AQUECIMENTO GRAMMY: Cuz I Love You, o disco clássico de Lizzo!

Aquecimento Grammy Lizzo

Prestes a desembarcar no Brasil para uma agenda de divulgação do seu trabalho, Lizzo é uma das grandes favoritas da edição 2020 do Grammy que rola no próximo domingo, 26. Tudo graças ao seu terceiro álbum, Cuz I Love You, que chegou de mansinho e se tornou um dos grandes lançamentos de 2019.

a verdade dÓI

Indicada à 8 prêmios Grammy, na edição, 2020, Lizzo chegou, chegando. Mas engana-se quem pensa que a carreira da cantora começou em 2019.

Quando lançou o seu terceiro álbum o Cuz I Love You, em abril de 2019, Lizzo já trazia no seu histórico dois discos e um EP (que passou por nosso crivo a época do lançamento). Mas ainda assim, o sucesso, de fato, não havia chegado. Não havia ainda o nome de Lizzo correndo por todos os lados.

A guinada veio com a explosão de Truth Hurts, um single de 2017, que foi relançado em 2019, graças ao buzz que a faixa ganhou ao ser trilha sonora de Someone Great. Mas pode-se dizer que o caminho para o estrondoso sucesso de Lizzo em 2019 foi pavimentado pela chegada do single Juice, logo nos primeiros dias do ano. Ela tava preparando o terreno e nem imaginava o que ia acontecer dali em diante.

 

Tudo mudou para lizzo

Someone Great é um filme de comédia romântica dirigido por Kaytin Robson e estrelado por Gina Rodriguez feito exclusivamente para a Netflix. O filme foi um sucesso grandioso na plataforma e, consequentemente, sua trilha pegou carona. Truth Hurts se destacou dentre outras canções, fazendo dela um sucesso “instantâneo”.

Logo, a música foi subindo pouco a pouco na Hot 100, da Billboard, chegando ao primeiro lugar. Assim sendo, isso impulsionou o desempenho do disco, Cuz I Love You, e logo a popularidade da cantora que,  de muito esperada, foi comemorada.

Muito Além de TRuth Hurts

A versão padrão do álbum Cuz I Love You não traz o single Truth Hurts, mas com a enorme repercussão da faixa, a gravadora logo tratou de enviar para as plataformas de streaming uma versão “deluxe” do disco com o smah hit, além de outros dois singles lançados quase que na mesma época Boys Water Me.

Mas, por mais que todos os meios forcem o disco como dependente de um sucesso – como se não houvessem canções como Juice Cuz I Love YouCuz I Love You, o disco, é muito mais que isso. Vai muito além de apenas um disco escorado em um mega sucesso.

O indicado a Álbum do Ano pelo Grammy esse ano – inclusive um dos nossos melhores discos de 2019 – vai muito além de apenas mais um ótimo disco dentre tantos do ano passado. Passou a ser tão representativo e significativo, seja pelo teor de suas letras, seja pela grandiosidade de seu sucesso, que faz dele um verdadeiro protagonista na carreira da cantora.

Os singles injustiçados

O sucesso estrondoso de Truth Hurts e, o mais tardio ainda, de Good As Hell (que ainda figura no top 15 da Hot 100 e sim, a canção foi incluída em uma versão “super deluxe” do disco) ofuscaram por completo o desempenho e principalmente o destaque de Juice, Tempo e o promocional Cuz I Love You.

Juice é tido como o primeiro e principal single do álbum e foi divulgado  3 meses antes do lançamento do álbum. Mas a América ainda não sabia quem era Lizzo. Até rolaram aparições em diversos programas de grande audiência como o da Ellen DeGeneres e do Jimmy Kimmel, mas a faixa não deslanchou a ponto de ser um grande sucesso.

Logo depois de Juice veio a incrível Cuz I Love Youporém o potencial hit foi usado apenas como single promocional e também não surtiu efeito algum, até então, no sucesso da cantora.

Tempooutro grande single e potencial hit, foi lançado já na época em que a cantora já estava ganhando força. Resultado da parceria com Missy Elliott, a canção também não chamou muito a atenção do público e, como as anteriores, também acabou sendo ofuscada.

mas afinal, o que dizer sobre Cuz i love you?

Merecidamente, Lizzo acertou em cheio essa sua entrada no hall de cantoras de sucesso. Embora eu considere seu antecessor, Big Grrrl Small World ainda seu melhor disco, Cuz I Love You é, definitivamente, um das obras primas de 2019.

Além disso, se tornou algo maior do que se previa. Afinal, por mais que o desempenho comercial do disco se deva muito a um único single, a qualidade do mesmo não deixa nem um pouco a desejar. O disco em si é linear. Não tem pontos baixíssimos, porém também não tem pontos, momentos, em que muito se sobressaia. Por mais que tenha ótimas faixas, não tem nenhuma que se destaque demais, tanto que a promoção do mesmo foi um tanto bagunçada nesse ponto.

Falando do disco faixa a faixa

Lizzo sempre se apresentou como uma rapper e isso, nos seus primeiros dois discos, era notório. Mas em Cuz I Love You, ela abre os trabalhos com a faixa título. Em um gospel/R&B mais tradicional, ela solta a voz e se entrega em uma performance emotiva e sincera, já dando sinais do que podemos esperar do que viria a seguir.

Agora celebrando a feminilidade e o empoderamento que prega, faz uso e do qual se inspira, Lizzo nos apresenta a potente Like A Girl. Nela, a cantora pega o termo “como uma garota” usado de forma pejorativa e o transforma em algo empoderado e feminista.

Ser uma mulher, negra e gorda, é nos dias de hoje um ato político. É enfrentar toda uma sequência de opressão e preconceito. Em Juice a gente enxerga uma Lizzo enfrentando e questionando esses padrões, sendo política e, ao mesmo, tempo debochada como a gente ama – é aliás, a escolha precisa para o single carro chefe do disco.

Igualmente sincera, somos apresentados à faixa Soulmate. “História verdadeira, sem glória…” ela nos introduz à uma história de amor e como o amor próprio é ainda mais importante nessas situações. Aqui ela une sua veia rapper, apostando em versos mais ágeis, com o melhor do gospel.

Em seguida, em Jerome, chegamos a um fim de algo, aparentemente casual. Na sequência, ela continua soltando sua potência vocal e sentimental, agora com Crybaby, uma canção interessante sobretudo por nos remeter a trabalhos anteriores mostrando um lado mais frágil.

E continuando, chegamos à Tempo, faixa que une duas gerações do rap feminino. Lizzo se juntou a lendária e icônica Missy Elliott pra quebrar o ritmo do disco em um momento exato. Aqui ela só precisa dançar e expor seu orgulho de ser quem é.

Uma homenagem para ela própria, ao auto amor em Exactly How I Feel, resultado de sua parceria com Gucci Mane. Na seguinte, outra música sobre empoderadamento feminino, sobretudo negro. Eis Better in Coloronde seu maior êxito é não ser repetitiva.

Também unindo mais uma vez o R&B contemporâneo, gospel e o R&B clássico, chegamos à penúltima música do disco. Heaven Help Me é outra das canções que Lizzo faz seus versos de rap e solta seu vozerão ao mesmo tempo e de forma tão sutil, que mal percebemos como ela une suas duas vertentes.

Lingerie é a canção escolhida pra fechar o disco. De forma mais intimista ainda, com uma boa dose de guitarra ao fundo e uma voz suave, contida e bem performada. Lizzo encerra sua obra de forma excepcional.

o veredito de cuz i love you. 

Quando uma mulher, rapper, de talento inegável, tem uma voz potentíssima e algo pra soltar dentro de si, ela cria algo como Cuz I Love You. Uma mistura excelente do que há de melhor em todos os mundos de uma mulher tão incrível como Lizzo.

Por essa razão, o disco é grandioso, potente, verdadeiro, transparente. É como se aqui conhecêssemos de verdade quem é Melissa Jefferson. Ela escreve cada canção, se envolve nas produções de algumas faixas, se expõe com uma grande e talentosíssima artista que é.

Não por menos, Lizzo está indicada em 8 categorias da 62ª edição do Grammy, sendo uma das mais indicadas esse ano, podendo levar inclusive, os prêmios de Melhor Novo Artista, Gravação e Canção do Ano com o smash hit Truth Hurts, e o grande prêmio da noite de Álbum do Ano – e convenhamos que o disco é bem competente pra levar.

Ouça aqui:

 

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