Juliana Perdigão e a poesia em Folhuda

Juliana Perdigão - Capa do disco Folhuda

Juliana Perdigão ainda é um nome desconhecido pela grande maioria do público brasileiro, mas aos poucos vem construindo uma carreira sólida e respeitável. A cantora, compositora, instrumentista e poetisa, lançou seu terceiro disco, o curiosamente intitulado Folhuda, no conturbado ano que foi 2019 e poderíamos resumi-lo como um dos mais (se não o mais) criativos discos do ano.

fOLHUDA, DE JULIANA PERDIGÃO

Lançado em janeiro de 2019, Folhuda é o terceiro álbum da cantora mineira Juliana Perdigão. O disco foi totalmente produzido por ela em parceria com o produtor, arranjador e compositor Thiago França (que também é um dos componentes do ótimo Metá Metá).

O álbum traz composições que são, na verdade, poemas escritos por Juliana quando se une a nomes como Arnaldo AntunesPaulo Leminski, Angélica Freitas, Murilo Mendes, Bruna Beber, Renato Negrão e Fabrício Corsaletti.

Perdigão já abre o álbum debatendo o papel da mulher na sociedade atual, passada e, por que não, futura em Mulher Limpa, faixa que conta com o coro de outras mulheres importantes nesse novo cenário da MPB que vem se desenhando. Ela trás: Ava RochaCecilia LucchesiAngélica FreitasIara Rennó Tulipa Ruiz.

 

Em seguida, parte pra música mais interessante de Folhuda, Torresmo. Interessante porque traz um dos maiores nomes da nossa música brasileira: Arnaldo Antunes, tanto na voz quanto na composição. A faixa é divertida, dá vontade de ouvir e ouvir sem parar. De longe, a melhor do álbum. Arnaldo reaparece em Só o Sol, mas desta vez apenas na composição.

Segue então a canções bem poéticas de interpretações diversas, Máquinas Líquidas, o debate sobre sexualidade e opções em Felino e os trocadilhos com a vaga e reflexiva Só Com Muito Vento e Açúcar.

Sua poesia cantada permanece assim, misturando diversos elementos da música popular brasileira ao rock, resultando em faixas tradicionais como as já mencionadas e Oito Horas, música de Manivella e a talvez prepotente, Mulher DepressaEm Nocturno: O Violeiro, Juliana se junta a Lucas Santtana e adapta um dos poemas do modernista Oswald de Andrade.

Folhuda  pode ser analisado de duas perspectivas diferentes. Se você busca um disco cheio de nuances, estilos, que seja diferenciado e mais profundo, tal quais discos de nossa música popular, talvez aqui você não encontre o que busca. Folhuda, de Juliana Perdigão, é simples, direto e rápido – bota rápido nisso – a grande maioria das canções não passa de três minutos de duração. é poesia transformada em 12 faixas, bem produzidas por sinal, mesmo que relativamente rasas.30

Ouça aqui:

Também é possível adquirir sua cópia física aqui.