesse também comercialmente.

Por falar em comercial, a faixa com maior apelo ao mainstream é Medicine. A música fala de como a saída de algumas pessoas das nossas vidas, pode fazer tudo melhorar. E olha, quem é que nunca passou por isso, não é mesmo? Relacionamentos tóxicos, de pessoas que mais sugam nossa energia do que contribuem para uma relação saudável. Medicine é isso… um grito de “ufa!”. O videoclipe ajuda a dar uma ilustrada na história.

Se engana quem avaliar o álbum apenas pelo título. Amo narra diversas facetas do amor, não só o lado romântico da coisa, mas tem todo lado obscuro de sofrimento, traições, términos. Um ‘blend’  de sentimentos como um relacionamento, de fato, é.

Amo traz ótimas treze faixas que agrada diferentes tipos de fãs, incluindo parte daqueles da base da banda. Se fossemos resumir em poucas palavras, poderíamos dizer que Amo é uma mistura entre rock, pop, metal, sons eletrônicos e composições intensas. É um disco pra ouvir uma, duas, muitas vezes. Sempre.

OS DESTAQUES DO ÁLBUM

Não tem como não dar destaque pra faixa mais romântica do álbum, Mother Tongue. Pra quem não sabe, o vocalista do Bring Me the Horizon Oliver Sykes, é casado com a brasileira Alissa Salls. Na letra da música, ele canta: “So don’t say you love me; fala, “amo”. É uma canção simples, mas bonita e ajuda a costurar todo o trabalho, afinal é esse “amo” que dá nome ao álbum.

Mas se tem amor de sobra em Mother Tongue, tem frustração em In the Dark. A música serve como uma espécie de exorcismo de uma traição que o vocalista descobriu num relacionamento passado. A letra é forte, mas senti um pouco de falta de gritos do vocalista – tão frequente em algumas outras músicas – para se livrar de vez desses sentimentos.

Mantra, o primeiro single do álbum, é uma das melhores faixas do trabalho, perfeita para agradar novos e velhos fãs. Mas é em nihilist blues, parceria com a cantora canadense Grimes, que a coisa fica séria. Uma mistura perfeita do rock com o eletrônico, as vozes quase sussurradas da Grimes. É uma louca viagem que os fãs ortodoxos da banda certamente não aprovaram, nas primeiras audições. Uma pena, pois são nesses quase cinco minutos e trinta segundos que a banda se aventura por um mundo novo e o resultado entrega uma das melhores faixas do álbum.

mais do que um Álbum, uma experiêNCIA

Por fim, Amo é um disco para ser executado ao vivo. Ao ouvir o trabalho, dá até pra imaginar como é a reação e o engajamento com o público e isso por si só já é um golaço. Dá para sentir o quanto a banda quer se conectar com seus fãs e proporcionar mais do que música, mas uma experiência completa. Bom, a gente conferiu toda essa conexão na edição 2019 do Lollapalooza Brasil! Foi sensacional! Que show! Pra quem não tava lá, dá para sentir um pouquinho aqui:

Assim, Bring Me The Horizon se consolida como uma das maiores bandas de rock da atualidade, sem medo de se arriscar e mostrando que o futuro – logo ali – pode ser ainda mais promissor para banda que não quer ficar parada no tempo e vivendo apenas da nostalgia, mas explorando novos sons, novas parcerias, fazendo sua música cada vez mais contemporânea e atual.

Há quem diga que o rock morreu. Certamente nunca ouviram um disco do Bring Me the Horizon… o rock se adapta e continua mais vivo do que nunca!

Ouça Amo: