A incrível ascensão de Jão

Jão

A música pop no Brasil ganhou um novo fôlego nos últimos cinco, seis anos e um dos nomes que tem ganhado cada vez mais destaque é o cantor Jão. Com dois discos lançados e a pressão de um segundo disco bem sucedido de lado, o cantor tem se firmado como um dos nomes mais eficientes e poéticos da música brasileira. Pode mandar mais, Jão!

JÃO, O NOVO REI DO POP NO BRASIL

Jão é um cantor que te conquista fácil, fácil. E conquistou a gente anos atrás, quando ele ainda postava videos de covers de canções de diferentes artistas no seu canal no Youtube até que conseguiu o seu contrato com uma gravadora, a Universal Music, em 2017.

Por falar em 2017, foi naquele ano que conferi, pela primeira vez, o cantor ao vivo. Foi um pocket show na Vila Butantan, em São Paulo. Uma apresentação gratuita em um food park que ficou lotado para conferir o que o jovem cantor tinha para oferecer interpretando sucessos de outros artistas, mas também apresentando seu primeiro single Dança Pra Mim, além de dar um gostinho de Ressaca, música que seria oficialmente lançada dias depois.

Pouco mais de dois anos depois e com dois discos lançados, fui conferir o Jão mais uma vez ao vivo. Desta vez, o cantor lotou – pela segunda vez na turnê atual – o Tom Brasil, tradicional casa de shows de São Paulo. Se lá na Vila Butantan a plateia era formada por cerca de 200 pessoas, o cantor comemorou mais uma data esgotada para um público de 4 mil pessoas. Foi lindo de ver.

Seus videos já somam mais de 150 milhões de visualizações no Youtube. Só no Spotify são mais de 130 milhões de streams e mais de 1,5 milhão de ouvintes mensais.

Se Jão tivesse surgido na década de 2000 ele facilmente seria emo. Suas letras delicadas, cheias de sentimento, com os dois pés na fossa são pura poesia e sofrência. Mas como os anos se passaram e o termo emo caiu em desuso há anos, seria Jão um filho perdido do Lucas Silveira, da Fresno?

HORA DE VALORIZAR O QUE É NOSSO

Por anos e anos nos acostumamos a “idolatrar” a música pop feita em outros países, principalmente aquela produzida nos Estados Unidos. E quando tínhamos a chance de reconhecer e valorizar o que era produzido por aqui, muitas pedras eram atiradas e toda uma carreira era desvalorizada. Mas há quem diga que isso tem mudado. Ainda bem. E um dos nomes responsáveis por essa nova era da música pop no Brasil é o cantor Jão.

Desde o estrondoso sucesso de Anitta com o Show das Poderosas, temos acompanhado uma retomada da música pop por aqui. E Jão tem conquistado seu espaço e almejando o título de rei do pop do Brasil, já que os homens não tinham nenhum representante no movimento. Ah… não podemos esquecer do Tiago Iorc, mas Tiago flerta entre o pop e a MPB… Jão traz a música pop nas veias.

Nascido no interior de São Paulo, na cidade de Américo Brasiliense, Jão tem 25 anos e se mudou para a capital do estado quando entrou para a faculdade de publicidade da USP. Venceu a categoria de Revelação da Música Nacional, no MTV MIAW, de 2018. Gravou com Jota Quest, Ludmilla, Lagum e Malía.

Em agosto de 2018, o cantor lançou o seu muito aguardado primeiro álbum, Lobos. O trabalho caiu nas graças dos seus fãs e é uma celebração à cultura pop. A gente aqui do Música Inspira elegeu o material como um dos melhores lançamentos de 2018. Foi esse disco que nos deu de presente as faixas Me Beija com Raiva e a excelente Vou Morrer Sozinho.

Um ano depois chegou ao mercado o álbum Anti-Herói, um disco ainda mais pessoal e melancólico que o primeiro. O material aborda essencialmente o término de um relacionamento e mesmo sendo mais clichê possível, você cria uma conexão com o disco. Quem nunca passou por um término difícil, que te deixa inseguro para seguir a vida? Todo mundo tem uma história para contar por mais difícil que seja assumir. Anti-Herói é exatamente o que os fãs estavam esperando depois de Lobos. É um disco intenso de sentimentos e reafirma o estilo que o cantor se propôs a seguir e o faz muito bem. A sofrência não existe apenas no sertanejo e no brega, certo?

ANTI-HERÓI, O SHOW

Pra celebrar e divulgar o seu segundo trabalho, o cantor Jão tem rodado o país, desde outubro passado, com a turnê Anti-Herói. E, como mencionei antes, fui conferir um dos shows do cantor em São Paulo.

Vou começar pela parte chata. Dois pontos do novo show do Jão me desagradam: o cenário e a duração da apresentação. Acho o cenário fraco e chego a dizer que preferia que não tivesse nada do que ter aquela montagem, mas gosto é gosto. Minha percepção é que o cenário não acrescenta em nada na história que o cantor quer contar no palco e nas suas letras. Finge que o cenário não existe que tá tudo certo… vida que segue.

O que importa realmente é que a duração do show poderia ser um pouco mais extensa. A apresentação no Tom Brasil não passou de 1h20 e poderia facilmente ter no setlist alguns covers que ajudassem a deixar o show um pouco mais robusto. Preciso ainda ressaltar que esse show especificamente contou com a participação da cantora Malía com a faixa Dilema.

Apesar de ser um show curto, Jão é um charme só ao vivo. Cada verso cantado é acompanhado por uma plateia enlouquecida e histérica que retribui com todas as faixas na ponta da língua com toda força que um show pop merece. Tem muito artista por aí que não tem metade da energia dos fãs do Jão. Foi lindo de ver…. do início ao fim.

Todos os hits estão lá e Jão se mostra, por diversas vezes, abertamente vulnerável, deixando a verdade das suas composições e da sua emoção conduzir a experiência que ele vem construindo ao longo do tempo. Nada parece forçado, tudo é genuíno, natural e é justamente isso que faz dele uma nova potência da música. Não precisa de firulas, “bullshitagem”…. quando é de verdade, as coisas acontecem.

No final do show todo mundo suspira e dá vontade de levar o cantor pra casa e colocar num potinho e esperar para a próxima apresentação. E não vai demorar! O cantor preparou um show especial para o carnaval e invade São Paulo e o Rio de Janeiro com o Bloco dos Corações Partidos. Não tinha nome melhor, né? Que homem!