Future e o mais do mesmo em mais um álbum

Rapper Future - Future Hndrxx Presents: The Wizrd

No auge de sua carreira e do seu uso abusivo do auto-tune, o rapper e produtor Future chegou a 2019 com seu sétimo disco, o Future Hndrxx Presents: The Wizrd, lançado no dia 18 de janeiro. O  álbum segue sua já “batida” fórmula de sucesso. Porém, em The Wizrd, Future se esforça a todo momento para que sua fórmula nem se quer soe repetitiva ou cansativa.

Cabe ressaltar aqui que, ainda que soe datado por algumas faixas, o rapper só faz deixar na indústria cada vez mais uma marca, uma característica em especial. Seja com suas produções e participações em canções com nomes como Rihanna, Rick Ross e até Taylor Swift o rapper conseguiu criar e expor sua marca, melhor que isso: conseguiu deixá-la por onde passou.

Você pode ouvir um som em qualquer disco que seja e já identificar que o produtor passou por ali. Isso se reflete, principalmente, na construção desse novo trabalho. Aqui há o que Future tem e faz de melhor e, claro, suas falhas de costume.

Analisando o disco do future

Primeiro de tudo, Future Hndrxx Presents: The Wizrd é um disco longo. São 20 faixas que constroem um álbum relativamente cansativo e sem conseguir escapar da mesmice. Mas o rapper é excelente em suas rimas exatas, rápidas e eficientes. Seu flow, aliás, é o ponto mais alto de The Wizrd e seus versos raramente soam fora de ritmo ou destoam das melodias que ele mesmo criou.

Future Hndrxx Presents: The Wizrd começa muito bem em faixas que vão de Never Stop, Jumpin On A Set, Rocket Ship e Temptation, uma ótima sequência escolhida pra dar início, inclusive são algumas das melhores faixas do disco – melhor até que a escolhida como carro-chefe, Crushed Up. Tanto que, se o artista optasse por encurtar drasticamente seu trabalho, essa sequência poderia carregar o disco nas costas. São faixas potentes, radiofônicas e eficientes.

F&N é um misto de versos soltos com uma batida interessante, referenciando, por exemplo, o clássico Mad Max, filme de George Miller, de 1979. Call The Coroner é uma das faixas mais notáveis, assim como Talk Shit Like a PreacherEm Promise U That, Future usa seu espaço para se gabar de suas capacidades – incluindo sexuais.

Passando pela dispensável Stick To The Models, chegamos as interessantes OverdoseKrazy But True e a – mais do mesmo – Servin Killa Man. Dentre as demais faixas que mais parecem uma só de tão repetitivas (Batiize e Going’ Dummi) podemos destacar as únicas parcerias como as melhores canções do álbum. São elas: Unicorn Purp que conta com a ajuda de Young Thug Gunna para que o disco seja menos arrastado e First Off, resultado da parceria com o sempre elogiado Travis Scott.

Faceshota faixa de número 18, traz um Future em sua melhor forma: como um excelente rapper que é, capaz de criar possíveis grandes hits. É aqui que temos uma ótima faixa. Porém, em Ain’t Coming Back temos mais uma repetição. A música que reaproveita a base de sua antecessora é só mais uma jogada no disco. E por fim, chegamos a Tricks On Mea mais dispensável e chata do disco.

Apesar de conter músicas interessantes, potentes e muito radiofônicas, The Wizrd se perde em diversas outras faixas repetitivas e cansativas. O mais do mesmo que venho falando ao longo dessa análise.

O excesso do auto-tune e como se pode definir o disco

O auto-tune é um recurso pra lá de famoso usado há tempos. Fãs de música pop já estão cansados e talvez acomodados com o tanto de vezes que esse recurso é utilizado.

O rap/hip-hop sobreviveu por anos sem utilizar do recurso. Em seus tempos primórdios, ouvia-se a voz natural do artista, sem efeitos, sem muitos aditivos. Mas o tempo passou, e agora o rapper precisa além de naturalmente rimar, cantar. E é aqui que temos o grande erro de Future.

Como rapper e produtor ele já se mostrou excelente, se mostrou forte no que faz. Tanto é que a lista de parcerias que ele já fez, principalmente produzindo, fica cada vez mais extensa. Porém como cantor, o que ele tenta ser aqui, não funciona muito bem. Podemos ter grandes canções pop, grandes possíveis hits, mas todas de qualidade questionável. É o excesso desse recurso “robótico” que faz do disco Future Hndrxx Presents: The Wizrd, apenas um bom disco.

Por fim, podemos dizer que The Wizrd é um disco dispensável e “pequeno” em meio a tantos exemplares do gênero. Mas, sem que antes você crie muitas expectativas, é possível aproveitá-lo. Está longe de ser um dos melhores discos do rapper. .

Future Hndrxx Presents: The Wizrd ainda é acompanhado de um filme. Lançado dias antes e de exclusividade da Apple Music, o longa – de mesmo nome – acompanha Future em sua turnê Purple Reign, de 2016. Conta como foi seu processo criativo resultando no disco. O filme ainda conta com participações de DrakeYoung ThugDJ Khaled, dentre outros amigos do rapper.

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